M75.4 — Síndrome de colisão do ombro
- síndrome do impacto do ombro
- impingement do ombro
- impacto subacromial
Em palavras simples
O código CID M75.4 refere-se à síndrome de colisão do ombro, também chamada de impingement. Em palavras simples, significa que, ao movimentar o braço para cima ou para frente, estruturas que ficam entre o osso do braço e a parte óssea acima do ombro (o acrômio) ficam apertadas. Esse atrito causa inflamação e dor.
Você provavelmente sente dor na parte lateral ou anterior do ombro, especialmente ao levantar o braço, alcançar prateleiras altas ou pentear o cabelo. A dor costuma aparecer ao fazer movimentos repetidos acima da cabeça e pode acordar à noite se você deitar sobre o ombro afetado. Nos primeiros dias o principal sintoma é a dor ao movimentar; com o tempo pode surgir cansaço do braço e dificuldade para carregar objetos.
Na maior parte dos casos não é uma condição contagiosa nem ameaça à vida. A evolução varia: muitas pessoas melhoram com semanas a meses de tratamento conservador, mas algumas têm sintomas persistentes que exigem investigação adicional. O tempo de recuperação depende da gravidade, das atividades diárias e da resposta à reabilitação.
Normalmente o médico pede exame físico e pode solicitar imagens para entender a causa; o primeiro passo costuma ser fisioterapia e medidas para reduzir a sobrecarga no ombro. Podem ser necessários retornos regulares para ajustar exercícios e avaliar progresso. A necessidade de afastamento do trabalho depende do tipo de atividade; trabalhos que exigem levantar o braço repetidamente tendem a exigir adaptações.
Em casa, observe se a dor piora com esforços rotineiros, se a força do braço diminui ou se surgem formigamento ou dormência no braço. Procure atendimento se a dor for muito intensa, aparecer inchaço, vermelhidão, febre, ou se houver perda súbita de força ou sensibilidade. Para dúvidas sobre tratamento, exames ou atestados, converse com o médico que acompanha o caso.
O que este código significa?
O CID M75.4 designa a síndrome de colisão (impingement) do ombro, condição em que estruturas do espaço subacromial são comprimidas durante o movimento. Surge tipicamente como dor anterior ou lateral no ombro ao elevar o braço, com limitação funcional para atividades acima da cabeça. Não inclui outras lesões específicas do manguito rotador com ruptura comprovada, capsulite adesiva primária ou bursites isoladas sem quadro compressivo. Este código é usado quando o diagnóstico clínico aponta para impacto subacromial como causa predominante dos sintomas.
Quando este código é usado?
Usa-se este código quando o quadro clínico aponta para compressão do espaço subacromial com dor ao movimento de elevação, sinais positivos em manobras de impacto e sem evidência isolada de outra lesão como lesão completa do manguito rotador ou capsulite adesiva. Emprega-se na atenção ambulatorial e em relatórios de perícia quando a síndrome for a hipótese principal que justifica tratamento conservador ou encaminhamento.
Qual a diferença dos códigos parecidos?
M75.1 (Síndrome do manguito rotador): distingue-se se há suspeita de lesão/tendinopatia do manguito com ruptura ou testes de força que indiquem rotura; M75.4 descreve compressão subacromial predominante sem ruptura confirmada. M75.0 (Capsulite adesiva): a capsulite tem perda global e progressiva da elevação e rotação do ombro, especialmente ao dormir e sem piora específica ao atravessar o braço pela frente; colisão mantém amplitude, mas com dor mecanicamente desencadeada. M75.5 (Bursite do ombro): bursite pode coexistir com colisão, mas codifica-se M75.4 quando o quadro clínico for de impacto mecânico subacromial predominante; se for bursite isolada sem componente de impacto, M75.5 é mais adequado.
O que é?
A síndrome de colisão do ombro é um quadro em que tendões do manguito rotador e a bursa subacromial são comprimidos entre a cabeça do úmero e a borda inferior do acrômio durante movimentos de elevação e rotação. Isso provoca inflamação, dor localizada na região lateral ou anterior do ombro e limitação funcional para atividades que exigem elevação do braço.
Manifesta-se habitualmente em adultos ativos, trabalhadores que realizam movimentos repetitivos acima da cabeça e atletas que usam o membro superior em arremessos ou nado. Pode ocorrer tanto por alterações anatômicas do acrômio quanto por sobrecarga funcional que leva a tendinopatia e edema da bursa, sem necessariamente haver ruptura tendínea completa.
Quais sintomas aparecem?
Principais sintomas incluem dor localizada na região lateral/anterior do ombro, agravada ao elevar o braço à frente ou ao lado, especialmente acima de 60–90 graus, e dor noturna ao deitar sobre o ombro. Surgem cedo dor à elevação e desconforto em movimentos de alcance; sinal de agravamento é perda progressiva da força de elevação, dor persistente em repouso, crepitação ou incapacidade de realizar atividades ocupacionais ou esportivas. Irradiação distal para o braço é rara e sugere outra causa.
O que causa?
Mecanismos envolvem redução do espaço subacromial por alterações anatômicas (borda acromial curva ou osteófitos), alterações posturais e biomecânicas que estreitam o espaço, e sobrecarga repetitiva dos tendões do manguito rotador causando tendinopatia e inflamação da bursa. Na prática brasileira, a causa mais comum é a sobrecarga ocupacional ou esportiva prolongada associada a movimentos repetitivos acima da cabeça, frequentemente agravada por postura escapular alterada e processos degenerativos relacionados à idade.
Como o médico confirma o diagnóstico?
O diagnóstico baseia-se em história típica de dor ao elevar o braço e exame físico com manobras de impacto positivas que reproduzem a dor. Confirma-se o quadro de colisão quando a correlação entre sintomas, sinais de impacto subacromial e exclusão de rotura tendínea completa ou capsulite é clara. Exames de imagem auxiliam: radiografia pode mostrar alterações ósseas acrômio-claviculares, ultrassonografia dinânica e ressonância magnética detectam tendinopatia, inflamação da bursa ou sinais de rotura; o código M75.4 é indicado quando o diagnóstico principal é impactação subacromial sem indicação de outro código predominante.
Como costuma ser tratado?
O tratamento é majoritariamente conservador e ambulatorial: controle da dor, fisioterapia com reequilíbrio muscular e exercícios de mobilidade/fortalecimento, ajustes ergonômicos e modificação de atividades que provocam impacto. Em casos persistentes ou com alterações anatômicas significativas, procedimentos intervencionistas podem ser considerados após avaliação especializada. O objetivo é reduzir a compressão subacromial, restaurar a função e prevenir recorrência.
Que tipos de remédio costumam ser usados?
Classes de medicamentos com uso descrito incluem analgésicos e anti-inflamatórios para controle sintomático da dor e anti-inflamatórios locais em procedimentos específicos; agentes adjuvantes para controle da dor noturna e redução da inflamação podem ser empregados conforme avaliação médica. A escolha do fármaco e via de administração depende do contexto clínico e não está descrita aqui.
Quando procurar um médico?
Procurar avaliação médica se a dor limita atividades diárias, não melhora com repouso relativo e analgésicos habituais, ou se houver perda clara de força e amplitude articulares. Buscar atenção urgente se houver dor intensa sem causa evidente, alterações sensoriais (formigamento, perda de sensibilidade) ou sinais sugestivos de infecção local (vermelhidão, calor, febre). Para reabilitação e indicação de procedimentos, avaliação ortopédica é recomendada.
Quantos dias de atestado?
Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento; o período é definido pelo médico que examinou e pelo caso concreto — duas pessoas com o mesmo código podem receber períodos diferentes.
Quanto ao pagamento e à perícia, até 15 dias de afastamento o empregador é o responsável pelo salário (Lei 8.213/91, art. 60, parágrafo 3); a partir do 16º dia o INSS assume o benefício e passa a exigir perícia; atestados pelo mesmo motivo dentro de 60 dias somam para esses 15 dias (Decreto 3.048/99, art. 75). É importante saber que, na prática, é o código CID indicado no atestado que o perito usa para verificar se se trata da mesma doença quando se aplica essa soma — essa é a razão pela qual o CID aparece no documento.
Para que um atestado seja aceito ele deve conter identificação do paciente, o período de afastamento, a data, assinatura e CRM do médico. A inclusão do CID no atestado depende da anuência do paciente: informar o diagnóstico ao empregador não é obrigatório, e sem o código a soma dos 60 dias não pode ser verificada pelo perito.
O CID M75.4 refere‑se à síndrome de colisão do ombro, que costuma apresentar episódios dolorosos associados à compressão subacromial e costuma ser manejada de forma conservadora com acompanhamento ambulatorial. Embora nem sempre resulte em incapacidade completa para o trabalho, pode limitar atividades que exijam elevação repetida ou acima da cabeça e demandar registro e seguimento médico. Como o quadro é frequentemente recorrente ou episódico em quem realiza movimentos repetitivos, a regra dos 60 dias tem particular importância aqui: atestados sucessivos com o mesmo CID permitem que o perito avalie continuidade do mesmo problema quando se considera a contagem dos períodos para fins de benefício.
Que direitos este código envolve?
Direitos e benefícios dependem de legislação, contrato de trabalho e política da operadora de saúde. A presença do CID M75.4 em documentos clínicos não garante afastamento ou cobertura automática; decisões sobre estabilidade, auxílio-doença ou reabilitação ocupacional exigem perícia e avaliação dos critérios legais e contratuais aplicáveis.
Perguntas frequentes sobre M75.4
O que significa receber o CID M75.4 no meu laudo?
Indica que o médico avaliou que a dor no ombro é por compressão das estruturas subacromiais (síndrome de colisão), e não outra condição como capsulite ou rotura completa do tendão.
Preciso parar de trabalhar se meu trabalho exige levantar o braço frequentemente?
Depende da intensidade da atividade, da avaliação médica e da resposta ao tratamento; muitas vezes são recomendadas adaptações ergonômicas e pausas, e o afastamento é decidido caso a caso.
Este quadro é contagioso para outras pessoas?
Não, trata-se de uma condição mecânica e inflamatória local, não transmissível.
Quais exames costumam ser solicitados após o diagnóstico inicial?
Radiografias e ultrassonografia são comuns para avaliar o espaço subacromial e os tendões; ressonância magnética é usada quando há suspeita de lesão tendínea mais extensa.
Como se diferencia de uma rotura do manguito rotador?
A rotura costuma apresentar perda de força específica e alteração nos testes de resistência; exames de imagem confirmam ruptura parcial ou completa, o que pode levar a código diferente.
Códigos relacionados
Fontes e como esta página foi feita
- DATASUS — CID-10, bloco M60-M79
- OMS — ICD-10, versão 2019 (M75.4)
- Lei 8.213/1991, art. 60 — afastamento e auxílio por incapacidade
- Decreto 3.048/1999, art. 75 — soma de atestados em 60 dias
- Anvisa — Bulário Eletrônico
O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.