M76.0 — Tendinite glútea

  • tendinopatia do glúteo médio
  • dor trocantérica
  • bursite trocantérica (termo popularmente usado, nem sempre correto)

O CID M76.0 designa tendinite glútea, uma entesopatia dolorosa do aparato tendíneo dos músculos glúteos na região trocantérica do fêmur. Aparece como dor lateral do quadril, frequentemente pior ao deitar sobre o lado afetado, ao subir escadas ou após esforços repetitivos. O código inclui inflamação e degeneração tendínea na inserção glútea, mas não cobre outras causas de dor do quadril como artrose coxofemoral (M16) ou fraturas. Não descreve apenas dor inespecífica sem sinais locais de sensibilidade sobre o trocânter maior.


Em palavras simples

O código CID M76.0 indica que a dor que você sente na lateral do quadril vem da inflamação ou desgaste do tendão dos músculos glúteos, perto do osso chamado trocânter maior. Em palavras simples, é uma lesão da “junção” onde o músculo se prende ao osso, que fica sensível e dói mais em certos movimentos.

Você provavelmente sente dor localizada na face externa do quadril, que pode descer um pouco pela lateral da coxa. É comum sentir desconforto ao subir escadas, ao levantar-se de uma cadeira, ao ficar muito tempo em pé e especialmente ao deitar sobre o lado afetado. A dor tende a piorar com atividades repetitivas e melhora com repouso relativo.

Na maioria dos casos não é uma condição contagiosa nem ameaça a vida. A duração varia: muitos melhoram em semanas a meses com cuidados adequados; alguns casos crônicos podem demorar mais e precisar de acompanhamento continuado. A evolução costuma começar com dor ao esforço e, se não tratada, pode tornar-se mais persistente e noturna.

O caminho usual inclui avaliação médica, possivelmente um exame de imagem (como ultrassom ou ressonância) para esclarecer o grau de acometimento, e encaminhamento para fisioterapia. O médico pode emitir atestado se a dor comprometer sua função no trabalho; o tempo de afastamento depende da gravidade e da natureza das atividades laborais.

Em casa observe se a dor aumenta muito, se aparece inchaço, calor ou vermelhidão local, ou se você perde força ou sensibilidade na perna. Nesses casos procure atendimento sem demora. Caso contrário, sinais de melhora são redução da dor com movimentos, sono menos interrompido e maior facilidade para caminhar e subir escadas.

Guarde os relatórios médicos e exames, pois ajudam a acompanhar a evolução. Evite mudanças bruscas de atividade que sobrecarreguem o quadril; siga as orientações do profissional de saúde sobre exercícios e retorno às atividades. Em caso de dúvidas sobre trabalho, cirurgia ou procedimentos, converse com seu médico e com o serviço de saúde ocupacional ou RH.

Quando usar este código

Use este código quando a queixa principal for dor localizada na região lateral do quadril com achados focais compatíveis com entesopatia do tendão glúteo (sensibilidade ao palpar o trocânter maior, dor à abdução ou ao estresse do tendão) e quando exames de imagem ou exame clínico sustentarem inflamação ou tendinopatia. Não usar para dor generalizada do quadril sem sinais de lesão tendínea, nem para bursites isoladas confirmadas por outro código.

Não confunda com

M75.4 (tendinite do ombro) — local diferente; a separação é anatômica: M76.0 refere-se explicitamente à inserção glútea sobre o trocânter maior, enquanto M75.4 envolve estruturas do ombro.

M16 (coxartrose) — artrose causa dor profunda e limitação de amplitude articular, com alterações radiográficas articulares; M76.0 aponta para dor lateral focal e sinais de entesopatia, não para desgaste articular.

M70.6 (bursite trocantérica) — a bursite pode coexistir, mas M70.6 seria usado quando a inflamação ocorre predominantemente na bursa sem evidência principal de tendinopatia; distinção baseada em exame clínico e imagem.

O que é

Tendinite glútea é a inflamação ou degeneração dos tendões dos músculos glúteos, sobretudo do glúteo médio e mínimo, onde se prendem no trocânter maior do fêmur. Manifesta-se por dor lateral do quadril que aumenta ao pressionar o ponto de inserção, ao caminhar, subir escadas, levantar-se de uma cadeira, ou ao deitar sobre o lado afetado.

Afeta adultos de meia-idade com maior frequência, especialmente mulheres e pessoas com alteração biomecânica (como discrepância de membros, sobrecarga por atividades repetitivas, obesidade ou alterações posturais). Pode ocorrer isoladamente ou associada a bursite trocantérica e, em casos crônicos, a alterações degenerativas do tendão.

Sintomas

Principais sintomas: dor localizada na face lateral do quadril irradiando ocasionalmente para a face lateral da coxa; sensibilidade ao tocar sobre o trocânter maior; dor ao deitar sobre o lado afetado.

Sintomas que aparecem cedo: dor ao subir escadas, ao levantar-se de cadeira e desconforto ao deitar sobre o lado comprometido.

Sinais de agravamento: dor contínua em repouso, noturna intensa que impede dormir sobre o lado afetado, perda progressiva da força de abdução do quadril ou limitação marcante da função ao caminhar.

Causas

Mecanismos: costuma resultar de sobrecarga mecânica e microlesões repetidas na região de inserção tendínea, com resposta inflamatória e, em estágios crônicos, degeneração tendinosa. Alterações biomecânicas do membro inferior, uso excessivo por atividades esportivas ou profissionais, obesidade e encurtamento muscular contribuem na prática brasileira.

Outras causas possíveis incluem trauma direto sobre a região trocantérica, alterações articulares adjacentes que alteram a marcha, e degeneração relacionada à idade; raramente infecções ou processos inflamatórios sistêmicos se manifestam com quadro semelhante.

Como é diagnosticado

O diagnóstico deste código baseia-se em exame clínico que demonstre dor focal sobre o trocânter maior e testes de estresse do tendão glúteo com reprodução da dor. A suspeita clínica é sustentada por imagem quando necessário: ultrassonografia dinâmica identifica espessamento tendíneo, rupturas parciais e bursite; ressonância magnética avalia degeneração tendínea e acometimento adjacente. Radiografia simples é útil para excluir outras causas como calcificações ou alterações ósseas, mas não confirma tendinopatia.

Este código é confirmado quando o quadro clínico e/ou exames de imagem indicam tendinopatia glútea e justificam a codificação específica, distinguindo-se de dores trocantéricas sem evidência de lesão tendínea.

Como costuma ser tratado

O tratamento é usualmente conservador e ambulatorial, centrado em medidas para reduzir a sobrecarga local, reabilitação fisioterápica com exercícios de alongamento e fortalecimento, técnicas de controle da dor e orientação postural. Em casos selecionados pode haver infiltração ou procedimentos guiados por imagem; quadros crônicos ou com ruptura tendínea significativa podem necessitar avaliação especializada para opções interventivas.

Classes de medicamentos

Classes de medicamentos empregados para controle da dor e inflamação incluem analgésicos simples e anti-inflamatórios. Em situações específicas podem ser considerados medicamentos adjuvantes para dor neuropática ou procedimentos locais com agentes anti-inflamatórios quando indicados por especialista. A escolha e prescrição dependem da avaliação clínica e da comorbidade do paciente.

Quando procurar ajuda

Procurar atendimento quando a dor for intensa ou progressiva, incapacitante para atividades rotineiras, não responder às medidas iniciais de autocuidado por tempo razoável, ou vier acompanhada de sinais de infecção local, febre, perda sensível ou motora do membro. Buscar avaliação médica também se houver história de trauma significativo ou suspeita de ruptura tendínea.

Uso em atestado

Para atestados, descreva diagnóstico clínico claro, limitações funcionais observadas e períodos de restrição de atividades quando pertinente. A documentação deve registrar exames e achados que sustentem a necessidade de afastamento ou adaptações no trabalho; a duração e a indicação de afastamento dependem da evolução clínica e da avaliação pericial.

Perguntas frequentes sobre M76.0

O CID M76.0 significa que vou precisar de cirurgia?

A maioria dos casos é tratada de forma conservadora; a cirurgia é considerada apenas em casos crônicos ou com ruptura significativa do tendão após avaliação especializada.

Posso trabalhar com esse diagnóstico?

Depende da intensidade da dor e das exigências do trabalho; algumas atividades que envolvem esforço repetitivo ou apoio do quadril podem precisar de adaptação ou afastamento conforme avaliação médica.

O diagnóstico exige ressonância magnética sempre?

Nem sempre; o exame clínico e a ultrassonografia muitas vezes são suficientes, reservando a ressonância para dúvidas diagnósticas ou planejamento técnico.

Tendinite glútea é contagiosa?

Não; trata-se de um problema mecânico/inflamatório local, não transmissível.

Como o atestado deve ser feito para justificar afastamento?

O atestado deve descrever o diagnóstico, limitações funcionais e período estimado de restrição; a necessidade final de afastamento é avaliada conforme a evolução e a perícia.

Qual a diferença entre M76.0 e bursite trocantérica?

M76.0 refere-se à tendinopatia glútea; a bursite trocantérica (M70.6) é inflamação da bursa próxima; os dois podem coexistir, e a diferenciação costuma basear-se em exame clínico e imagem.

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu médico (5)
  • Há evidência de ruptura tendínea parcial ou total que mudaria para outro código?
  • Qual exame de imagem é mais indicado para confirmar degeneração tendínea no caso específico?
  • Qual a duração mínima de sintomas e tratamento conservador antes de alterar a codificação ou considerar procedimento intervencionista?
  • Existem fatores biomecânicos ou comorbidades (ex.: discrepância de membros, obesidade) documentados que justifiquem manejo complementar?
  • A coocorrência de bursite trocantérica exige codificação adicional (M70.6) ou subsume-se em M76.0?
O que perguntar ao seu advogado (3)
  • Há direito a afastamento por incapacidade temporária decorrente de M76.0 e como isso é comprovado em perícia?
  • Quando a tendinite glútea pode ser considerada acidente do trabalho ou doença ocupacional para fins de indenização?
  • Que documentação médica fortalece pedidos de estabilidade ou reabilitação profissional relacionados a esta condição?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
  • Que exames por imagem o plano costuma autorizar para confirmar tendinopatia glútea e quais critérios justificam sua cobertura?
  • O plano costuma reconhecer procedimentos intervencionistas guiados por imagem para tendinopatia crônica como cobertos, e quais requisitos documentais são solicitados?
  • Quais documentos e relatórios clínicos a operadora exige para autorização de fisioterapia prolongada relacionada ao CID M76.0?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

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