G80-G83 — Paralisia cerebral e outras síndromes paralíticas

  • paralisias crônicas
  • síndromes paralíticas
  • distúrbio motor do desenvolvimento

Este bloco agrupa condições caracterizadas por déficits motores permanentes ou de longa duração: paralisia cerebral (G80), hemiplegia e paraplegia de origem não especificada (G81-G82), e outras síndromes paralíticas persistentes (G83). Os códigos mais buscados são G80 (paralisia cerebral), G81 (hemiplegia) e G82 (paraplegia/ tetraplegia). Reúne causas congênitas, lesões adquiridas e sequela de doenças do sistema nervoso.


Quando usar este código

Usa-se este grupo quando o problema principal é uma perda ou alteração crônica da força ou controle motor decorrente do sistema nervoso central ou de vias motoras, sem predomínio de processo infeccioso inflamatório. Para escolher o código exato desce-se à subcategoria que descreve tipo (hemiplegia, paraplegia, tetraplegia) e causa conhecida quando disponível.

Não confunda com

G80 (Paralisia cerebral) vs G81 (Hemiplegia): paralisia cerebral indica início precoce e transtorno do desenvolvimento motor; hemiplegia refere-se a perda unilateral de força com relação temporal a evento adquiridos em qualquer idade.

G81 (Hemiplegia) vs G04-G09 (Doenças inflamatórias do SNC): presença de sinais de infecção/ inflamação, febre e alterações no líquor direcionam para G00-G09; ausência desses e curso crônico residual orienta para G81.

G82 (Paraplegia/tetraplegia) vs G60-G64 (Polineuropatias): déficit motor simétrico com neuropatia sensorial e eletrofisiologia compatível favorece polineuropatia (G60-G64); quadro com lesão central ou nível medular sugere G82.

O que este grupo reúne

Reúnem-se condições cujo traço comum é a perda crônica ou persistente da função motora por comprometimento do sistema nervoso central ou das vias motoras superiores e inferiores, manifestando-se como paresia, paralisia ou distúrbio do tônus e do controle motor. Variam por topografia (hemiplegia, paraplegia, tetraplegia), início (congênito vs adquirido) e presença de sinais neurológicos associados.

Queixas que levam a este capítulo

Pessoas chegam a estes códigos por queixas de fraqueza ou perda de movimento unilateral ou bilateral, atraso no desenvolvimento motor (em crianças), marcha anormal, quedas frequentes, espasticidade ou flacidez persistente, dificuldade para segurar objetos, controle postural prejudicado e necessidade de auxílio para atividades diárias.

Mecanismos em comum

As causas reúnem lesões do cérebro ou medula que afetam as vias motoras: lesão perinatal / congênita (paralisia cerebral, G80), acidente vascular encefálico e trauma (podem gerar G81-G83), lesões medulares, e sequelas de compressão ou doença degenerativa. Infecciosas e inflamatórias geralmente classificam-se em G00-G09 quando ativas; neuropatias periféricas entram em blocos diferentes.

Como se define o código

A definição do código depende do padrão clínico (topografia da paralisia), da cronicidade e da causa quando conhecida. Exames que comprovam lesão cerebral/medular ou padrões eletrofisiológicos definem subcategorias; separar paralisia central (espástica, com reflexos exaltados) de periférica (flácida, com arreflexia) é decisivo na prática.

Como o cuidado se organiza

O cuidado é multidisciplinar e varia conforme causa e gravidade: reabilitação ambulatorial (fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia), seguimento em centros especializados, internação para complicações agudas e intervenções cirúrgicas ou de reabilitação intensiva quando indicadas. Muitos pacientes são acompanhados por programas de reabilitação do SUS e serviços de atenção especializada.

Classes de medicamentos

Classes usadas incluem antiespásticos/relaxantes musculares para espasticidade, analgésicos e medicamentos para controle de sintomas secundários (p.ex. controle de dor neuropática), e agentes trombolíticos/antitrombóticos na fase aguda de AVC quando aplicáveis; a escolha depende de mecanismo (espasticidade vs dor vs fase aguda vascular) e comorbidades.

Sinais de alarme do grupo

Procurar avaliação urgente ao surgirem piora súbita de força, novo déficit focal agudo, piora progressiva rápida, sinais de infecção com piora neurológica, ou perda de função respiratória/controle de deglutição.

Uso em atestado

Atestados para este grupo descrevem o diagnóstico funcional (por ex., hemiplegia, paraplegia) e impacto em atividades; o CID pode ser omitido a pedido do paciente. Perícia costuma exigir documentação clínica, exames de imagem e relatórios de reabilitação para avaliar incapacidade temporária ou permanente. Não é notificação compulsória em geral, salvo causa subjacente que seja de notificação.

Perguntas frequentes sobre G80-G83

Quando uso G80 e quando G81?

G80 descreve paralisia cerebral com início precoce e transtorno do desenvolvimento motor; G81 registra hemiplegia definida por perda unilateral de força, geralmente associada a evento focal adquirido.

Posso omitir o CID a pedido do paciente num atestado?

Sim, a omissão do CID em atestados é permitida a pedido do paciente; contudo a perícia ou auditoria pode exigir documentação clínica e exames para avaliação.

Como diferenciar paraplegia por lesão medular (G82) de polineuropatia (G60-G64)?

Lesão medular costuma apresentar nível sensorial definido e sinais de disfunção medular; polineuropatia apresenta padrão distal e simétrico, alterações sensitivas e eletroneuromiograma compatível, o que muda o bloco de classificação.

Este grupo exige notificação compulsória?

Em geral não; a notificação depende da causa subjacente (p.ex. certas infecções) e não do código de paralisia em si.

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