F19.5 — Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de múltiplas drogas e ao uso de outras substâncias psicoativas – transtorno psicótico

  • psicose por poliuso
  • psicose induzida por substâncias diversas

O CID F19.5 designa uma síndrome psicótica (alucinações, delírios, discurso desorganizado) atribuível ao uso atual ou recente de múltiplas drogas e outras substâncias psicoativas. Aparece quando os sintomas psicóticos são melhor explicados pelo efeito direto dessas substâncias e não por um quadro primário como esquizofrenia. Não inclui intoxicação aguda sem sintomas psicóticos predominantes, nem sintomas exclusivamente de abstinência sem psicose clara.


Em palavras simples

Este código, CID F19.5, significa que os profissionais identificaram uma psicose que parece ser causada pelo uso de duas ou mais drogas ou outras substâncias psicoativas. Em linguagem simples, isso quer dizer que os pensamentos e a percepção da pessoa ficaram muito alterados — por exemplo, ela pode ouvir vozes, ver coisas que não existem ou ter ideias fixas e assustadoras — e essas alterações ocorreram depois do consumo de diferentes substâncias.

Você pode estar sentindo confusão, medo, insônia, agitação ou cansaço extremo; também é comum ter alterações no apetite, no sono e sensações intestinais como “barriga incomodada”. A pessoa pode ficar agressiva ou falar de forma desconexa. Nem toda pessoa que usa drogas tem psicose; costuma ocorrer quando há combinação de substâncias, uso intenso ou sensibilidade individual.

Se preocupa se é grave: pode ser angustiante e perigoso enquanto dura, mas muitas vezes melhora quando o uso das substâncias é interrompido e há acompanhamento médico. A duração varia: em alguns casos os sintomas cessam em dias ou semanas após a interrupção; em outros, a psicose pode persistir e exigir reavaliação. O risco de “pegar” outra pessoa não existe, não é uma doença contagiosa.

O caminho habitual após este diagnóstico é fazer exames para identificar substâncias no organismo, receber atendimento para estabilizar sono, alimentação e hidratação, e ser acompanhado por psiquiatria e serviços de atenção ao uso de substâncias. Pode ser necessário ficar internado se houver risco para si ou para outros. Afastamento do trabalho pode ser discutido com seu médico conforme a gravidade.

Em casa, observe se a pessoa está desorientada, muito agitada, fala de coisas que assustam ou perde a noção de si mesma; se isso ocorrer procure atendimento de emergência. Também fique atento a sinais de agravamento como febre, convulsões, sangramentos ou incapacidade de se alimentar. Anote que substâncias foram usadas e quando, pois essa informação ajuda muito nas decisões clínicas.

Procure apoio em serviços de saúde mental e de redução de danos para planejamento de tratamento do uso de substâncias. Evite decisões automáticas sobre retorno ao trabalho ou suspensão de cuidados sem avaliação médica; a recuperação pode exigir acompanhamento por semanas ou meses.

Quando usar este código

Use este código quando uma psicose (alucinações, delírios, pensamento desorganizado) ocorre em associação temporal com o uso de duas ou mais drogas diferentes ou outras substâncias psicoativas, e a avaliação conclui que as substâncias são a causa provável. Não usar quando a psicose é explicada por um transtorno psicótico primário, condições médicas gerais ou uso exclusivo de uma substância que tenha código específico.

Não confunda com

F19.0 vs F19.5: F19.0 (intoxicação aguda) é usado quando predominam sinais e sintomas de intoxicação sem quadro psicótico estabelecido; F19.5 requer psicose com alucinações ou delírios atribuíveis ao poliuso.

F19.2 vs F19.5: F19.2 marca transtornos mentais e comportamentais prolongados por uso de múltiplas drogas (dependência/uso nocivo sem psicose persistente); F19.5 exige manifestação psicótica presente.

F20 (esquizofrenia) vs F19.5: F20 baseia-se em critérios de transtorno psicótico primário com curso independente do uso de substâncias; se a psicose remite claramente após interrupção das substâncias e não há história prévia, F19.5 é mais apropriado.

O que é

Trata-se de uma psicose causada direta ou predominantemente pelo consumo de duas ou mais drogas e/ou outras substâncias psicoativas. Clinicamente manifesta-se por alterações do pensamento (delírios), percepção (alucinações), linguagem e comportamento, com perda de contato com a realidade.

Costuma ocorrer em pessoas com uso simultâneo ou sequencial de diversas drogas — por exemplo, combinação de estimulantes, depressoras ou alucinógenas — em que os efeitos sinérgicos ou tóxicos desencadeiam a psicose. Pode afetar qualquer faixa etária, sendo mais frequente em usuários de longa data, com episódios intermitentes relacionados ao padrão de consumo.

Sintomas

Principais: alucinações visuais ou auditivas, delírios persecutórios ou grandiosos, discurso desorganizado, comportamento bizarro ou agitação psicomotora. Sintomas iniciais: inquietação, insônia, ansiedade e ideias incomuns que precedem alucinações.

Sinais de agravamento: desorientação intensa, agressividade, incapacidade de cuidar de si, confusão grave, risco de autolesão ou comportamento perigoso. Sintomas persistentes após abstinência indicam avaliação para transtorno psicótico primário.

Causas

Mecanismos: efeitos neuroquímicos diretos das substâncias sobre sistemas dopaminérgicos, serotoninérgicos e glutamatérgicos, interações farmacológicas entre múltiplas drogas e toxicidade orgânica. No Brasil, o cenário mais comum é o uso combinado de estimulantes (cocaína), canabinoides sintéticos, álcool e medicamentos sedativos adquiridos sem controle, além de adulterantes e contaminantes que aumentam o risco de psicose.

Fatores de vulnerabilidade incluem predisposição psiquiátrica prévia, uso crônico, doses altas, episódios de privação de sono e doenças clínicas concomitantes que alteram metabolização das substâncias.

Como é diagnosticado

O diagnóstico é clínico e requer história detalhada de uso de substâncias, temporalidade entre consumo e início dos sintomas e exclusão de causas médicas ou neurológicas. Confirma este código a presença de sintomas psicóticos claramente atribuíveis ao uso de múltiplas substâncias, com documentação de tipo e tempo de uso, e a ausência de evidência de transtorno psicótico primário antes do poliuso.

A persistência da psicose além do período esperado após interrupção substancial do uso sugere reavaliação diagnóstica e possível mudança de código.

Como costuma ser tratado

O manejo costuma ser hospitalar ou ambulatório intensivo conforme gravidade, focado na estabilização clínica, suporte geral, e interrupção do uso de substâncias. O tratamento envolve monitoramento físico, controle de agitação e complicações médicas; intervenções psicossociais e planejamento para desintoxicação e redução de risco fazem parte do seguimento. A duração do acompanhamento depende da resolução dos sintomas psicóticos e da reinserção em serviços para tratamento do uso de substâncias.

Classes de medicamentos

Classes farmacológicas empregadas para controle agudo e estabilização incluem antipsicóticos e medicamentos para manejo sintomático de agitação e insônia, além de agentes para tratar condições médicas associadas. A escolha e ajuste farmacológico são individuais e devem considerar interações com substâncias em uso e comorbidades clínicas.

Quando procurar ajuda

Procurar atendimento imediato em caso de alucinações intensas, delírios que levem a risco para si ou outros, confusão marcante, comportamento violento ou incapacidade de se alimentar/hidratar. Buscar avaliação médica também se a psicose persistir após cessar o uso de substâncias ou se houver sinais de complicação médica (febre, convulsão, queda no nível de consciência).

Uso em atestado

Em atestados e laudos, registrar o CID F19.5 quando a psicose for atribuída claramente ao uso de múltiplas substâncias, descrevendo início, duração e relação temporal com o consumo. Informar limitações funcionais observadas e o período estimado de incapacidade baseado na avaliação clínica atual, sem prometer desfecho definitivo.

Perguntas frequentes sobre F19.5

O que significa receber o CID F19.5 no meu prontuário?

Indica que a equipe avaliou uma psicose atribuída ao uso de múltiplas substâncias. É um diagnóstico relacionado ao consumo e descreve os sintomas psicóticos observados e sua provável causa.

Isso significa que vou ficar com o problema para sempre?

Nem sempre. Em muitos casos os sintomas melhoram com interrupção das substâncias e tratamento adequado, mas alguns pacientes podem necessitar de acompanhamento prolongado caso a psicose persista.

Preciso fazer exame toxicológico para confirmar o CID?

Exames toxicológicos ajudam a documentar o consumo recente e dão suporte diagnóstico, mas o diagnóstico deste código é clínico, baseado na relação temporal entre uso e sintomas.

Posso receber atestado médico por este CID para afastamento do trabalho?

A possibilidade de afastamento depende da avaliação médica, da gravidade funcional e da perícia; o CID no atestado descreve a condição, mas direitos e prazos são definidos por regulamentos e perícia.

Como diferenciar este quadro de esquizofrenia (F20)?

A distinção baseia-se no histórico: se a psicose começou claramente em relação ao uso de substâncias e remite com abstinência, o diagnóstico é F19.5; se há curso independente do uso, considera-se F20.

Devo me preocupar com contágio para família?

Não. Trata-se de um efeito individual do uso de substâncias, não é uma condição contagiosa.

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu médico (5)
  • Qual a cronologia exata do uso de cada substância antes do início dos sintomas?
  • Que substâncias específicas e suas quantidades foram consumidas, incluindo adulterantes conhecidos?
  • Os sintomas psicóticos persistem após 1–2 semanas de abstinência documentada, sugerindo transtorno primário?
  • Há sinais neurológicos, febre ou alteração do nível de consciência que exijam investigação por imagem ou EEG?
  • Quais interações medicamentosas e risco toxicológico devem guiar a escolha de antipsicótico neste paciente?
O que perguntar ao seu advogado (4)
  • O período de incapacidade atestada por F19.5 pode justificar afastamento previdenciário em perícia trabalhista?
  • Como a documentação do histórico de uso e do laudo médico influencia decisões de benefício por incapacidade?
  • Quais evidências médicas são necessárias para contestar uma perícia que atribui incapacidade a transtorno primário em vez de induzido por substâncias?
  • Há requisitos legais para notificação em saúde ocupacional quando o consumo de substâncias afeta o trabalho?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
  • Que exames toxicológicos e psiquiátricos o plano costuma solicitar para autorizar internação por transtorno psicótico relacionado a substâncias?
  • O plano exige CID específico para cobertura de desintoxicação ou internação por comorbidade psiquiátrica associada ao uso de múltiplas drogas?
  • Quais documentos e relatórios clínicos são normalmente requeridos para autorização de tratamento intensivo ou hospitalar para este quadro?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

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