F18.7 — Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de solventes voláteis – transtorno psicótico residual ou de instalação tardia
- psicose residual por solventes
- psicose tardia relacionada a solventes voláteis
- psicose orgânica pós-exposição a solventes
Em palavras simples
Receber o código CID F18.7 significa que os sintomas psicóticos que você tem (como ouvir vozes, acreditar em coisas que não são reais, ver coisas que outras pessoas não veem ou ficar muito confuso) foram considerados consequência de exposição a solventes voláteis, e que esses sintomas persistem ou surgiram algum tempo depois da exposição. Em linguagem simples: o médico entende que o contato com produtos químicos irritantes e tóxicos afetou o seu cérebro e deixou sequelas psicológicas.
Você provavelmente está sentindo alteração na percepção, dificuldade para concentrar, mudanças de humor e relacionamentos abalados. Pode haver também cansaço intenso, mudanças no apetite, sono irregular e dificuldades para trabalhar — às vezes antes mesmo das alucinações aparecerem já havia sinais como lentidão, esquecimento ou irritabilidade. Esses sinais juntos ajudam a ligar o problema aos solventes usados no trabalho ou em uso recreativo.
Isso pode ser preocupante, mas não significa necessariamente que a situação seja irreversível. A gravidade varia: em algumas pessoas há melhora após afastamento da exposição e tratamento; em outras, os sintomas são mais duradouros. O transtorno não é contagioso e não pega outras pessoas. Quanto tempo dura depende da extensão do dano e das intervenções feitas, por isso é importante acompanhamento médico e reduzir a exposição ao solvente.
O caminho típico envolve avaliações adicionais (exames de imagem do cérebro, testes cognitivos) e retorno ao serviço de saúde mental para ajustar o cuidado. Pode haver necessidade de afastamento do trabalho até que a condição seja avaliada e estabilizada. A família e o trabalhador costumam receber orientações sobre proteção contra novas exposições e apoio para as atividades diárias.
Em casa, observe se há piora das alucinações, delírios fixos, perda do cuidado pessoal, comportamento agressivo ou sinais de risco para si mesmo. Se notar alguma dessas mudanças, procure atendimento médico de urgência. Também é útil anotar quando os sintomas aparecem, situações que parecem piorar e qualquer uso de outras substâncias, pois essas informações ajudam o médico a entender melhor o quadro.
Leve aos atendimentos documentos que comprovem o trabalho com solventes (relatos, contratos, fotos do local) e peça registros das avaliações que fizer. O tratamento e o prognóstico serão reavaliados ao longo do tempo, com foco em reduzir sintomas, promover segurança e tentar recuperar o máximo de funcionamento possível.
O que este código significa?
O CID F18.7 designa um quadro psicótico persistente ou que surge tardiamente e é atribuído ao uso de solventes voláteis. Aparece quando sintomas psicóticos permanecem após intoxicação aguda ou surgem depois de uso prolongado, sem melhor explicação por outro transtorno primário. Inclui alterações como delírios, alucinações e prejuízo do funcionamento social e ocupacional que se mantêm como sequela. Não abrange intoxicação aguda transitória por solventes (F18.0) nem necessariamente dependência ativa (F18.2). Não descreve transtorno psicótico por outra causa médica identificável.
Quando este código é usado?
Usa-se este código quando há evidências clínicas de psicose persistente em pessoa com histórico de exposição significativa a solventes voláteis, e quando outros diagnósticos explicativos foram excluídos. O código se aplica tanto a pacientes com sintomas residuais após episódios agudos quanto à instalação tardia de sintomas psicóticos atribuídos ao impacto neurotóxico acumulado dos solventes.
Qual a diferença dos códigos parecidos?
F18.0 — Intoxicação aguda por solventes: separa-se pelo caráter transitório e reversível dos sintomas durante a exposição ou logo após; F18.7 exige persistência ou início tardio de sintomas psicóticos após a fase aguda.
F18.2 — Síndrome de dependência de solventes: nesta, o foco é o padrão de uso compulsivo e tolerância/abstinência; F18.7 requer relação causal com sintomas psicóticos persistentes, não apenas critérios de dependência.
F20 — Esquizofrenia: diferencia-se pela história temporal e pela ligação plausível com exposição a solventes; F18.7 é atribuída quando a exposição tóxica é a explicação mais provável para o quadro psicótico.
O que é?
Trata-se de um transtorno psicótico atribuído a danos cerebrais ou disfunção decorrente do uso de solventes voláteis. Manifesta-se por alterações do pensamento (delírios), percepção (alucinações), afetividade e do comportamento social, que aparecem ou persistem após episódios de intoxicação ou após uso crônico.
Costuma ocorrer em pessoas com exposição ocupacional ou recreativa prolongada a solventes (como thinner, cola de sapateiro, aguarrás), especialmente quando a proteção é inadequada ou o uso é intenso. A gravidade varia de sintomas residuais discretos a psicose sustentada com prejuízo funcional marcante.
Quais sintomas aparecem?
Principais sinais incluem alucinações auditivas e visuais, ideias delirantes fixas, desorganização do pensamento e retraimento social. Sintomas precoces podem ser confusão intermitente, diminuição da atenção, mudanças de personalidade e lentificação psicomotora. Agravamento é indicado por aparecimento de alucinações persistentes, delírios firmes, perda acentuada do autocuidado, comportamento agressivo ou incapacidade de manter trabalho/relacionamentos.
O que causa?
Mecanismo provável envolve efeito neurotóxico direto de solventes lipofílicos que atravessam a barreira hematoencefálica, causando dano axonal, desmielinização e alterações na neurotransmissão dopaminérgica e glutamatérgica. Na prática brasileira, as exposições ocupacionais sem proteção (indústria, trabalho informal com colas e thinner) e o uso por inalação recreativa são as causas mais frequentes. Fatores individuais, como consumo concomitante de álcool, malnutrição e lesões prévias do sistema nervoso, aumentam o risco de evolução para psicose residual.
Como o médico confirma o diagnóstico?
O diagnóstico é clínico, baseado em história detalhada de exposição a solventes, temporalidade entre exposição e início/persistência dos sintomas psicóticos, e exclusão de outras causas orgânicas ou psiquiátricas (por exemplo esquizofrenia primária). Apoia-se em relato ocupacional, testemunhas e documentação de intoxicações prévias. A mudança deste código para outro depende de evidência clara de transtorno primário independente ou recuperação completa dos sintomas com afastamento da exposição.
Como costuma ser tratado?
O manejo usual é multidisciplinar e frequentemente ambulatorial, envolvendo suspensão da exposição aos solventes, reabilitação neuropsicológica e acompanhamento psiquiátrico para controle dos sintomas psicóticos. Intervenções psicossociais para reinserção ocupacional e apoio familiar são parte importante do plano. Em casos graves, pode ser necessária internação para garantir segurança e ajustar terapêutica.
Que tipos de remédio costumam ser usados?
Classes medicamentosas empregadas para controlar sintomas psicóticos incluem antipsicóticos sob supervisão psiquiátrica; em casos com agitação, sedação e risco, regimes específicos são avaliados pelo médico. Moduladores de sintomas cognitivos e tratamentos para comorbidades (ansiedade, depressão) podem ser considerados conforme avaliação especializada.
Quando procurar um médico?
Procurar ajuda imediata se houver começo súbito ou agravamento de delírios, alucinações persistentes, perda de autocuidado, comportamento violento ou risco de autoagressão. Agendar avaliação com serviços de saúde mental quando sintomas psicóticos não cessam após afastamento da exposição ou quando há declínio funcional progressivo. Busque atendimento emergencial se houver confusão aguda, convulsões ou alteração do nível de consciência.
Quantos dias de atestado?
Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento; o período é definido pelo médico que examinou, com base no caso concreto — duas pessoas com o mesmo CID podem receber períodos diferentes.
Na prática legal, até 15 dias de afastamento quem paga o salário é o empregador (Lei 8.213/91, art. 60, §3º); a partir do 16º dia em diante o INSS assume e passa a exigir perícia; e atestados pelo mesmo motivo dentro de 60 dias são somados para esses 15 dias (Decreto 3.048/99, art. 75). O CID registrado no atestado é o que o perito usa para saber se a doença é a mesma — essa é a razão prática pela qual o código aparece no documento e poucos pacientes conhecem essa regra.
Para que um atestado seja aceito ele precisa trazer identificação do paciente, o período de afastamento, a data do documento, e a assinatura e CRM do médico. A inclusão do CID requer anuência do paciente: informar o diagnóstico ao empregador não é obrigatório; porém, sem o código o somatório previsto nos 60 dias não pode ser verificado pela perícia.
Especificamente para F18.7, trata-se de um quadro psicótico residual ou de instalação tardia atribuído ao uso de solventes voláteis, caracterizado por sintomas persistentes como delírios, alucinações e prejuízo funcional. Esse código costuma representar uma condição de curso mais prolongado ou sequela de exposições repetidas, frequentemente exigindo acompanhamento e registro clínico, e podendo estar associado a incapacidade para certas atividades laborais dependendo da gravidade funcional. Por sua natureza persistente/recorrente, a regra dos 60 dias importa especialmente aqui porque episódios e atestados sucessivos pelo mesmo CID podem ser somados para fins de transição entre pagamento pelo empregador e análise pericial do INSS.
Que direitos este código envolve?
Pessoas com transtorno psicótico relacionado a solventes podem requerer perícia para reconhecimento de incapacidade laboral; direitos previdenciários e trabalhistas dependem de comprovação da relação ocupacional e da legislação aplicável. Laudos médicos e documentação da exposição são essenciais para processos de afastamento, aposentadoria por invalidez ou indenização; aconselha-se consulta a advogado trabalhista e perito independente.
Perguntas frequentes sobre F18.7
O que significa receber o código CID F18.7 no atestado médico?
Indica que os sintomas psicóticos foram atribuídos a exposição a solventes e que esses sintomas são persistentes ou de início tardio; é um rótulo clínico que orienta investigação e acompanhamento.
Esse transtorno é contagioso ou hereditário?
Não é contagioso; sua relação com fatores hereditários não é direta, sendo a exposição química o fator vinculante no CID F18.7.
Quais exames provavelmente serão solicitados após este diagnóstico?
Podem ser solicitados exames de imagem cerebral (TC/RMN) e avaliações neuropsicológicas, além de exames laboratoriais para excluir outras causas e documentar exposição.
O porte de trabalho pode ser suspenso por esse diagnóstico?
A necessidade de afastamento depende da avaliação médica do risco de nova exposição e do impacto funcional; o CID sozinho não determina a decisão administrativa.
Qual a diferença entre F18.7 e F18.0?
F18.0 refere-se à intoxicação aguda e geralmente a sintomas transitórios relacionados ao episódio; F18.7 descreve sintomas psicóticos persistentes ou que aparecem tardiamente após exposição a solventes.
Leve estas perguntas
O que perguntar ao seu médico (5)
- Qual a cronologia entre a exposição máxima a solventes e o início dos sintomas psicóticos?
- Que evidências objetivas (neuroimagem, testes neuropsicológicos, exames toxicológicos) apoiam a atribuição ao solvente em vez de transtorno primário?
- Houve período de melhora após afastamento da exposição e quando considerar mudança do CID para outro código (por exemplo, F20)?
- Que comorbidades (uso de álcool, outras drogas, déficit nutricional) podem estar contribuindo para a apresentação e como documentá‑las?
- Que critérios foram usados para diferenciar intoxicação aguda persistente (F18.0) de psicose residual tardia (F18.7)?
O que perguntar ao seu advogado (4)
- Quais documentos e provas médicas são necessários para vincular a psicose ao ambiente de trabalho para fins de perícia?
- Em que situações o quadro pode fundamentar pedido de aposentadoria por invalidez ou estabilidade provisória por acidente de trabalho?
- Como demonstrar nexo causal entre exposição ocupacional a solventes e transtorno psicótico em processos administrativos e judiciais?
- Que prazos legais e periciais costumam ser relevantes para requerimentos junto ao INSS e justiça do trabalho?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
- Quais procedimentos diagnósticos e terapêuticos relacionados a psicose por solventes exigem autorização prévia da operadora?
- Como deve ser preenchida a guia com CID F18.7 para exames de imagem e internação psiquiátrica?
- Em caso de tratamento farmacológico e reabilitação, quais documentos clínicos a operadora costuma solicitar para avaliar cobertura continuada?
Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.
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Fontes e como esta página foi feita
- DATASUS — CID-10, bloco F10-F19
- OMS — ICD-10, versão 2019 (F18.7)
- Lei 8.213/1991, art. 60 — afastamento e auxílio por incapacidade
- Decreto 3.048/1999, art. 75 — soma de atestados em 60 dias
- Anvisa — Bulário Eletrônico
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