M75.3 — Tendinite calcificante do ombro
- tendinite calcária do ombro
- tendinose calcária do ombro
- calcificação do tendão do manguito rotador
O CID M75.3 designa a tendinite calcificante do ombro, condição em que há depósito de cálcio dentro de um tendão do manguito rotador, geralmente o supraespinhal. Aparece tipicamente com dor no ombro, piora ao elevar o braço e perda de movimento. O código refere-se à presença de calcificação no tendão como causa dos sintomas; não inclui apenas bursite ou síndrome de impacto sem depósito calcário visível. O diagnóstico é sustentado por radiografia ou ultrassom que mostram depósito de cálcio concordante com os sintomas. O curso varia de resolução espontânea a episódios crônicos com tratamentos conservadores e, em casos selecionados, procedimentos intervencionistas.
Em palavras simples
O código CID M75.3 significa que foi identificada uma calcificação dentro de um tendão do ombro — normalmente do chamado manguito rotador — e que essa calcificação está associada aos seus sintomas. Não é uma infecção nem algo que ‘pegue’ outras pessoas; trata‑se de depósito de cálcio no tendão que pode inflamar e doer muito em crises.
Você provavelmente sente dor localizada no lado do ombro, que aumenta ao levantar o braço ou ao deitar sobre o lado afetado, além de limitação para tarefas acima da cabeça, como pentear o cabelo ou alcançar prateleiras. Em crises, a dor pode ser bastante intensa e atrapalhar o sono; entre as crises, a dor pode diminuir, mas a função pode continuar limitada.
Na maior parte dos casos não é uma condição grave nem contagiosa. Muitos episódios melhoram com tratamento conservador e tempo, mas a duração varia: algumas pessoas melhoram em semanas, outras levam meses ou têm episódios recorrentes. Em alguns casos a calcificação é reabsorvida espontaneamente; em outros, pode persistir e exigir tratamentos especializados.
O caminho comum após o diagnóstico inclui exames de imagem para confirmar a localização do cálcio, orientações para controlar a dor e sessões de reabilitação com fisioterapia para recuperar movimento e força. Dependendo da intensidade dos sintomas e da resposta ao tratamento, pode haver necessidade de procedimentos guiados por imagem ou avaliação cirúrgica em último caso. A necessidade de afastamento do trabalho depende do quanto a dor limita seu trabalho específico e das orientações do médico.
Em casa, observe se a dor piora muito, se aparece febre ou perda de força no braço; nesses casos procure atendimento. Também é importante monitorar se, após semanas de tratamento, não há melhora ou se surgem sinais de piora, como aumento progressivo da rigidez ou incapacidade crescente para atividades diárias, o que pede nova avaliação.
Quando usar este código
Usa-se este código quando a apresentação clínica de dor e limitação do ombro está associada à identificação de depósito calcário em tendão do ombro por exame de imagem e quando a equipe atribui os sintomas a essa calcificação, distinguindo-se de bursites isoladas, capsulite adesiva e lesões completas do manguito rotador.
Não confunda com
M75.1 (Síndrome do manguito rotador): esta é separada quando há dor e disfunção sem evidência de depósito calcário; exames por imagem que mostram ruptura tendínea ou alterações degenerativas sem cálcio orientam para M75.1 em vez de M75.3.
M75.5 (Bursite do ombro): se a alteração predominante for inflamação da bursa sem depósito calcário identificável e a sintomatologia não se correlacionar com foco tendíneo calcificado, o código apropriado tende a ser M75.5.
M75.4 (Síndrome de colisão do ombro): a colisão subacromial é um mecanismo e pode coexistir, mas na presença de depósito cálcico sintomático visualizado e considerado causa principal, usa‑se M75.3; se a colisão for primária sem cálcio, usar M75.4.
O que é
A tendinite calcificante do ombro é uma condição em que ocorre deposição de material calcário dentro do corpo de um tendão do manguito rotador, mais comumente do supraespinhal. Esse depósito pode provocar reação inflamatória local, dor intensa em crises e limitação funcional do ombro.
Manifesta‑se por dor no aspecto lateral ou anterolateral do ombro, pior ao elevar o braço ou ao deitar sobre o lado afetado. Afeta adultos de meia‑idade com predomínio em mulheres, mas pode ocorrer em outras idades; frequentemente o diagnóstico é confirmado por radiografia simples ou ultrassom que mostram o depósito de cálcio alinhado ao foco de dor.
Sintomas
Os sintomas principais são dor aguda ou subaguda no ombro, especialmente ao movimento de elevação ou rotação do braço, e perda de amplitude ativa. Dor noturna intensa e limitação para atividades acima da cabeça aparecem cedo em crises inflamatórias. Sinais de agravamento incluem dor cada vez mais incapacitante, rigidez progressiva e falha de melhora após medidas conservadoras, sugerindo necessidade de reavaliação e possível alteração do código para lesão associada ou complicação.
Causas
O mecanismo envolve deposição de cristais de hidroxiapatita no tendão, seguida de reação inflamatória e, por vezes, reabsorção dolorosa. Na prática brasileira, muitos casos surgem sem fator predisponente claro, mas fatores associados incluem microtraumas repetidos, alterações degenerativas tendíneas e episódios metabólicos locais. Não é uma condição contagiosa; sua origem é considerada multifatorial e local.
Como é diagnosticado
O diagnóstico deste código exige correlação entre quadro clínico compatível e demonstração de depósito calcário no tendão por radiografia simples ou ultrassom. A radiografia anteroposterior ou incidências específicas pode revelar calcificação; o ultrassom detalha localização e fase (formação versus reabsorção) e ajuda a orientar procedimentos. A ressonância magnética é menos sensível para cálcio, mas útil quando se suspeita de lesão tendínea concomitante.
Como costuma ser tratado
O manejo usual é conservador e ambulatorial, combinando medidas para controle da dor, reabilitação funcional e observação da evolução. Em casos com dor intensa ou falha do tratamento conservador, procedimentos como injeção guiada, terapia por ondas de choque ou intervenção percutânea por imagem podem ser considerados por equipes especializadas; cirurgia é opção restrita a casos selecionados com persistência sintomática e impacto funcional.
Classes de medicamentos
Classes farmacológicas empregadas incluem analgésicos e anti‑inflamatórios para controle da dor e da inflamação aguda, além de relaxantes musculares e medicações adjuvantes em planos de reabilitação. A escolha específica de fármaco e via é decisão clínica individual e não está descrita aqui.
Quando procurar ajuda
Procurar avaliação quando a dor no ombro é intensa, não melhora com medidas básicas, impede atividades diárias ou vem acompanhada de febre, fraqueza marcada ou perda sensível de movimento. Também deve ser reavaliado se há piora progressiva apesar de tratamento conservador, já que isso pode indicar fase de reabsorção dolorosa ou lesão associada que exige alteração da abordagem.
Uso em atestado
Atestados e relatórios devem descrever sinais e sintomas, exames de imagem que demostraram calcificação e plano terapêutico. A indicação de afastamento, duração e reabilitação deve constar do laudo clínico com justificativa vinculada a grau de limitação funcional e atividade laboral.
Direitos e benefícios
Direitos trabalhistas e previdenciários dependem da avaliação pericial e da legislação aplicável; a presença do CID M75.3 no prontuário ou guia não garante automaticamente benefício ou afastamento. A comprovação por exame e laudo médico é essencial em processos administrativos e judiciais.
Perguntas frequentes sobre M75.3
O CID M75.3 significa que tenho uma fratura no ombro?
Não. Este código refere‑se à deposição de cálcio em um tendão do ombro, não a fratura óssea. O diagnóstico geralmente vem de radiografia ou ultrassom que mostram o depósito.
Preciso me afastar do trabalho quando recebo esse código?
O afastamento depende da intensidade da dor, das tarefas do seu trabalho e da avaliação médica. O laudo deve descrever limitações funcionais para decisões de afastamento.
A tendinite calcificante é contagiosa para a família?
Não. É um processo local de depósito de cálcio no tendão e não se transmite a outras pessoas.
Quais exames confirmam o diagnóstico indicado por CID M75.3?
Radiografia simples do ombro costuma mostrar a calcificação; ultrassom esclarece localização no tendão e fase do processo. A escolha do exame é feita pelo médico conforme o caso.
Como diferenciar este código de M75.1 (síndrome do manguito rotador)?
A presença de depósito calcário no tendão por imagem e sua correlação com os sintomas orientam para M75.3; na ausência de cálcio visível, geralmente usa‑se M75.1.
Quanto tempo demora para melhorar?
Varia muito: alguns melhoram em semanas com tratamento conservador, outros em meses. A evolução depende da fase do depósito e da resposta às medidas terapêuticas.
Leve estas perguntas
O que perguntar ao seu médico (5)
- Há imagem de calcificação compatível com o foco de dor e qual a fase (formação vs reabsorção)?
- Qual a amplitude de movimento ativa e passiva e há sinais de lesão do manguito rotador associada?
- Houve resposta a medidas conservadoras e por quanto tempo foram tentadas antes de considerar intervenção?
- A dor é predominantemente noturna ou relacionada a movimentos acima da cabeça, e isso mudou desde o início?
- Existem fatores ocupacionais ou traumatismos repetidos que possam justificar afastamento temporário?
O que perguntar ao seu advogado (3)
- Qual a limitação funcional documentada que justificar afastamento e por quanto tempo previsível?
- A documentação médica inclui exames de imagem que confirmam a causa dos sintomas para perícia?
- Há justificativa técnica para enquadramento como acidente de trabalho ou doença ocupacional no caso de atividades repetitivas?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
- O procedimento proposto (por exemplo, terapia por ondas de choque ou intervenção percutânea) está coberto pelo contrato e requer autorização prévia?
- Quais exames de imagem e relatórios clínicos a operadora costuma solicitar para liberar procedimentos intervencionistas?
- Existe carência ou restrição contratual para tratamentos especializados relacionados a tendinopatia calcífica?
Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.