G20-G26 — Doenças extrapiramidais e transtornos dos movimentos
- extrapiramidal disorders
- movement disorders
- parkinsonian syndromes
- hyperkinetic disorders
- hypokinetic disorders
O que este código significa?
Este bloco (G20-G26) reúne doenças extrapiramidais e transtornos dos movimentos: parkinsonismo e doença de Parkinson (G20), distonias, coreias e outros movimentos involuntários, além de síndromes de movimentos induzidos por medicamentos. Entre os códigos mais procurados estão G20 (Doença de Parkinson) e G21 (parkinsonismo secundário) e G24 (distonias). A página orienta sobre o que caracteriza o grupo e como descer ao código específico conforme causa, evolução e achados clínicos.
Quando se usa um código deste grupo?
Usa-se este agrupamento quando o problema principal é um transtorno do movimento (lentificação, tremor, rigidez, distonia, coreia) sem predominar uma causa inflamatória, tumor ou neuropatia periférica. Para localizar o código certo, documenta-se causa (idiopática, traumática, tóxica, medicamentosa), padrão do movimento, evolução e resultados de exames; esses critérios direcionam aos blocos específicos dentro de G20-G26.
Com que grupos este se confunde?
Confusão com G30-G32: distingue-se por sinais de demência degenerativa proeminente antes ou fora do contexto de parkinsonismo; demência predominante aponta para G30-G32.
Confusão com G10-G13 (atrofias sistêmicas): as atrofias sistêmicas têm curso progressivo com comprometimento multisistêmico e sinais autonômicos marcantes, enquanto G20-G26 agrupa principalmente distúrbios do movimento centrais.
Confusão com G50-G59 (transtornos de nervos periféricos): sintomas sensitivos ou eletrofisiologia de neuropatia apontam para G50-G59, não para G20-G26.
O que é?
Conjunto de síndromes em que o sintoma central é um transtorno do controle motor involuntário ou anormalidade no tônus e na coordenação do movimento. Inclui tanto condições hipocinéticas (p.ex. parkinsonismo) quanto hipercinéticas (p.ex. coreia, distonia), e transtornos secundários a tóxicos, lesões ou doenças sistêmicas. Reúne entidades com origem no sistema nervoso central, geralmente em estruturas extrapiramidais e seus circuitos.
Que queixas costumam cair neste grupo?
Queixas que levam ao uso destes códigos incluem tremor em repouso, bradicinesia, rigidez, instabilidade postural, movimentos coreiformes, contraturas musculares sustentadas (distonia), movimentos involuntários intermitentes ou novos movimentos após uso de fármacos. Em geral o motivo da busca é prejuízo funcional em marcha, fala, escrita ou atividades diárias.
O que costuma estar por trás deste grupo?
Mecanismos incluem degeneração neuroanatômica (p.ex. doença de Parkinson idiopática), lesão ou disfunção de circuitos cortico‑estriado‑talâmicos, efeitos adversos de medicamentos (neurolepticos levando a parkinsonismo ou discinesia tardia), e causas metabólicas ou tóxicas. Blocos exemplares: G20 (Parkinson), G21 (parkinsonismos secundários), G24 (distonias) e G25 (outros transtornos do movimento).
Como se chega a um código deste grupo?
O que define o código é o quadro clínico predominante combinado com achados que estabelecem a causa: resposta a levodopa e evolução típica sugerem doença de Parkinson (G20); início após droga ou toxina favorece parkinsonismo secundário (G21); padrão clínico de distonia ou coreia e história associada orientam para G24 ou G25. Exames complementares confirmam causa ou excluem diagnósticos alternativos.
Como costuma ser tratado?
O cuidado varia: muitos casos são manejados em ambulatório especializado (neurologia/centro de movimentos); episódios agudos ou complicações podem demandar internação. Programas de reabilitação, terapia ocupacional e fisioterapia fazem parte da rotina; manejo medicamentoso e avaliações periódicas são comuns. Encaminhamentos dependem da suspeita de causa e da gravidade funcional.
Que tipos de remédio costumam ser usados?
Classes usadas incluem agentes dopaminérgicos e inibidores da MAO-B para parkinsonismo, antagonistas dopaminérgicos e anticolinérgicos em situações específicas, e relaxantes musculares ou botulínica para distonias; antipsicóticos e outros medicamentos podem ser a causa do transtorno. A escolha depende do tipo de movimento, causa subjacente, perfil de efeitos adversos e resposta prévia.
Quando procurar um médico?
Sinais de alarme: início súbito ou progressão rápida dos movimentos, quedas frequentes, disfagia ou alterações respiratórias, mudança de nível de consciência, febre ou sinais de infecção associados. Também merece avaliação urgente o aparecimento de sintomas após início de novo medicamento.
Como este grupo aparece em atestado?
Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento: o período é definido pelo médico que examinou e pelo caso concreto — duas pessoas com o mesmo código podem receber períodos diferentes.
Quanto ao pagamento e à exigência de perícia, até 15 dias de afastamento o empregador é quem paga o salário (Lei 8.213/91, art. 60, §3); a partir do 16º dia o INSS assume o pagamento e passa a exigir perícia. A regra que considera atestados pelo mesmo motivo dentro de 60 dias para somar os primeiros 15 dias está no Decreto 3.048/99, art. 75.
A regra dos 60 dias depende do CID: é o CID que o perito usa para verificar se a doença é a mesma e, por isso, permite somar atestados para contabilizar os 15 dias pagos pelo empregador — informação pouco conhecida, mas prática e determinante na análise pericial.
Para que um atestado seja aceito ele precisa identificar o paciente, indicar o período de afastamento, trazer a data, a assinatura e o CRM do médico. A inclusão do CID no atestado depende da anuência do paciente — não existe obrigação de informar o diagnóstico ao empregador — mas sem o código a soma dentro do prazo de 60 dias não pode ser verificada pelo perito.
No bloco G20–G26 estão condições que, em grande parte, têm curso crônico ou recorrente (por exemplo, doença de Parkinson e várias distonias), embora algumas síndromes de movimentos possam surgir por causas agudas e reversíveis (p.ex. induzidas por medicamentos). Esses transtornos frequentemente demandam acompanhamento e registro ambulatorial; a incapacidade para o trabalho varia com a gravidade e a natureza do déficit motor. Por serem, muitas vezes, condições crônicas com episódios intermitentes de piora, a regra dos 60 dias é especialmente relevante quando o paciente apresenta atestados repetidos pelo mesmo CID, pois é essa verificação que permite a soma para fins de pagamento inicial pelo empregador.
Que direitos este código envolve?
O enquadramento jurídico refere-se à incapacidade laboral ou necessidade de reabilitação quando comprovada por perícia médica; benefícios previdenciários dependem de avaliação do INSS e listas oficiais de incapacidade. Doenças crônicas ou incapacitantes podem integrar processos administrativos ou judiciais, mas a concessão depende de perícia e dos requisitos legais vigentes.
Perguntas frequentes sobre G20-G26
Quando uso G20 e quando uso G21?
G20 registra doença de Parkinson idiopática com quadro clínico e evolução típicos; G21 é usado quando o parkinsonismo tem causa secundária identificável (medicamentos, traumatismo, toxinas, lesão estrutural).
Um movimento novo após antipsicótico é G21 ou outro código?
Movimentos parkinsonianos iniciados por antipsicóticos enquadram-se em parkinsonismo secundário (G21) ou, se for discinesia tardia, em códigos de distonias/alterações do movimento conforme o padrão clínico; a história temporal e o tipo de movimento determinam o código.
Como distinguir distonia (G24) de outros transtornos do movimento?
Distonia é caracterizada por contrações musculares sustentadas ou espasmódicas que produzem posturas anormais; o diagnóstico e o código dependem do padrão (focal, segmentar, generalizada) e de possíveis causas secundárias que alteram a classificação.
Preciso sempre colocar CID no atestado para estes casos?
O CID é recomendado para codificação e perícia; o paciente pode solicitar omissão do CID no documento em certos casos, mas isso não impede a apresentação de laudos detalhados à perícia quando necessário.
Códigos relacionados
- G00-G09 Doenças inflamatórias do sistema nervoso central
- G10-G13 Atrofias sistêmicas que afetam principalmente o sistema nervoso central
- G30-G32 Outras doenças degenerativas do sistema nervoso
- G35-G37 Doenças desmielinizantes do sistema nervoso central
- G40-G47 Transtornos episódicos e paroxísticos
- G50-G59 Transtornos dos nervos, das raízes e dos plexos nervosos
- G60-G64 Polineuropatias e outros transtornos do sistema nervoso periférico
- G70-G73 Doenças da junção mioneural e dos músculos
- G80-G83 Paralisia cerebral e outras síndromes paralíticas
- G90-G99 Outros transtornos do sistema nervoso
Fontes e como esta página foi feita
- DATASUS — CID-10, bloco G20-G26
- OMS — ICD-10, versão 2019 (G20-G26)
- Lei 8.213/1991, art. 60 — afastamento e auxílio por incapacidade
- Decreto 3.048/1999, art. 75 — soma de atestados em 60 dias
- Anvisa — Bulário Eletrônico
O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.