F19.4 — Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de múltiplas drogas e ao uso de outras substâncias psicoativas – síndrome de abstinência com delirium

  • delirium por abstinência
  • síndrome de abstinência polidrugal com delirium

O CID F19.4 designa a síndrome de abstinência com delirium que surge após redução ou suspensão de múltiplas drogas ou de outras substâncias psicoativas. Manifesta-se por confusão aguda, alteração do nível de consciência, desorientação e frequentemente agitação psicomotora, podendo haver alucinações e alteração autonômica. Aparece tipicamente em pacientes com uso dependente e suspensão súbita ou redução rápida de várias substâncias, ou em contextos de intoxicação mista seguida de retirada. Não inclui delirium causado exclusivamente por uma única substância identificável (outros códigos F10F19 podem ser aplicáveis) nem delirium por causas médicas gerais sem relação temporal com uso de substâncias. O código exige vínculo temporal claro entre a interrupção do uso de drogas/medicamentos e o quadro delirante.


Em palavras simples

Este código indica que você apresentou um quadro de ‘delirium’ — uma confusão aguda — que ocorreu depois de reduzir ou parar o uso de várias drogas ou substâncias psicoativas. Em palavras mais simples: o cérebro reagiu à falta de substâncias às quais estava acostumado, e isso provocou desorientação, dificuldade de concentração e percepções que não correspondem à realidade.

Você provavelmente sente ou sentiu confusão, dificuldade para prestar atenção, não reconhece bem o tempo ou o lugar, pode ter visto ou ouvido coisas que não existiam (alucinações) e oscilações entre ficar muito agitado e muito sonolento. Sintomas que antecedem o delirium podem ter incluído ansiedade intensa, tremores, sudorese e insônia. É comum também haver sinais físicos como sudorese, palpitações ou cansaço extremo.

O quadro pode ser sério porque altera o nível de consciência e aumenta o risco de lesões e de outras complicações médicas. Não é uma doença contagiosa. A duração varia: alguns episódios melhoram em dias sob cuidados adequados, outros exigem dias a semanas de tratamento e observação, dependendo das substâncias envolvidas e de condições médicas associadas.

O mais provável é que você seja avaliado com exames para investigar outras causas de confusão (como alterações de açúcar, eletrólitos, infecções) e que seja necessário acompanhamento médico contínuo; muitas vezes a internação é recomendada enquanto o quadro está ativo. O retorno pode incluir reavaliações médicas, suporte para lidar com dependência e orientações para prevenção de recaídas.

Em casa, observe aumento da confusão, dificuldade para acordar, respiração irregular, febre alta, agitação fora do comum ou sintomas que se agravem — nesses casos, procure atendimento urgente. Informe familiares ou cuidadores sobre como garantir segurança: evitar quedas, manter hidratação e ter supervisão até que a equipe de saúde avalie e oriente os próximos passos.

Se você usa várias substâncias, é importante que os profissionais saibam quais e em que frequência para orientar o seguimento. Este código registra que o delirium está ligado à retirada polidrugal; conversas sobre tratamento de dependência e medidas de suporte costumam fazer parte do acompanhamento após a fase aguda.

Quando usar este código

Usa-se este código quando um paciente com uso intenso ou dependência de múltiplas drogas ou outras substâncias psicoativas desenvolve um quadro delirante (confusão aguda, flutuação do nível de consciência, alteração da atenção e percepções falsas) em sequência temporal à redução ou cessação do consumo. A decisão baseia-se na história de uso polidrogas e na exclusão de causas médicas alternativas que expliquem o delirium.

Não confunda com

F19.0 — Transtorno agudo por uso de múltiplas substâncias: aplica-se quando há intoxicação aguda sem quadro de abstinência delirante; o critério que separa é a evidência temporal de retirada que precipita o delirium em F19.4.

F19.3 — Síndrome de abstinência sem delirium: distingue-se por ausência de características do delirium (flutuação da atenção, desorientação e prejuízo do nível de consciência). Se houver confusão aguda e delírio, usar F19.4.

F10.4 (álcool, síndrome de abstinência com delirium): quando o delirium é claramente atribuído apenas ao álcool, usar F10.4; F19.4 é usado quando a síndrome resulta da retirada de múltiplas substâncias ou de substâncias não classificadas separadamente.

O que é

A síndrome de abstinência com delirium é um estado neuropsiquiátrico agudo caracterizado por confusão, flutuação da atenção, desorientação no tempo e no espaço, alterações da percepção (alucinações) e alteração do ciclo sono-vigília, ocorrendo após a interrupção ou redução do uso de múltiplas drogas ou de outras substâncias psicoativas. O delirium costuma surgir horas a dias após a última dose, dependendo das substâncias envolvidas.

Pacientes com histórico de uso pesado e prolongado de diversas substâncias (álcool, benzodiazepínicos, opioides, estimulantes, medicamentos sedativos e outras drogas) e com períodos intermitentes de abstinência estão em maior risco. O quadro manifesta-se por comprometimento da atenção e consciência, frequentemente associado a sinais autonômicos (taquicardia, sudorese) e alterações psicóticas transitórias.

Sintomas

Principais: desorientação temporoespacial, atenção prejudicada, flutuação do nível de consciência, agitação ou letargia, alucinações visuais ou táteis, linguagem incoerente. Sinais que aparecem cedo: insônia intensa, ansiedade, tremores e irritabilidade. Sinais de agravamento: progressão para confusão profunda, flutuação marcada da vigília, descontrole motor severo, sinais autonômicos pronunciados (hipertermia relativa, sudorese intensa, taquicardia) e risco de complicações médicas associadas.

Causas

Mecanismo: a retirada abrupta ou a redução rápida de substâncias psicoativas provoca alterações neuroadaptativas em sistemas GABAérgicos, glutamatérgicos, colinérgicos e monoaminérgicos, levando a desregulação da excitação cortical e do equilíbrio neuroquímico, o que pode culminar em delirium. Na prática brasileira, o antecedente mais frequente é o uso combinado de álcool com benzodiazepínicos e/ou outras drogas de rua que afetam diversos neurotransmissores.

Como é diagnosticado

O diagnóstico apoia-se na história recente de uso e suspensão de múltiplas substâncias, no início temporal compatível entre a retirada e os sintomas, e na presença clínica de delirium (déficit de atenção, flutuação do nível de consciência, alterações perceptivas). Excluem-se causas médicas sistêmicas, neurológicas ou metabólicas que possam causar delirium através de avaliação clínica, anamnese cuidadosa e exames complementares conforme necessário. Este código é atribuído quando o delirium é atribuível à abstinência múltipla de substâncias.

Como costuma ser tratado

O manejo deste quadro é especializado e costuma ser hospitalar quando há delirium: inclui estabilização clínica, monitorização, correção de fatores precipitantes e suporte sintomático. Em geral, a intervenção envolve abordagens para controlar agitação, reduzir risco de complicações e tratar comorbidades médicas. A presença de múltiplas substâncias pode influenciar a escolha do ambiente e da estratégia de cuidado.

Classes de medicamentos

Classes farmacológicas utilizadas no contexto incluem agentes sedativos e ansiolíticos administrados sob supervisão médica, medicamentos antipsicóticos para controle de alucinações e agitação quando indicados, e terapias de suporte para sinais autonômicos. A seleção depende das substâncias envolvidas, do estado clínico e das contraindicações médicas.

Quando procurar ajuda

Procure atendimento imediato se houver confusão nova, desorientação, alteração do nível de consciência, agitação intensa, febre, tremores intensos ou sinais de instabilidade autonômica (sudorese profusa, taquicardia). O delirium é uma emergência; sinais de piora requerem avaliação médica urgente e hospitalização.

Uso em atestado

Atestados e documentos médicos devem registrar claro vínculo temporal entre suspensão/redução do uso de substâncias e início do delirium, descrição dos sinais observados, necessidade de atendimento/hospitalização e prognóstico provisório. Informações sobre tratamento e duração estimada da incapacidade devem ser registradas com base na avaliação clínica e no seguimento.

Perguntas frequentes sobre F19.4

O que significa receber o código CID F19.4?

Significa que houve um delirium (confusão aguda) que a equipe atribuiu à suspensão ou redução de várias drogas ou substâncias psicoativas. Indica vínculo temporal entre a retirada e os sintomas.

Isso é contagioso para familiares ou colegas?

Não. Trata-se de uma alteração do estado mental ligada às substâncias e não é transmissível a outras pessoas.

Preciso de exames para confirmar o código?

O diagnóstico é clínico, sustentado pela história de uso e exclusão de causas médicas alternativas; exames laboratoriais e toxicológicos ajudam a documentar e a descartar outras causas.

Posso receber atestado ou afastamento por este quadro?

Possivelmente, dependendo da gravidade e da necessidade de internação ou de supervisão médica; a documentação clínica deve descrever a incapacidade temporária.

Qual a diferença entre este código e o delirium por álcool isolado?

Se o delirium é claramente causado apenas pelo álcool, usa-se o código do álcool (F10.4); F19.4 é aplicado quando a retirada envolve múltiplas substâncias ou substâncias não classificadas separadamente.

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu médico (5)
  • Qual é a janela temporal entre a última dose conhecida de cada substância e o início do delirium?
  • Quais substâncias específicas foram usadas e em que combinações, e existe teste toxicológico que confirme exposição múltipla?
  • Quais causas médicas alternativas de delirium foram avaliadas e excluídas por exames?
  • Qual a gravidade da disfunção cognitiva e o padrão de flutuação do nível de consciência observado?
  • Existem sinais autonômicos ou instabilidade vital que determinem necessidade de internação imediata?
O que perguntar ao seu advogado (3)
  • Que documentação clínica é necessária para fundamentar afastamento ou auxílio por incapacidade temporária?
  • Como a perícia deve analisar a relação causal entre uso de múltiplas substâncias e o delirium para fins previdenciários?
  • Quais direitos de proteção ao paciente com capacidade reduzida devem ser acionados durante internação?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
  • O plano aceita cobertura para internação por síndrome de abstinência com delirium atribuída a poliuso de substâncias?
  • Quais critérios e justificativas clínicas são exigidos para autorização de internação psiquiátrica ou supervisão em ambiente hospitalar?
  • O plano exige documentação toxicológica ou laudos complementares para autorizar procedimentos relacionados ao delirium?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

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