M75.2 — Tendinite bicepital
- tendinite do bíceps
- inflamação do tendão da cabeça longa do bíceps
- bicipite proximal
O código CID M75.2 designa a tendinite do tendão da cabeça longa do músculo bíceps braquial, normalmente sentida como dor no ombro e na região proximal do braço. Aparece quando o tendão sofre sobrecarga, atrito ou microlesões, frequentemente em pessoas que fazem movimentos repetitivos do ombro ou atletas. Não inclui lesões isoladas da cápsula articular (M75.0), rupturas franca do tendão do bíceps (um diagnóstico cirúrgico diferente) nem calcificação primária do manguito rotador (M75.3).
Este código é usado quando a apresentação clínica, exame e exames de imagem suportam inflamação ou tendinopatia da cabeça longa do bíceps sem descrição predominante de outras lesões do ombro.
Em palavras simples
O código CID M75.2 significa que a dor que você sente está ligada ao tendão da cabeça longa do músculo bíceps perto do ombro. Em palavras simples, é uma inflamação ou desgaste desse tendão, que fica em um sulco na parte da frente do ombro e ajuda a girar e levantar o braço.
Você provavelmente sente dor localizada na frente do ombro ou no início do braço, que aumenta quando levanta o braço acima da cabeça, carrega peso com o braço estendido ou faz movimentos repetitivos. Pode haver sensibilidade quando se pressiona o sulco onde passa o tendão, e às vezes um estalo ou desconforto ao mover o ombro. No início a dor surge com esforço; se piorar, pode passar a incomodar em repouso e limitar tarefas diárias.
Na maior parte das vezes não é uma condição grave nem contagiosa. Muitas pessoas melhoram em semanas a meses com medidas conservadoras e fisioterapia; em alguns casos o processo pode ser mais prolongado. Rupturas completas do tendão são situação diferente e costumam provocar perda aguda de força e deformidade, o que é menos frequente.
O caminho comum inclui avaliação clínica, e se houver dúvida ou não melhora, exames de imagem como ultrassom ou ressonância para confirmar a origem dos sintomas. O médico ou fisioterapeuta pode indicar um plano de tratamento e reavaliações. A necessidade de afastamento do trabalho depende da intensidade da dor, das tarefas exercidas e da orientação do profissional que acompanha o caso.
Em casa, observe se a dor aumenta muito com atividades rotineiras, se aparece fraqueza marcada ao segurar objetos, ou piora súbita da dor e da função; nesses casos busque atendimento. Mantenha registro dos sintomas, das atividades que pioram a dor e dos exames realizados para facilitar o acompanhamento clínico.
Quando usar este código
Usa-se CID M75.2 quando a queixa principal é dor localizada ao longo do sulco bicipital, agravada por elevação ou rotação do ombro, e quando o clínico considera que o tendão longo do bíceps é a fonte principal dos sintomas. O código aplica-se a tendinites agudas e a tendinopatias crônicas do tendão longo do bíceps identificadas na avaliação clínica ou em exames de imagem, sem mudança de código para lesão rompida documentada ou síndrome primária do manguito rotador.
Não confunda com
M75.1 (Síndrome do manguito rotador) — separa-se por dor principalmente no arco de movimento acima da cabeça, fraqueza de elevação/rotação e sinais específicos de lesão do manguito; se o exame indica supraspinhal ou infraespinhal como fonte primária, use M75.1.
M75.3 (Tendinite calcificante do ombro) — presença de calcificação visível em imagem (raio‑X ou ultrassom) no tendão do manguito rotador distingue M75.3; calcificação limitada ao tendão do bíceps é incomum e não justifica M75.3.
M75.5 (Bursite do ombro) — local de dor mais lateral/anterolateral e aumento de líquido na bursa subacromial em imagem favorecem bursite; se a dor local e a palpação seguem o sulco bicipital, M75.2 é mais apropriado.
O que é
Tendinite bicepital é a inflamação ou degeneração do tendão da cabeça longa do bíceps próximo ao ombro. O tendão percorre um sulco no úmero e tem contato com a articulação do ombro; quando submetido a sobrecarga, fricção ou microtraumatismo, desenvolve dor e perda funcional.
Manifesta-se por dor focal no lado anterior do ombro e no sulco bicipital, que costuma piorar ao levantar objetos, ao flexionar o cotovelo com o ombro em rotação ou ao realizar movimentos repetidos acima da cabeça. Afeta adultos de meia-idade, atletas que lançam ou levantam com frequência, e trabalhadores com esforço repetitivo do membro superior.
Sintomas
Principais sinais incluem dor localizada no sulco bicipital, sensibilidade à palpação na porção proximal do bíceps e aumento da dor ao flexionar o cotovelo com o ombro em supinação. Inicialmente a dor surge apenas em movimentos específicos e esforço; com piora, há dor contínua, limitação do arco de movimento do ombro e fraqueza na flexão do cotovelo e supinação do antebraço. Estalos, sensação de desconforto ao movimentar o ombro e agravamento noturno sugerem celebração do processo inflamatório ou maior comprometimento tendíneo.
Causas
Mecanismos incluem sobrecarga repetitiva (lançamento, musculação, trabalho manual), atrito no sulco bicipital por alterações anatômicas ou instabilidade da cabeça longa do bíceps, e alterações degenerativas com microrupturas no tendão. Na prática brasileira, o cenário mais comum é a tendinopatia por uso repetitivo associada a alterações do complexo do manguito rotador ou a postura de trabalho inadequada. Traumas agudos podem precipitar sintomas, mas frequentemente a evolução é por desgaste progressivo.
Como é diagnosticado
O diagnóstico baseia-se na história compatível (dor anterior do ombro agravada por movimentos do bíceps) e no exame físico com sensibilidade no sulco bicipital e testes específicos que reproduzem a dor. Exames de imagem como ultrassom ou ressonância magnética confirmam inflamação, alterações de sinal ou degeneração do tendão quando necessários. Este código é sustentado quando a avaliação clínica e, quando realizada, a imagem apontam o tendão longo do bíceps como a fonte principal dos sintomas, sem evidência dominante de ruptura completa ou outra lesão que justifique código diferente.
Como costuma ser tratado
O manejo habitual é conservador e ambulatorial, com medidas que visam reduzir dor e inflamação local, restaurar função e diminuir fatores de sobrecarga. Programas de fisioterapia com exercícios para estabilização e alongamento, modificação de atividades e técnicas de controle da dor são centrais. Em casos persistentes ou com fatores anatômicos que mantêm o atrito, avaliação por especialista pode considerar procedimentos dirigidos ao tendão.
Classes de medicamentos
Classes frequentemente empregadas no controle sintomático incluem analgésicos e anti‑inflamatórios não esteroidais para alívio da dor e redução do processo inflamatório, além de eventualmente medicações adjuvantes para controle de dor crônica quando indicado pelo assistente. Em alguns contextos clínicos, terapias locais guiadas por imagem e agentes moduladores de dor são consideradas pelo especialista.
Quando procurar ajuda
Procure avaliação quando a dor limita atividades diárias, não melhora com medidas simples em semanas, há perda relevante de força, sinais de instabilidade do ombro ou piora progressiva dos sintomas. Procure atendimento urgente se houver dor intensa súbita acompanhada de perda franca de função que sugira ruptura ou complicação aguda.
Uso em atestado
Atestados devem descrever limitação funcional, atividades impedidas e período estimado de afastamento se houver necessidade, sem prescrever conduta. Para perícia, documentar avaliações, exames de imagem disponíveis e resposta a tratamento conservador; a codificação M75.2 deve refletir a fonte primária dos sintomas conforme registros clínicos.
Direitos e benefícios
Direitos trabalhistas e previdenciários dependem de perícia e da legislação vigente; a presença do CID M75.2 no atestado não garante automaticamente afastamento ou benefício. Documentação clínica clara e exames que sustentem limitação funcional são fundamentais para avaliação em processos administrativos e judiciais.
Perguntas frequentes sobre M75.2
O que exatamente significa receber o CID M75.2?
Significa que a fonte principal da dor é o tendão da cabeça longa do bíceps no ombro, caracterizando tendinite ou tendinopatia nessa região. O código identifica essa condição para registro clínico e administrativa.
O CID M75.2 indica necessidade de cirurgia?
Nem sempre; a maioria dos casos é tratada de forma conservadora com exercícios, controle da dor e ajustes de atividade. Avaliação por especialista é considerada se os sintomas persistirem ou houver sinais de ruptura.
Preciso de exames para confirmar o diagnóstico marcado como CID M75.2?
O diagnóstico costuma ser clínico, mas ultrassom ou ressonância são usados quando a apresentação é atípica, quando se planeja intervenção ou para documentar a extensão da lesão.
Posso ser afastado do trabalho por esse diagnóstico?
O afastamento depende da limitação funcional, das tarefas do trabalho e da avaliação médica; o CID no atestado registra a condição, mas a decisão administrativa ou pericial avalia incapacidade concreta.
Como diferenciar tendinite do bíceps de um problema no manguito rotador?
A localização da dor e testes que reproduzem a dor ao mover o bíceps contra resistência ajudam a apontar o tendão do bíceps; exames de imagem esclarecem casos com sintomas sobrepostos.
O diagnóstico é definitivo ou pode mudar para outro código?
Pode mudar se surgir evidência de ruptura do tendão, lesão predominante do manguito rotador ou calcificação significativa; a codificação reflete a fonte primária dos sintomas conforme evolução e exames.
Leve estas perguntas
O que perguntar ao seu médico (5)
- Quando o quadro clínico justifica investigação por imagem imediata ao invés de tratamento conservador inicial?
- Qual achado de ultrassom ou ressonância reforçaria a mudança do código para ruptura do tendão ou outra categoria?
- Qual é a duração típica de tratamento conservador antes de considerar intervenção especializada ou cirúrgica?
- Que sinais no exame físico sugerem instabilidade da cabeça longa do bíceps em vez de tendinite isolada?
- Como documentar a fonte primária dos sintomas quando há alterações concomitantes do manguito rotador?
O que perguntar ao seu advogado (3)
- Em perícia, que documentação clínica é essencial para comprovar incapacidade laboral por M75.2?
- O diagnóstico de tendinite bicepital justifica afastamento temporário por si só perante o INSS ou depende de comprovação funcional?
- Quais elementos do prontuário fortalecem um pedido administrativo ou judicial relacionado a acidente de trabalho envolvendo este codigo?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
- Quais procedimentos de imagem ou terapias conservadoras relacionados a M75.2 geralmente exigem pré‑autorização pela operadora?
- Como deve constar o CID M75.2 na guia quando solicitado exame de imagem complementar ou fisioterapia?
- Quando a operadora pode pedir documentação adicional para autorizar procedimento associado a este diagnóstico?
Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.