M76.2 — Esporão da crista ilíaca
- entesopatia da crista ilíaca
- espícula óssea iliaca
- osteófito de inserção muscular ilíaca
Em palavras simples
Receber o diagnóstico de “esporão da crista ilíaca” significa que a origem da sua dor está na área onde tendões ou ligamentos se prendem à borda superior da pelve, chamada crista ilíaca, e que o osso nessa região sofreu uma alteração com formação de uma pequena espícula (esporão). Não é uma infecção nem, normalmente, uma doença contagiosa; é uma alteração mecânica na junção entre o tecido mole e o osso.
Você provavelmente sente dor localizada na lateral ou na parte superior da pelve, sensibilidade quando alguém aperta esse ponto e piora do desconforto ao usar os músculos que se prendem ali — por exemplo, ao subir escadas, correr, levantar o tronco ou ficar muito tempo em pé. Pode haver rigidez ao acordar e dor que melhora com o descanso, mas volta com esforço.
Na maioria dos casos não é grave nem ameaça a vida. Não “pega” para outras pessoas. A duração varia: alguns melhoram em semanas com medidas simples, outros mantêm sintomas por meses se a causa de sobrecarga continuar. O histórico, o exame físico e uma radiografia geralmente definem o problema; às vezes são pedidos ultrassom ou tomografia se houver dúvida.
O que costuma acontecer a seguir é: o médico confirma a localidade da dor, solicita imagem para documentar a espícula quando necessário e propõe medidas para reduzir a tensão sobre a inserção — isso inclui orientações de atividade, fisioterapia e controle da dor. Retornos são marcados para acompanhar evolução. A necessidade de afastamento do trabalho depende do quanto a dor limita suas tarefas; isso é avaliado caso a caso.
Em casa, observe se a dor melhora com descanso ou se piora progressivamente, se aparece inchaço importante, vermelhidão local ou febre — sinais que exigem avaliação. Procure ajuda sem esperar se a dor passa a impedir de caminhar, se houver fraqueza nova na perna ou perda de controle de urina ou fezes, pois esses achados não são típicos deste código e necessitam investigação imediata. Em suma: é uma condição local, tratável na maioria das vezes, e a evolução depende de reduzir a sobrecarga e seguir o plano de acompanhamento sugerido pelo seu médico.
O que este código significa?
O CID M76.2 designa a entesopatia da crista ilíaca caracterizada por formação de esporão ósseo no local de inserção tendinosa ou ligamentar. Aparece como dor e sensibilidade na região da crista ilíaca, agravada por uso muscular repetitivo ou palpação direta. Não inclui processos infecciosos, tumores ósseos ou dor lombar de origem vertebral isolada. Não deve ser confundido com tendinites profundas de músculos vizinhos sem componente de esporão. O diagnóstico costuma combinar história, exame físico e achado de espícula em imagem.
Quando este código é usado?
Usa-se este código quando a queixa principal é dor localizada na crista ilíaca associada a alteração na entese com evidência de esporão ósseo. Aplica-se quando a avaliação clínica e os exames de imagem indicam entesopatia com formação de espícula, sem outra causa primária como infecção ou neoplasia. Não se aplica a dor ilíaca sem alteração estrutural demonstrada nem a condições subtendíneas sem espícula.
Qual a diferença dos códigos parecidos?
M76.0 (Tendinite glútea): diferenciar por ser a tendinite glútea primariamente inflamatória na inserção do glúteo médio/minimo na face lateral do ílio sem formação óstea proeminente; M76.2 exige evidência de esporão na crista ilíaca. M76.3 (Síndrome da faixa iliotibial): separa-se pela dor comum na lateral do joelho e ao alongamento da banda iliotibial; M76.2 é centrado na crista ilíaca com sinal à palpação local e imagem óssea. M54.5 (Dor lombar): lombalgia provém da coluna vertebral e não apresenta espícula na crista ilíaca em imagem; localizar dor e reproduzir com manobra sobre crista ilíaca ajuda a distinguir.
O que é?
Esporão da crista ilíaca é uma entesopatia: alteração na inserção de tendões ou ligamentos na crista ilíaca que evolui com remodelamento ósseo e formação de espícula. Manifesta-se por dor localizada, sensibilidade à pressão e maior desconforto com atividades que tensionam as inserções, como subida de escadas, corrida ou esforço de tronco.
Afeta com maior frequência adultos ativos, especialmente praticantes de atividades repetitivas que exigem contração dos músculos que se inserem na crista ilíaca, e pode ocorrer também em pessoas mais velhas por mudanças degenerativas. O quadro tende a ser unilateral ou predominantemente assimétrico.
Quais sintomas aparecem?
Dor localizada na borda superior ou lateral da pelve, sensível à palpação direta; dor que aumenta ao contrair músculos inseridos na crista ilíaca (ex.: glúteos, músculos abdominais laterais). Sintomas iniciais incluem desconforto após atividade e rigidez matinal leve. Sinais de agravamento são dor persistente em repouso, limitação clara de movimentos de tronco e quadril, irradiação para região lombar ou face lateral da coxa, e falta de resposta a medidas conservadoras por semanas.
O que causa?
Mecanismo típico envolve sobrecarga repetitiva ou tensão crônica na entese que induz reação de tração e microtrauma, seguida de calcificação ou formação de espícula óssea. Na prática brasileira, causas comuns são atividades esportivas com tração unilateral, trabalho físico com carga e alterações biomecânicas, como assimetria de marcha. Contribuem envelhecimento, alterações degenerativas e episódios de lesão aguda que não cicatrizam adequadamente.
Como o médico confirma o diagnóstico?
O diagnóstico fundamenta-se na história de dor localizada na crista ilíaca e exame físico com dor à palpação da crista e manobras que tensionam as inserções musculares. A confirmação deste código exige evidência de entesopatia com espícula em exame de imagem — radiografia simples em incidências adequadas frequentemente demonstra o esporão; em casos duvidosos, ultrassonografia ou tomografia podem evidenciar a entese e a espícula. Deve-se excluir infecção, fratura ou neoplasia quando indicado.
Como costuma ser tratado?
O manejo geralmente é conservador e ambulatorial, com abordagem dirigida à redução da sobrecarga e controle dos sintomas. Intervenções incluem medidas para reduzir tensão sobre a entese, fisioterapia com foco em alongamento e reequilíbrio muscular, e estratégias analgésicas e anti-inflamatórias quando indicadas. Em casos persistentes com impacto funcional, procedimentos locais guiados por imagem podem ser considerados e, raramente, intervenção cirúrgica é discutida quando há dor refratária associada a grande espícula que provoca sintomas mecânicos.
Que tipos de remédio costumam ser usados?
Classes farmacológicas usadas habitualmente incluem analgésicos simples e anti-inflamatórios para controle da dor e inflamação aguda, além de agentes adjuvantes para dor crônica quando necessário. Em contextos de inflamação focal persistente, agentes tópicos ou injetáveis com ação anti-inflamatória podem ser utilizados sob indicação clínica. A escolha depende do quadro clínico, com atenção a contraindicações e comorbidades.
Quando procurar um médico?
Procurar avaliação quando a dor local persiste por semanas a ponto de limitar atividades diárias, quando há piora progressiva apesar de medidas simples, quando surge febre ou sinais inflamatórios injustificáveis, ou quando a dor impede marcha ou sono. Busca imediata é indicada se houver perda súbita de força, sensibilidade ou controle de esfíncteres, pois esses sinais sugerem outra causa e exigem investigação urgente.
Quantos dias de atestado?
Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento: o período é definido pelo médico que examinou e pelo caso concreto — duas pessoas com o mesmo código podem receber períodos diferentes.
Na prática legal, até 15 dias de afastamento o empregador é responsável pelo pagamento (Lei 8.213/91, art. 60, parágrafo 3); a partir do 16º dia o INSS assume o pagamento e passa a exigir perícia. A legislação também prevê que atestados pelo mesmo motivo dentro de 60 dias se somam para computar esses 15 dias (Decreto 3.048/99, art. 75). Para fins dessa soma, é o CID constante no atestado que o perito usa para verificar se a doença é a mesma — por isso o código no documento tem papel prático nesse cálculo.
Para que um atestado seja aceito, ele deve identificar o paciente, indicar o período de afastamento, conter a data, a assinatura e o CRM do médico. A inclusão do CID no atestado depende da anuência do paciente: não é obrigatório informar o diagnóstico ao empregador, mas sem o código não há como consolidar a soma dos atestados dentro do prazo legal mencionado.
Neste código, trata‑se de uma entesopatia da crista ilíaca associada à formação de esporão ósseo que tende a se manifestar por dor localizada e piora ligada ao uso repetitivo ou à sobrecarga. O curso costuma alternar entre episódios com sintomas e fases de controle com manejo ambulatorial; pode não implicar incapacidade absoluta para todas as atividades, mas em alguns casos gera limitação funcional que justifica acompanhamento e registro clínico. Como os sintomas frequentemente se relacionam a esforços repetitivos e podem reaparecer, a regra dos 60 dias importa especialmente aqui: atestados sucessivos com o mesmo CID permitem ao perito verificar continuidade do mesmo quadro quando for necessário somar períodos para efeitos do benefício.
Que direitos este código envolve?
Direitos trabalhistas e previdenciários dependem da legislação e da avaliação pericial; M76.2 pode ser considerado para afastamento temporário se houver incapacidade comprovada para as funções habituais. Reclamações trabalhistas relativas a condições ergonômicas ou repetitivas podem usar documentação médica como prova, mas a concessão de benefícios ou estabilidade exige avaliação administrativa ou judicial conforme regras vigentes.
Perguntas frequentes sobre M76.2
O que significa receber o CID M76.2 no atestado médico?
Indica que a queixa principal é uma entesopatia da crista ilíaca com formação de esporão ósseo; serve para documentar diagnóstico e justificar restrições funcionais quando descritas no laudo.
O esporão da crista ilíaca é contagioso?
Não; trata-se de uma alteração mecânica do osso/tendão e não se transmite entre pessoas.
Preciso fazer cirurgia se aparecer o código M76.2?
A maioria dos casos é tratada sem cirurgia; a decisão por procedimento é excepcional e depende de dor refratária e impacto funcional documentado.
O que a imagem mostra que confirma M76.2?
Geralmente radiografia que evidencia espícula óssea na crista ilíaca alinhada à queixa clínica; outros exames podem complementar se houver dúvida.
Esse CID justifica afastamento do trabalho?
Pode justificar se houver limitação funcional comprovada; a necessidade e duração do afastamento são avaliadas caso a caso na perícia.
Como diferenciar M76.2 de dor lombar comum?
A dor de M76.2 é focal na crista ilíaca e reproduzida por palpação direta da crista e por manobras que tensionam as inserções; dor lombar geralmente tem origem vertebral e outros sinais associados.
Códigos relacionados
- M76.0 Tendinite glútea
- M76.1 Tendinite do psoas
- M76.3 Síndrome da faixa iliotibial
- M76.4 Bursite tibial colateral [Pellegrini-Stieda]
- M76.5 Tendinite patelar
- M76.6 Tendinite aquileana
- M76.7 Tendinite do perôneo
- M76.8 Outras entesopatias do membro inferior, excluindo o pé
- M76.9 Entesopatia do membro inferior não especificada
Fontes e como esta página foi feita
- DATASUS — CID-10, bloco M60-M79
- OMS — ICD-10, versão 2019 (M76.2)
- Lei 8.213/1991, art. 60 — afastamento e auxílio por incapacidade
- Decreto 3.048/1999, art. 75 — soma de atestados em 60 dias
- Anvisa — Bulário Eletrônico
O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.