F19.0 — Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de múltiplas drogas e ao uso de outras substâncias psicoativas – intoxicação aguda
- intoxicação polidrogas
- intoxicação por uso combinado de drogas
- intoxicação aguda por substâncias psicoativas múltiplas
O CID F19.0 designa intoxicação aguda provocada pelo uso de múltiplas drogas ou outras substâncias psicoativas. Refere-se a um quadro clínico recente, temporário, causado pela presença ou efeito combinado de duas ou mais substâncias psicoativas que alteram a consciência, comportamento, percepção ou funções autonômicas. Apresenta-se quando não é possível atribuir o quadro a uma única substância ou quando a combinação altera a manifestação clínica. Não inclui transtornos por uso crônico, dependência ou sintomas residuais prolongados, que têm códigos diferentes dentro de F19. Não descreve intoxicação causada por uma única substância identificável, que deve ser codificada pelo código específico dessa substância.
Em palavras simples
O código CID F19.0 significa que você teve uma intoxicação aguda causada pelo efeito combinado de duas ou mais drogas ou substâncias que mexem no cérebro. Não é um diagnóstico de dependência ou de um problema crônico por si só: descreve um episódio recente em que a mistura de substâncias provocou sintomas que precisaram de avaliação médica. Esse registro diz respeito ao episódio agudo e às suas manifestações imediatas.
Você pode estar sentindo confusão, sonolência forte ou, ao contrário, muita agitação; pode ter tremores, náuseas, vômitos, palpitações, tontura, suor frio, fala enrolada, visão ou percepção alterada, e problemas para andar ou manter o equilíbrio. Algumas pessoas relatam ‘‘barriga’’ desconfortável, intestino solto, dor de cabeça, cansaço extremo ou sensação de que o coração está acelerado. A combinação de substâncias pode tornar os sintomas mais intensos e imprevisíveis do que o uso de uma única droga.
Sobre gravidade, muitos episódios são passageiros e melhoram com observação e suporte; porém, há risco de problemas sérios, como dificuldade para respirar, convulsões, arritmia ou perda de consciência. A duração costuma ser de horas até dias, dependendo das substâncias envolvidas, da quantidade e da saúde da pessoa. O código registra que este foi um episódio agudo; se surgirem sintomas que persistem semanas depois, o médico pode reavaliar e usar outro código.
Após o atendimento inicial, é comum pedir exames simples de sangue, monitorização e eventualmente testes toxicológicos; o médico pode marcar retorno para acompanhar recuperação e aconselhar sobre cuidados futuros. A necessidade de afastamento do trabalho depende da gravidade e das funções exercidas; quem dirige veículos ou opera máquinas geralmente deve aguardar recuperação completa.
Em casa, observe a respiração, o nível de consciência (se a pessoa responde bem), vômitos persistentes ou confusão que piora, febre alta ou convulsões. Procure ajuda imediatamente se notar dificuldade para respirar, desmaio prolongado, convulsões, ou se a pessoa ficar muito sonolenta e difícil de acordar. Leve sempre para avaliação médica se houver mistura de drogas e sintomas que impresionem perigo — é melhor ser avaliado cedo do que esperar.
Quando usar este código
Usa-se este código para episódios agudos em que múltiplas drogas ou substâncias psicoativas são a causa provável imediata dos sintomas observados. Indicado quando a história, o exame clínico ou testes apontam para efeito combinado de substâncias e não é possível atribuir à única droga específica. Não é apropriado para efeitos tardios, síndrome de abstinência isolada nem para uso crônico sem quadro agudo atual.
Não confunda com
F19.1 — Critério de separação: F19.1 descreve transtornos mentais e comportamentais por múltiplas drogas com intoxicação prolongada ou com manifestações psicóticas persistentes; F19.0 é usado apenas quando o quadro é agudo e direto efeito tóxico, sem persistência prolongada.
F11.0 (Intoxicação aguda por opioides) — Critério de separação: utilize F11.0 quando a história e/ou exames identificam exposição primária a opioides como responsável pelo quadro; se há consumo simultâneo importante de outras substâncias que alterem o quadro, considerar F19.0.
F10.0 (Intoxicação aguda por álcool) — Critério de separação: escolha F10.0 quando o alcoolismo/ingestão aguda de álcool é a causa predominante isolada; se álcool combinado com outras drogas produz manifestações clínicas não atribuíveis só ao álcool, F19.0 é mais adequado.
O que é
Intoxicação aguda por múltiplas substâncias é um estado clínico temporário causado pela ação combinada de duas ou mais drogas ou substâncias psicoativas que afetam o sistema nervoso central e funções corporais. Manifesta-se por alterações da consciência, comportamento, percepção, humor, ritmo cardiaco, pressão arterial, respiração e função motora; a combinação pode causar efeitos aditivos, sinérgicos ou imprevisíveis.
Costuma ocorrer em pessoas que usam recreativamente várias drogas, em tentativas de aumentar ou modular efeitos (como combinar álcool com cocaína, benzodiazepínicos com opioides, ou outras misturas), ou por ingestão acidental de medicamentos combinados. Pode afetar qualquer faixa etária, mas na prática brasileira é frequente entre jovens e adultos que relatam uso recreativo polidrogas, pacientes com transtorno por uso de substâncias e em situações de tentativa de automedicação.
Sintomas
Principais sintomas: confusão, sonolência ou agitação intensa, alteração da atenção e orientação, alterações perceptivas (alucinações, ilusões), náuseas e vômitos, sudorese, tremores, alterações do ritmo cardíaco e da pressão arterial, respiração comprometida e perda de coordenação motora. Sintomas que aparecem cedo: tontura, náusea, fala arrastada, marcha instável, sonolência ou excitação súbita e discreta alteração da consciência. Sinais de agravamento: depressão respiratória, queda significativa da pressão arterial, arritmias, convulsões, febre alta persistente, inconsciência prolongada e sinais de falência orgânica indicam risco de dano severo ou morte.
Causas
Mecanismos: interação farmacodinâmica entre agonistas e depressores do SNC produziram depressão respiratória e sedação; combinação de estimulantes com depressores pode mascarar sinais de intoxicação e levar a sobrecarga cardiovascular ou neuroexcitabilidade; sinergia entre substâncias aumenta toxicidade hepática e renal. Na prática brasileira, as causas mais comuns são o consumo simultâneo de álcool com drogas ilícitas (cocaína, maconha), benzodiazepínicos com opioides ou com álcool, e combinações de estimulantes e depressivos usadas recreativamente.
Como é diagnosticado
O diagnóstico de F19.0 baseia-se na história recente de uso de múltiplas substâncias, exame físico com sinais compatíveis e exclusão de outras causas médicas agudas que expliquem o quadro. Exames toxicológicos (triagem em urina ou sangue) podem confirmar exposição a substâncias, mas ausência de detecção não afasta o diagnóstico se a história clínica sustenta intoxicação múltipla. Este código é sustentado quando há evidência de efeito tóxico combinado e não se pode atribuir claramente a uma única substância específica.
Como costuma ser tratado
Tratamento inicial é de suporte: avaliação e estabilização das vias aéreas, respiração e circulação, manejo de convulsões e controle de arritmia ou instabilidade hemodinâmica em ambiente adequado. O manejo específico depende das substâncias suspeitas e da gravidade; algumas situações exigem intervenções de emergência e monitorização contínua. Em muitos casos o tratamento começa e prossegue em ambiente de urgência/emergência e pode continuar ambulatorialmente após estabilização.
Classes de medicamentos
Classes de medicamentos utilizadas em suporte incluem antagonistas específicos quando indicados (por exemplo, reversores conhecidos para certas substâncias), benzodiazepínicos para controle de agitação e convulsões, e medicamentos para suporte hemodinâmico ou ventilatório quando há depressão respiratória. A escolha depende da avaliação clínica e das substâncias envolvidas; a terapia farmacológica visa reverter efeitos agudos e prevenir complicações, sempre em contexto supervisionado.
Quando procurar ajuda
Procurar ajuda imediata se houver dificuldade para respirar, perda da consciência, convulsões, vômitos persistentes com incapacidade de manter líquidos, muito suor frio, palpitações intensas ou confusão grave. Buscar atendimento urgente também quando houver relato de ingestão de mistura de substâncias e início rápido de sintomas neurológicos, cardiovasculares ou respiratórios. Mesmo sintomas moderados como agitação intensa, confusão que não melhora, desorientação ou comportamento perigoso justificam avaliação médica.
Uso em atestado
Ao emitir atestado, registrar data e hora do episódio, sinais e sintomas observados, medidas realizadas e indicação de acompanhamento. Para fins periciais, descrever claramente a evidência de uso de múltiplas substâncias e a relação temporal entre uso e sintomas; evitar juízos sobre comportamento moral ou legal, limitar-se aos achados clínicos documentados.
Direitos e benefícios
Direitos legais variam conforme situação: intoxicação aguda pode justificar afastamento temporário do trabalho por incapacidade funcional comprovada; em contextos de segurança ou direção, podem haver exigências legais específicas. Questões sobre responsabilidade criminal ou administrativa dependem do contexto do uso e das leis aplicáveis; orienta-se buscar assessoria jurídica para casos com implicações legais.
Perguntas frequentes sobre F19.0
O que significa receber o código CID F19.0 no meu atestado?
Significa que o documento descreve um episódio agudo atribuído ao uso combinado de várias substâncias psicoativas; é uma descrição diagnóstica do quadro atual, não um rótulo moral. O atestado deve indicar período de incapacidade temporária, se houver.
Esse quadro é contagioso para parentes ou colegas?
Não. Trata-se de uma reação individual à ingestão de substâncias; não há risco de transmissão entre pessoas. Preocupações sobre segurança envolvem comportamento e supervisão, não contágio.
Que exames vão ser pedidos ao receber esse código?
Podem ser solicitados testes toxicológicos para confirmar exposição, exames de sangue básicos, avaliação da função hepática e renal, glicemia e monitorização cardíaca e respiratória, conforme a gravidade clínica. Os exames escolhem-se para descartar outras causas e avaliar complicações.
Qual a diferença entre CID F19.0 e F19.1?
F19.0 refere-se ao episódio agudo de intoxicação por múltiplas substâncias; F19.1 descreve transtornos com manifestações mais prolongadas ou persistentes, como psicose pós-intoxicação. A distinção baseia-se na duração e na persistência dos sintomas.
Posso ser afastado do trabalho por este diagnóstico?
O afastamento depende do grau de incapacidade funcional constatado pelo médico e das regras do empregador/seguro; o código apenas descreve o episódio e serve de base para atestados, mas direitos e prazos são definidos por legislação e contrato.
Leve estas perguntas
O que perguntar ao seu médico (5)
- Qual é o intervalo de tempo entre a exposição suspeita e o início dos sintomas para considerar intoxicação aguda múltipla?
- Quais substâncias detectadas no exame toxicológico podem ter causado sinergia tóxica no quadro atual?
- Em que momento o código deve ser trocado por outro F19.x (por exemplo, por transtorno psicótico persistente)?
- Quais sinais vitais ou resultados laboratoriais obrigam transferência para unidade de terapia intensiva?
- Que evidências documentais justificam atribuir o episódio ao uso combinado e não a causa médica alternativa?
O que perguntar ao seu advogado (3)
- Este episódio agudo justifica afastamento previdenciário; qual documentação clínica é necessária para perícia?
- Como registrar no laudo médico a relação entre uso de múltiplas substâncias e incapacidade temporária sem implicar culpa do paciente?
- Em caso de acidente de trabalho envolvendo intoxicação, como deve ser demonstrado o nexo causal entre substâncias usadas e o evento?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
- Qual documentação clínica e códigos devem acompanhar pedido de internação por intoxicação aguda polidrogas?
- O plano exige resultados toxicológicos para autorizar procedimentos de emergência ou internação?
- Que justificativas clínicas sustentam cobertura de internação breve por intoxicação múltipla?
Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.
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