I70-I79 — Doenças das artérias, das arteríolas e dos capilares

O que este código significa?

Este bloco reúne doenças do sistema arterial, incluindo aterosclerose e suas complicações (I70), aneurismas da aorta e suas roturas (I71), doenças arteriais periféricas e oclusivas (I73, I74), alterações não classificadas noutras rubricas (I77-I79) e sequelas vasculares. Os códigos mais procurados costumam ser I70 (aterosclerose), I71 (aneurisma da aorta) e I74 (embolia e trombose arterial). A página serve como ponto de entrada para selecionar o subcódigo que descreve sede, extensão e complicações específicas.


Quando se usa um código deste grupo?

Use este bloco quando a queixa ou diagnóstico primário indicar doença das artérias, arteríolas ou capilares, sem especificar ainda o subdiagnóstico. Para codificar, descarte causas estáveis de hipertensão, doença venosa ou eventos cerebrovasculares isolados e siga para o subgrupo que especifica tipo (aterosclerose, aneurisma, trombose/embolia, etc.). Consultar o detalhe do subcódigo é necessário para registrar localização anatômica, presença de isquemia, ruptura ou sequela.

Com que grupos este se confunde?

I70 versus I20-I25: separa-se por localização e órgão afetado — I20-I25 indica isquemia do miocárdio; I70 descreve aterosclerose arterial em geral e suas manifestações fora do miocárdio.

I70/I74 versus I60-I69: codes I60-I69 são usados quando há evento cerebrovascular (AVC/hemorragia/isquemia cerebral) primário; quando o problema é doença arterial periférica ou embolia arterial não cerebral, usa-se I70-I79.

I74 (embolia/trombose arterial) versus I80-I89 (doença venosa): a distinção baseia-se na circulação afetada — sinais de oclusão arterial aguda (dor intensa, palidez, ausência de pulso) apontam para I74; sinais de trombose venosa (edema, calor, veia dolorida) para I80-I89.

O que é?

Inclui doenças que afetam o leito arterial em níveis variados: grande artéria (aorta), artérias de médio e pequeno calibre, arteríolas e capilares. O critério que as reúne é a lesão primária da circulação arterial — obstrução, dilatação anômala (aneurisma), trombose/embolia ou alterações estruturais e funcionais dos pequenos vasos. As manifestações variam conforme o calibre e a localização vascular.

Que queixas costumam cair neste grupo?

Queixas que tipicamente levam a um código deste bloco incluem claudicação intermitente, dor isquêmica em membro, pulso ausente ou reduzido, massa pulsátil abdominal (sugerindo aneurisma), déficit neurológico por isquemia periférica, úlceras isquêmicas de difícil cicatrização e episódios agudos de isquemia arterial (dor súbita, palidez, parestesia, perda de função).

O que costuma estar por trás deste grupo?

Os mecanismos comuns são aterosclerose que estreita ou oclui artérias (I70 e I73), formação de trombos ou êmbolos que provocam obstrução aguda (I74), dilatação da parede arterial por perda de elasticidade ou degeneração (I71) e alterações dos pequenos vasos por diabetes ou hipertensão que afetam capilares e arteríolas (I77-I79). Varia conforme o subgrupo: aterosclerose domina nos grandes e médios vasos; microangiopatia domina nas arteríolas e capilares.

Como se chega a um código deste grupo?

O código dentro do bloco é definido por achados clínicos e por exames que localizam a lesão arterial: imagem que mostra aterosclerose ou aneurisma, provas de perfusão ou oclusão arterial, documentação de trombo ou êmbolo e registro de sequelas. Na prática, separa-se os blocos pela natureza da lesão (aterosclerose versus aneurisma versus trombose/embolia versus microvascular) e pela região anatômica afetada.

Como costuma ser tratado?

O cuidado varia conforme o problema: acompanhamento ambulatorial e controle de fatores de risco para aterosclerose; intervenções endovasculares ou cirúrgicas em hospitais para aneurismas e oclusões ameaçadoras; atenção especializada (angiologia/vascular, cirurgia vascular) quando houver risco de perda de membro ou vida. Muitas ações de prevenção e tratamento crônico integram programas de atenção básica e serviços especializados do SUS.

Que tipos de remédio costumam ser usados?

Classes frequentemente usadas incluem antiplaquetários (inibidores da agregação plaquetária) para doença aterosclerótica, anticoagulantes para trombose/embolia, agentes para controle lipídico (estatinas) e medicamentos para controle de fatores de risco (antihipertensivos, hipoglicemiantes). A escolha entre classes depende do mecanismo (trombose versus placa aterosclerótica), risco de sangramento e presença de indicação para intervenção vascular.

Quando procurar um médico?

Sinais de alarme no grupo incluem dor arterial súbita e intensa no membro com palidez e perda de pulso (isquemia aguda), dor torácica ou abdominal intensa e súbita com suspeita de aneurisma roto, sangramento associado a terapia anticoagulante e úlceras isquêmicas que evoluem rápido. Nesses cenários a avaliação emergencial é necessária.

Como este grupo aparece em atestado?

Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento; o período é definido pelo médico que examinou e pelo caso concreto — duas pessoas com o mesmo CID podem receber períodos diferentes.

Quanto ao pagamento e à fiscalização legal: até 15 dias de afastamento o empregador paga o salário (Lei 8.213/91, art. 60, parágrafo 3); a partir do 16º dia o INSS assume e passa a exigir perícia. A soma de atestados pelo mesmo motivo dentro de 60 dias é considerada para aplicar esse limite dos 15 dias (Decreto 3.048/99, art. 75).

A regra dos 60 dias é aplicada pelo perito consultando o CID do atestado: é o CID que o perito usa para saber se a doença é a mesma na prática, razão pela qual o código no atestado importa para somar períodos. Pouca gente sabe que essa verificação é feita com base no CID declarado.

Para que um atestado seja aceito ele precisa identificar o paciente, indicar o período de afastamento, conter a data, a assinatura e o CRM do médico. A inclusão do CID depende da anuência do paciente — informar o diagnóstico ao empregador não é obrigatório — porém, sem o CID a soma dos atestados pelos mesmos motivos dentro dos 60 dias não pode ser verificada pelo perito.

Neste bloco (I70-I79) predomina um conjunto de condições arteriais que podem ser crônicas e de curso recorrente (como aterosclerose e doenças arteriais periféricas), mas também incluem eventos agudos potencialmente graves (por exemplo, embolia arterial ou ruptura de aneurisma). Muitos códigos aqui representam doenças crônicas que exigem acompanhamento e registro, ocasionalmente com episódios agudos que podem causar incapacidade temporária; por isso a regra dos 60 dias tem importância prática maior neste grupo: atestados repetidos para a mesma condição arterial podem ser somados para fins do limite de 15 dias pagos pelo empregador antes da necessidade de perícia pelo INSS.

Perguntas frequentes sobre I70-I79

Quando uso I70 em vez de I73?

Use I70 quando houver relato ou exame de aterosclerose documentada; I73 costuma registrar manifestações clínicas de doença arterial periférica sem detalhar aterosclerose subjacente.

Um aneurisma da aorta vai em I71 ou em outro código?

Aneurismas da aorta e suas complicações são codificados em I71; detalhes sobre ruptura ou localização devem ser buscados nos subcódigos do bloco.

Quando registro I74 (embolia/trombose arterial) em vez de I80 (trombose venosa)?

I74 descreve obstrução arterial (isquemia aguda, perda de pulso, dor isquêmica); I80 refere-se a trombose venosa com sinais de edema e sinais inflamatórios locais.

O CID deste bloco deve constar no atestado se o paciente pedir sigilo?

O CID pode ser omitido a pedido do paciente em atestados, mas a documentação clínica completa deve permanecer disponível para auditoria e perícia.

Fontes e como esta página foi feita

O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.

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