F18.5 — Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de solventes voláteis – transtorno psicótico

  • psicose por inalantes
  • psicose por solventes
  • transtorno psicótico induzido por solventes voláteis

O CID F18.5 designa transtornos psicóticos atribuíveis ao uso de solventes voláteis (inalantes): estados com delírios, alucinações ou pensamento desorganizado ocorrendo durante ou logo após a exposição. Aparece tipicamente em pessoas que usam produtos domésticos, colas ou thinner de forma abusiva e desenvolvem sintomas psicóticos agudos ou persistentes. Não inclui intoxicação aguda sem sintomas psicóticos (códigos F18.0/F18.1) nem formas exclusivamente dependentes sem psicose predominante (F18.2/F18.3). Registra um quadro psiquiátrico com relação temporal plausível ao uso de solventes.


Em palavras simples

Este código, CID F18.5, significa que os sintomas psiquiátricos observados — como vozes, ideias estranhas que parecem verdadeiras para você, ou fala confusa — foram relacionados ao uso de solventes inaláveis (produtos como cola, thinner, gasolina ou similares). Não é um rótulo moral; descreve uma condição em que o vapor dessas substâncias afetou o cérebro a ponto de alterar a percepção e o pensamento.

Você pode estar sentindo medo, confusão, ouvir ou ver coisas que outras pessoas não percebem, ter pensamentos que mudam rápido ou acreditar em ideias que soam fixas. É comum também haver cansaço, dificuldade de concentração, alteração do sono e do apetite, além de isolamento. Algumas pessoas ficam agitadas ou reagem de forma agressiva sem intenção.

Se for curto e relacionado a um episódio isolado de inalação, o quadro pode melhorar com a interrupção do uso e acompanhamento médico; porém, exposições repetidas podem levar a sintomas mais duradouros e prejuízo nas atividades diárias. A condição não é contagiosa, mas pode ser grave enquanto a pessoa está com perda de contato com a realidade.

O que costuma acontecer depois é uma avaliação médica e psiquiátrica para confirmar a relação com os solventes, exames para excluir outras causas e decisões sobre cuidados: acompanhamento ambulatorial ou, em casos mais agudos, observação em ambiente seguro. Pode haver necessidade de afastamento temporário das atividades enquanto os sintomas são controlados e a pessoa não está em situação de risco.

Em casa, observe se a pessoa está desorientada, muito sonolenta, difícil de acordar, agressiva, fala sem sentido ou fala que indica risco de suicídio; nesses casos, procure atendimento de urgência. Se os sintomas forem menos graves, mantenha supervisão, evite exposição contínua aos produtos e marque retorno médico. Anote padrões de uso e relatos de testemunhas para levar ao atendimento.

Quando usar este código

Use este código quando houver sintomas psicóticos (alucinações, delírios, fala desorganizada) claramente relacionados ao uso atual ou recente de solventes voláteis, com evidência clínica ou testemunhal de exposição. Não utilize para intoxicação transitória sem características psicóticas, nem para transtornos de uso sem manifestações psicóticas predominantes. Deve refletir que a psicose é atribuída ao agente inalatório e não a outra condição primária (ex.: esquizofrenia não relacionada).

Não confunda com

F18.0 vs F18.5: F18.0 descreve intoxicação aguda por solventes voláteis sem critérios de psicose; F18.5 exige delírios, alucinações ou pensamento desorganizado persistente relacionados ao uso.

F18.2 vs F18.5: F18.2 refere-se a transtorno de uso (dependência) de solventes; se o quadro é dependente mas com psicose proeminente atribuída ao solvente, codificar F18.5.

F20.9 vs F18.5: F20.9 é esquizofrenia não especificada; a separação depende da relação temporal com exposição a solventes: se a psicose surge em contexto de uso de inalantes e cessa ou melhora com abstinência, F18.5 é preferível.

O que é

Transtorno psicótico por solventes voláteis é uma entidade clínica em que a exposição repetida ou intensa a solventes inaláveis leva ao aparecimento de sintomas psicóticos — alucinações (visuais, auditivas), delírios e desorganização do pensamento — que não se explicam melhor por outro transtorno psiquiátrico primário. O mecanismo envolve efeitos neurotóxicos diretos e alterações neuroquímicas agudas e crônicas no sistema nervoso central.

Manifesta-se em pessoas que respiram deliberadamente vapores de colas, thinner, gasolina, tintas ou outros produtos domésticos para obter euforia ou escapismo, frequentemente entre adolescentes e adultos jovens em situação de vulnerabilidade social. O quadro pode ser agudo e transitório, mas, em exposições repetidas, há risco de sintomas persistentes e deterioração funcional.

Sintomas

Principais sinais: alucinações (auditivas ou visuais), delírios persecutórios ou grandiosos, fala desorganizada, isolamento social e alterações comportamentais. Sinais que aparecem cedo incluem confusão, desorientação, agitação e alterações do sono; quando evoluem para psicose, surgem prejuízo do pensamento lógico, crenças fixas delirantes e percepção alterada da realidade. Indícios de agravamento são comportamento agressivo, catatonia, fraca resposta à retirada do agente e declínio marcante do funcionamento social e ocupacional.

Causas

Mecanismo: solventes voláteis são lipofílicos e atravessam a barreira hematoencefálica, causando depressão e disfunção de circuitos neurotransmissores (GABA, glutamato, dopamina) e lesão neuronal direta por ação tóxica. No Brasil, a causa mais observada na prática é o abuso de colas e thinner por inalação em contextos de vulnerabilidade socioeconômica. Fatores que favorecem o desenvolvimento incluem uso intenso, exposição prolongada, poliuso com álcool ou outras drogas e história de transtornos psiquiátricos prévios.

Como é diagnosticado

O diagnóstico se sustenta na identificação de sintomas psicóticos concomitantes ou imediatamente subsequentes ao uso de solventes voláteis, corroborado por história de exposição (autorreferida ou testemunhal) e exclusão razoável de outras causas orgânicas ou psiquiátricas primárias. Avaliação clínica detalhada, anamnese de uso, exame neurológico e psiquiátrico que documentem a relação temporal e a ausência de explicação alternativa são centrais. Exames laboratoriais e de imagem servem para excluir condições metabólicas, infecciosas ou estruturais que possam mimetizar psicose.

Como costuma ser tratado

O manejo costuma iniciar com cessação da exposição e tratamento do estado agudo em ambiente seguro; acompanhamento psiquiátrico para estabilização do quadro psicótico e monitorização neurológica e médica é frequente. Intervenções psicossociais e programas de redução de danos ou reabilitação são importantes na sequência, visando a abstinência e a reinserção social. Em muitos casos, o tratamento é ambulatorial, mas quadros agudos graves podem requerer internação para garantia de segurança e estabilização.

Classes de medicamentos

Classes farmacológicas empregadas para controlar sintomas psicóticos incluem antipsicóticos atípicos e típicos sob supervisão médica; ansiolíticos ou sedativos podem ser usados para agitação aguda, e medicamentos de suporte neurológico/metabólico são considerados conforme comorbidades. A escolha terapêutica depende da avaliação médica e do contexto clínico; este verbete não especifica drogas ou dosagens.

Quando procurar ajuda

Procure avaliação médica imediata se surgirem alucinações, delírios, desorientação, comportamento agressivo ou perda de contato com a realidade após inalação de solventes. Também é indicado buscar ajuda se houver comprometimento do sono, alimentação ou higiene, episódios repetidos de exposição, sinais de crise neurológica (convulsão, déficit focal) ou risco de suicídio. Para acompanhamento e reabilitação, encaminhamentos a serviços de saúde mental e atenção psicossocial são apropriados.

Uso em atestado

Atestados e certificados clínicos devem registrar data da avaliação, descrição objetiva dos sintomas psicóticos observados, relação temporal com uso de solventes e necessidade de afastamento quando aplicável. Informação adicional sobre prognóstico e necessidade de acompanhamento pode ser incluída sem especificar terapias ou doses. Documentos para perícia devem trazer registros de exposição e histórico clínico completo.

Perguntas frequentes sobre F18.5

O CID F18.5 significa que tenho esquizofrenia?

Não necessariamente; este código indica psicose atribuída ao uso de solventes voláteis. A diferença para esquizofrenia depende da relação temporal com a exposição e da exclusão de transtornos primários.</p>

Preciso me afastar do trabalho se recebo este diagnóstico?

O afastamento depende da gravidade dos sintomas e da avaliação médica; o código documenta a condição, mas a decisão sobre licença e perícia é feita por profissionais e órgãos competentes.</p>

O transtorno é contagioso para familiares ou colegas?

Não é contagioso. O risco está no compartilhamento de substâncias ou no convívio que facilite o uso, não em transmissão biológica.</p>

Quais exames o médico costuma pedir para confirmar que é por solventes?

Exames podem incluir toxicológicos para substâncias recentes, avaliações laboratoriais para excluir causas metabólicas e, se indicado, neuroimagem para investigar alterações estruturais.</p>

O que diferencia este código de uma intoxicação aguda sem psicose?

A presença de delírios, alucinações ou pensamento desorganizado atribuíveis aos solventes é o critério que orienta o uso de F18.5, enquanto intoxicação sem psicose usa classificações diferentes.

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu médico (5)
  • Quando os sintomas psicóticos começaram em relação à última exposição documentada a solventes?
  • Há histórico prévio de transtornos psiquiátricos ou uso concomitante de álcool e outras drogas?
  • Qual a intensidade, frequência e via de exposição aos solventes (relato do paciente/testemunhas)?
  • Os sintomas persistem após abstinência prolongada e, em caso afirmativo, por quanto tempo?
  • Há sinais neurológicos focais, convulsões ou declínio cognitivo progressivo que requeiram neuroimagem?
O que perguntar ao seu advogado (3)
  • O quadro psiquiátrico apresentado é compatível com incapacidade temporária ou permanente para o trabalho, segundo laudos periciais?
  • Que documentação clínica e de exposição são necessárias para fundamentar pedido de benefício previdenciário por incapacidade?
  • Como a presença de uso de substâncias voláteis influencia a avaliação de responsabilidade e concessão de auxílios ou reabilitação?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
  • Este transtorno exige autorização prévia para internação psiquiátrica de emergência conforme a operadora?
  • Que procedimentos de reabilitação psicossocial relacionados a transtornos por solventes são cobertos pelo plano e quais dependem de análise individual?
  • Quais critérios a operadora exige para autorizar exames complementares (neuroimagem, toxicológico) em contexto de psicose por solventes?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

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