F19.6 — Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de múltiplas drogas e ao uso de outras substâncias psicoativas – síndrome amnésica
- amnésia induzida por drogas
- síndrome amnésica por poliuso
- amnésia tóxica por múltiplas substâncias
O CID F19.6 designa a síndrome amnésica que surge em consequência do uso de múltiplas drogas ou de outras substâncias psicoativas, caracterizada por perdas significativas de memória recente e dificuldades na aprendizagem de novas informações. Aparece tipicamente em contexto de intoxicação aguda, abstinência ou uso crônico de várias substâncias, incluindo álcool, benzodiazepínicos, opioides e outras drogas combinadas. Não inclui amnésias causadas exclusivamente por uma única substância em que existe código específico (por exemplo, F10.6 para álcool) nem amnésias decorrentes de lesão cerebral traumática, demência primária ou alteração metabólica isolada. O diagnóstico envolve correlação temporal com uso de substâncias, exclusão de outras causas neurológicas e presença de defict de memória clinicamente relevante. Este código é usado quando a etiologia amnésica é atribuível a múltiplas drogas ou a outras substâncias psicoativas e quando a apresentação preponderante é a perda de memória.
Em palavras simples
Receber o código CID F19.6 significa que o problema principal identificado é uma dificuldade significativa de memória que parece estar ligada ao uso de várias drogas ou substâncias psicoativas juntas ou em sequência. Em linguagem simples: a perda de lembranças recentes e a dificuldade de aprender coisas novas foram atribuídas ao efeito combinado dessas substâncias sobre o cérebro.
Você provavelmente está percebendo esquecimentos frequentes — esquecer conversas, compromissos, onde deixou objetos, ou ter lacunas sobre eventos recentes. Pode haver também confusão passageira, dificuldade de concentração, cansaço e, em alguns casos, lapsos em atividades rotineiras. Náuseas, alterações do sono e irritabilidade costumam vir junto quando houve intoxicação ou abstinência.
Se é grave e se “pega” depende do contexto: muitas vezes a amnésia aparece depois de episódios de intoxicação ou em uso pesado prolongado e pode melhorar com a interrupção do consumo e com cuidados. Em alguns casos, quando há prejuízo nutricional ou lesões cerebrais, o comprometimento pode persistir por mais tempo; a duração varia de dias a meses, raramente se torna permanente sem outros fatores associados.
Normalmente os próximos passos são: avaliação médica para documentar o problema, exames para investigar causas que agravem a memória (como exames de sangue, exames de imagem e testes de memória) e ações para estabilizar sua saúde geral. Pode haver necessidade de acompanhamento com neurologia, psicologia ou serviços de reabilitação cognitiva. A equipe pode sugerir suporte social e orientações sobre redução ou cessação do uso das substâncias envolvidas.
Em casa, observe se há piora da confusão, dificuldade para manter-se acordado, febre, convulsões ou perda de orientação no tempo e espaço — nesses casos procure emergência. Se a memória permanece comprometida após a fase aguda, marque retorno para reavaliação. Anote exemplos concretos de esquecimentos (datas, eventos, dificuldades) para levar ao médico; isso ajuda a documentar a gravidade e planejar o acompanhamento.
Quando usar este código
Usa-se F19.6 quando a apresentação principal do paciente é uma síndrome amnésica (comprometimento marcante da memória recente e manutenção relativa de competências prévias) claramente relacionada ao uso simultâneo ou sequencial de várias drogas ou de substâncias psicoativas não classificadas individualmente. Deve haver evidência clínica ou laboratorial de exposição a múltiplas substâncias e exclusão razoável de outras causas primárias de amnésia, como trauma craniano, demência progressiva ou distúrbios metabólicos isolados.
Não confunda com
F10.6 (Transtornos por álcool – síndrome amnésica persistente): diferencia-se por etiologia; F10.6 é atribuído quando a amnésia é consequência persistente exclusiva do álcool, enquanto F19.6 é usado quando múltiplas substâncias contribuem de forma demonstrável.
F04 (Síndrome amnéstica orgânica, não induzida por substância): F04 indica amnésia atribuível a condição fisiológica identificável (por exemplo, lesão isquêmica, anóxia) sem relação temporal com uso de drogas; F19.6 exige relação temporal clara com poliuso ou outras substâncias psicoativas.
F19.5 (Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de múltiplas drogas — transtorno psicótico): separa-se por quadro clínico predominante; se predomina psicose com delírios e alucinações, usar F19.5; se predomina amnésia marcada sem psicose, usar F19.6.
O que é
A síndrome amnésica associada ao uso de múltiplas drogas é um quadro em que o prejuízo de memória recente é a manifestação clínica predominante e está ligado ao consumo combinado ou alternado de várias substâncias psicoativas. Manifesta-se por dificuldade acentuada para lembrar eventos recentes, incapacidade de reter novas informações e lapsos de memória episódica, enquanto habilidades mais antigas e a linguagem podem permanecer relativamente preservadas.
Costuma ocorrer em pessoas com uso agudo intenso, episódios de intoxicação ou em usuários crônicos que combinam álcool, sedativos, opiáceos, estimulantes ou outras substâncias. O risco aumenta quando há polimedicação, uso de substâncias sem indicação, variações em padrão de consumo e presença de fatores clínicos predisponentes como desnutrição, episódios de privação de oxigênio ou comorbidades neurológicas.
Sintomas
Principais sinais: perda marcante da memória recente (esquecer conversas, compromissos recentes), incapacidade de aprender informações novas e lacunas de eventos recentes. Aparecem cedo: confusão súbita ou lacunas de memória após episódios de intoxicação, delirium ou consumo pesado. Indicadores de agravamento: progressão para amnésia persistente (retenção prolongada das falhas), confabulação frequente, piora da orientação no tempo/espaço e comprometimento funcional crescente nas atividades diárias.
Causas
Mecanismos implicam neurotoxicidade direta de substâncias no hipocampo e estruturas límbicas, perturbação aguda da neurotransmissão (GABA, glutamato, acetilcolina), déficit vitamínico associado (por exemplo, carência de tiamina em alcoólatras), e insultos indiretos como hipóxia, convulsões ou infecções que ocorrem em contexto de uso. Na prática brasileira, a associação entre álcool e benzodiazepínicos ou sedativos, além do uso concomitante de opioides e estimulantes, é frequente e costuma precipitar crises amnésticas.
Como é diagnosticado
O código F19.6 é sustentado por história clínica que relaciona temporalmente a amnésia ao uso de múltiplas substâncias, exame neurológico demonstrando déficit de memória com preservação relativa de outras funções cognitiva, e exclusão de causas alternativas por meio de exames. A confirmação clínica depende de: relato ou provas de exposição a várias drogas, avaliação neuropsicológica que quantifique o déficit mnemônico e investigação complementar que afaste causas metabólicas, infecciosas ou estruturais.
Como costuma ser tratado
Abordagem é majoritariamente de suporte e de manejo das complicações: estabilização geral, correção de desequilíbrios metabólicos e nutricionais, tratamento da abstinência ou intoxicação aguda, e reabilitação cognitiva quando indicado. O cuidado costuma envolver equipe multidisciplinar (médicos, neurologistas, psicólogos e equipes de atenção social) e pode ser ambulatorial ou hospitalar conforme gravidade e risco.
Classes de medicamentos
Classes usadas no manejo incluem agentes para controle de sintomas de abstinência/síndrome de abstinência prescritos por especialista, vitaminas e suplementos neuroprotetores em contextos de déficit nutricional (por exemplo, terapias para repleção de tiamina), e medicamentos para comorbidades psiquiátricas quando presentes. A escolha precisa depende da substância envolvida e do quadro clínico global.
Quando procurar ajuda
Procurar atendimento imediato se a pessoa apresentar piora súbita da confusão, perda progressiva da orientação, sinais de convulsão, febre alta ou diminuição do nível de consciência, porque esses sinais sugerem complicações agudas potencialmente graves. Marcar avaliação médica se as falhas de memória persistirem após a resolução da intoxicação ou se houver impacto funcional na vida diária.
Uso em atestado
Atestados e relatórios devem descrever o transtorno clínico observado, tempo de início relacionado ao uso de substâncias, limitação funcional e necessidade de cuidados. Para perícias, documente evidências de exposição a múltiplas drogas, resultados de avaliações cognitivas e exames complementares que apoiem a causalidade. A decisão sobre afastamento ou incapacidade é pericial e depende da extensão do comprometimento funcional documentado.
Direitos e benefícios
Direitos legais e previdenciários dependem de avaliação pericial: comunicar que o paciente recebeu CID F19.6 não garante afastamento ou benefício automático. Em contextos trabalhistas e previdenciários, a comprovação de incapacidade temporária ou permanente exige documentação clínica e exame pericial; há proteções legais contra discriminação, mas a elegibilidade para benefícios varia conforme regras do empregador, plano de saúde e sistema previdenciário.
Perguntas frequentes sobre F19.6
O que significa receber o CID F19.6 no meu prontuário?
Significa que a equipe identificou uma síndrome amnésica associada ao uso de múltiplas drogas ou outras substâncias psicoativas, com prejuízo principalmente da memória recente. O código descreve a causa provável e orienta investigações e suporte clínico.
Esse quadro é contagioso ou transmissível?
Não. Trata‑se de um efeito tóxico e funcional no cérebro relacionado a substâncias, não de uma condição infecciosa transmissível.
Preciso de exames para confirmar que é F19.6?
Sim. Testes toxicológicos, avaliação neuropsicológica e exames para excluir causas metabólicas ou estruturais ajudam a confirmar que a amnésia está ligada ao uso de múltiplas substâncias.
O CID F19.6 permite obter atestado médico ou afastamento do trabalho?
O registro do CID por si só não garante afastamento; afastamentos dependem de avaliação médica que documente incapacidade funcional e da análise pericial quando exigida pelo empregador ou previdência.
Como se diferencia F19.6 de uma amnésia por álcool isolado (F10.6)?
A diferença está na etiologia: F10.6 é usado quando apenas o álcool é identificado como causa persistente da amnésia; F19.6 quando múltiplas substâncias contribuem de forma demonstrável.
Leve estas perguntas
O que perguntar ao seu médico (5)
- Houve exposição confirmada a mais de uma substância por histórico ou exame toxicológico?
- Qual é a cronologia dos déficits de memória em relação aos episódios de intoxicação ou abstinência?
- Existem evidências de deficiência nutricional (por exemplo, tiamina) ou hipóxia que expliquem parte do quadro?
- Que resultados na avaliação neuropsicológica sustentam um déficit de memória recente predominante em relação a outras funções cognitivas?
- Há sinais neurológicos focales ou alterações de imagem que descartem outra causa estrutural da amnésia?
O que perguntar ao seu advogado (3)
- Existe base pericial para afastamento laboral por incapacidade temporária decorrente de CID F19.6?
- Que documentação clínica e exames são necessários para fundamentar pedido de benefício previdenciário por transtorno amnésico induzido por substâncias?
- Como a presença de múltiplas substâncias impacta a responsabilidade ocupacional e possível nexo com atividade laboral?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
- Quais documentos e exames o plano exige para autorizar internação ou reabilitação por quadro de amnésia associada a uso de múltiplas substâncias?
- A operadora costuma aceitar relatórios de avaliação neuropsicológica como comprovação de déficit funcional para fins de cobertura?
- Em casos de reabilitação cognitiva, que critérios de elegibilidade e frequência o plano costuma analisar para aprovação?
Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.
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