F19.7 — Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de múltiplas drogas e ao uso de outras substâncias psicoativas – transtorno psicótico residual ou de instalação tardia

  • psicose residual por múltiplas drogas
  • psicose tardia por poliuso
  • psicose persistente por substâncias

O CID F19.7 designa um transtorno psicótico persistente ou de instalação tardia associado ao uso de múltiplas drogas ou outras substâncias psicoativas. Refere-se a sintomas psicóticos que continuam, reaparecem ou surgem tardiamente após uso repetido ou combinado de substâncias, quando não se enquadram nos quadros agudos de intoxicação ou abstinência. Não inclui psicoses causadas exclusivamente por uma substância identificável (ver códigos específicos) nem transtornos psicóticos primários como esquizofrenia. Inclui situações em que a relação temporal com o uso é evidente, mas os sintomas persistem além do esperado para intoxicação ou abstinência.


Em palavras simples

Este código indica que os problemas que você está apresentando têm relação com o uso de várias substâncias e que houve um quadro psicótico que persiste ou apareceu tardiamente em relação ao consumo. Em palavras simples: não é apenas uma crise enquanto a pessoa está sob efeito de uma droga, mas sim sintomas como ver ou ouvir coisas que outras pessoas não veem, ter ideias fixas e falsas sobre situações ou pessoas, ou pensamento muito confuso que continuam por mais tempo.

Você provavelmente tem sentido alterações na percepção (como ouvir vozes), desconfiança exagerada, pensamentos confusos, talvez dificuldade para dormir, irritabilidade e alterações no comportamento que prejudicam trabalho ou relações. Pode haver também cansaço, perda de apetite ou descuido com atividades cotidianas. Esses sintomas costumam vir após repetidos episódios de uso de diferentes drogas ou quando várias substâncias são usadas ao mesmo tempo.

Não significa necessariamente uma doença hereditária como esquizofrenia; em muitos casos os sintomas estão relacionados ao efeito cumulativo e às interações entre substâncias. A gravidade varia: para algumas pessoas os sintomas são moderados e tratáveis em ambulatório; para outras, especialmente se há risco de perigo para si ou para outros, pode ser necessária avaliação e tratamento mais intensivos. O transtorno não é contagioso.

O que costuma acontecer a seguir é uma avaliação completa por um médico, geralmente psiquiatra, que vai revisar seu histórico de uso de drogas, sintomas e exames. Podem pedir exames para descartar causas orgânicas e, dependendo do caso, planejar tratamento para controlar os sintomas e para reduzir ou interromper o uso de substâncias. Pode haver necessidade de afastamento do trabalho temporariamente, documentado em atestado, quando o funcionamento estiver prejudicado.

Em casa, observe se há piora na percepção da realidade (aumento de vozes ou ideias perigosas), comportamento muito desorganizado, recusa alimentar ou sinais de automutilação; nesses casos procure atendimento de emergência. Se notar apenas sintomas leves ou instabilidade do sono e do humor, agende retorno para acompanhamento e revisão do plano terapêutico. Manter um ambiente seguro, reduzir exposição a substâncias e ter apoio familiar ajuda no tratamento.

Quando usar este código

Usa-se este código quando há quadro psicótico (delírios, alucinações, alterações do pensamento) que persiste ou surge tardiamente em paciente com histórico de uso de múltiplas drogas ou outras substâncias psicoativas, e quando não se enquadra como intoxicação aguda (F19.0) nem como transtorno residual de uma substância única claramente identificada. Deve-se escolher F19.7 quando a complexidade do uso (poliuso) impede atribuição a uma substância isolada e quando os sintomas têm duração ou padrão incompatível com os códigos de fase aguda ou de abstinência.

Não confunda com

F19.0 vs F19.7: F19.0 refere-se a intoxicação aguda por múltiplas substâncias, com sintomas temporários diretamente ligados ao efeito imediato; F19.7 aplica-se quando os sintomas psicóticos persistem além do período esperado de intoxicação ou surgem tardiamente.

F19.5 vs F19.7: F19.5 é para transtornos mentais e comportamentais residuais e tardios relacionados a uma substância específica quando identificável; F19.7 é usado quando há uso de múltiplas drogas/substâncias e não é possível atribuir a uma única substância.

F20 (Esquizofrenia) vs F19.7: A esquizofrenia tem critérios diagnósticos próprios sem relação causal recente com uso de substâncias; F19.7 exige história de uso múltiplo ou outras substâncias e relação temporal plausível com o quadro psicótico.

O que é

Trata-se de um transtorno psicótico associado ao uso de múltiplas drogas ou outras substâncias psicoativas, caracterizado por delírios, alucinações ou pensamento desorganizado que persistem ou aparecem tardiamente em relação ao consumo. Ao contrário das reações de intoxicação aguda, aqui os sintomas têm duração maior ou padrão atípico, e a responsabilidade por várias substâncias torna difícil atribuir o quadro a uma substância única.

Manifesta-se em pacientes com histórico de uso crônico, episódico ou poliuso de álcool, canabinoides, cocaína, benzodiazepínicos, opiáceos ou outras substâncias, frequentemente em contexto de problemas sociais, comorbidades psiquiátricas e uso simultâneo de múltiplas drogas. Afeta adultos de várias idades, mais frequente entre quem tem início precoce de uso e padrões de consumo desorganizados.

Sintomas

Principais: alucinações auditivas ou visuais, delírios persecutórios ou de influência, discurso desorganizado e alterações comportamentais observáveis. Sintomas que aparecem cedo: inquietação psicomotora, confusão, mudanças de humor e percepção alterada, que podem preceder delírios plenamente formados. Sinais de agravamento: delírios sistematizados, deterioração marcante do funcionamento social e ocupacional, risco aumentado de automutilação ou agressão e resistência ao tratamento.

Causas

Mecanismos incluem neurotoxicidade direta de substâncias, alterações dopaminérgicas e glutamatérgicas induzidas por consumo repetido, sensibilização neuronal (kindling) e interação farmacológica entre drogas diferentes. No Brasil, a combinação de álcool com estimulantes (cocaína/anfetaminas) e o uso crônico de canabinoides convivendo com benzodiazepínicos e opiáceos são causas comuns na prática clínica, sobretudo quando o padrão é de uso polissubstância e sem acompanhamento.

Como é diagnosticado

O diagnóstico baseia-se na anamnese que documente uso de múltiplas drogas/substâncias, na presença de sintomas psicóticos persistentes ou tardios e na exclusão de intoxicação aguda, abstinência aguda, transtorno psicótico induzido por substância única e transtorno psicótico primário. Dados que sustentam F19.7 incluem relato confiável de uso poliuso, temporalidade que liga consumo e início dos sintomas, persistência dos sintomas além do período típico de intoxicação/abstinência e registro clínico de falha em atribuir o quadro a uma substância específica.

Como costuma ser tratado

O manejo costuma ser multidisciplinar, com acompanhamento psiquiátrico e atenção às comorbidades médicas e sociais; o tratamento pode ser ambulatorial ou hospitalar conforme risco e gravidade. Intervenções combinam controle dos sintomas psicóticos, monitorização de abstinência e redução de danos, além de abordagem psicossocial para dependência e reinserção social. A duração do acompanhamento é variável e centrada na resposta clínica e na estabilidade do padrão de uso.

Classes de medicamentos

Classes farmacológicas utilizadas incluem antipsicóticos para controle de sintomas psicóticos, sedativos de curta duração em situações de agitação grave e medicamentos para manejo de síndrome de abstinência quando presente. A escolha da classe depende do quadro clínico, com atenção às interações entre drogas e comorbidades médicas.

Quando procurar ajuda

Procurar avaliação imediata se houver alucinações persistentes, delírios que levem a comportamento perigoso, perda de contato com a realidade, risco de suicídio ou agressividade. Em casos de piora progressiva do funcionamento diário, recusa alimentar, desidratação ou sinais de abstinência grave, buscar atendimento de urgência. Para ajustes de tratamento e planejamento de desintoxicação/seguimento, marcar avaliação psiquiátrica com profissional qualificado.

Uso em atestado

Atestados e certificados devem descrever o quadro clínico observado, limitações funcionais e necessidade de afastamento temporário quando indicado, sem formular prognóstico legal. Para perícia, é relevante documentar história de uso de substâncias, duração dos sintomas e registros de tratamento e exames.

Perguntas frequentes sobre F19.7

Este código significa que tenho esquizofrenia?

Não necessariamente; F19.7 indica psicose associada ao uso de múltiplas substâncias, com relação temporal ao consumo. A diferenciação para esquizofrenia depende da história clínica e da persistência dos sintomas sem relação com substâncias.

Preciso me afastar do trabalho quando recebo F19.7?

O afastamento depende do impacto funcional e do risco observado; o médico pode emitir atestado com base na incapacidade temporária documentada, e a necessidade deve ser avaliada caso a caso.

Posso transmitir isso para minha família?

Não é uma condição transmissível; trata-se de um transtorno mental ligado ao uso de substâncias, não uma infecção.

Quais exames confirmam o diagnóstico?

Não há um exame único; toxicológico pode identificar substâncias recentes, e exames de imagem/exames laboratoriais ajudam a excluir causas orgânicas, mas o diagnóstico é clínico, baseado na história e apresentação.

Qual a diferença entre F19.7 e intoxicação aguda por drogas?

Intoxicação aguda (F19.0) ocorre durante ou imediatamente após o consumo e tende a regredir em curto prazo; F19.7 refere-se a sintomas psicóticos persistentes ou que surgem tardiamente em contexto de uso múltiplo.

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu médico (5)
  • Quando os sintomas psicóticos persistentes após poliuso justificam mudança de código para F20 (esquizofrenia)?
  • Qual a janela temporal mínima entre última intoxicação e início dos sintomas para considerar F19.7 em vez de intoxicação aguda?
  • Que evidências laboratoriais ou testemunhais são suficientes para atribuir o quadro ao poliuso e não a uma substância específica?
  • Quais sinais clínicos ou evolutivos indicam que o quadro residual pode evoluir para transtorno psicótico primário?
  • Quando documentar agravamento suficiente para indicar internação em vez de manejo ambulatorial?
O que perguntar ao seu advogado (3)
  • Que documentação médica é necessária para fundamentar pedido de afastamento por transtorno psicótico relacionado a uso múltiplo de substâncias?
  • Como a perícia distingue incapacidade por F19.7 de transtorno psicótico primário para fins de benefícios previdenciários?
  • Que provas são relevantes para contestar negativa de benefício quando o laudo cita apenas uso de substâncias sem detalhar persistência de sintomas?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
  • Que exames e procedimentos relacionados ao manejo de psicose por poliuso costumam exigir autorização prévia?
  • Como a operadora costuma avaliar cobertura para internação psiquiátrica em contexto de transtorno por múltiplas substâncias?
  • Que documentação clínica a operadora geralmente solicita para liberar psicoterapia ou reabilitação em usuário com F19.7?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

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