M76.4 — Bursite tibial colateral [Pellegrini-Stieda]

  • Pellegrini-Stieda
  • síndrome de Pellegrini-Stieda
  • calcificação da entese tibial colateral

CID M76.4 designa a bursite tibial colateral, também referida como Pellegrini‑Stieda, caracterizada por inflamação e frequentemente depósito calcificado na entese medial do joelho onde estruturas tendíneas ou ligamentos se fixam à tíbia. Aparece como dor localizada, sensibilidade e limitação funcional ao esforço ou rotação do joelho, podendo surgir após trauma, sobrecarga ou degeneração crônica. Não inclui lesões intra‑articulares primárias do joelho (como lesão meniscal ou artrose avançada) nem tendinite isolada de estruturas distantes. Este código aplica‑se quando o quadro clínico e exames suportam a inflamação da bolsa ou entese medial em associação com Pellegrini‑Stieda.


Em palavras simples

O código CID M76.4 significa que o problema está na parte interna do seu joelho, na região onde um tendão ou ligamento se fixa na tíbia. O termo Pellegrini‑Stieda refere‑se a uma alteração nessa fixação que costuma provocar inflamação na pequena bolsa ou na própria inserção, às vezes com um depósito calcificado que dá um ponto duro percebido ao toque.

Você provavelmente sente uma dor localizada na face medial (interna) do joelho, que aumenta quando faz esforço, gira a perna ou sobe escadas. Pode haver sensibilidade ao pressionar o local, inchaço discreto e redução da capacidade de correr ou agachar. No começo a dor aparece só ao mexer, mas se o processo avança pode ser presente em repouso ou impedir atividades cotidianas.

Na maioria dos casos não é uma doença contagiosa nem uma emergência. A duração varia: muitos melhoram em semanas a meses com medidas simples e fisioterapia, mas quadros mais antigos ou com calcificação podem demorar mais. Se o problema começou após um entorse, o médico investigará se há lesão ligamentar associada que mude o prognóstico.

O caminho comum é a avaliação médica com exame físico e, se necessário, imagens. Uma radiografia pode mostrar a calcificação típica; ultrassom e ressonância ajudam a confirmar inflamação e a descartar outras causas de dor no joelho. O tratamento inicial costuma ser conservador, com orientação para reduzir atividades que pioram, reabilitação e controle da dor; retomar atividades progressivamente conforme melhora.

Em casa observe se a dor aumenta muito, se há vermelhidão, calor local intenso ou febre — nesses casos procure avaliação imediata. Volte ao médico se não houver melhora após semanas de tratamento, se a dor progredir ou se surgirem sinais de instabilidade articular. Leve sempre exames realizados e descreva exatamente quando e como a dor começou para orientar melhor o tratamento.

Quando usar este código

Usa‑se o código M76.4 quando a queixa principal é dor e sensibilidade na face medial do joelho com evidência clínica ou por imagem de inflamação da bursa/entese na inserção tibial colateral, incluindo casos com calcificação característica de Pellegrini‑Stieda. Não utilize para diagnósticos de dor difusa do joelho sem localização precisa, nem para alterações exclusivamente patológicas do menisco, cartilagem articular ou infecções profundas.

Não confunda com

M76.5 (Tendinite patelar): distingue‑se por localização anterior, sobre a patela e tendão patelar; M76.4 é medial, na inserção tibial colateral. M17 (Osteoartrose do joelho): a artrose causa dor difusa, rigidez articular e alterações radiográficas de desgaste; Pellegrini‑Stieda é focal na entese com calcificação localizada. S83.2 (Lesão do ligamento colateral medial do joelho): a ruptura ligamentar costuma apresentar instabilidade articular e história de entorse aguda; bursite/entesopatia tende a produzir dor localizada sem instabilidade clara. M76.8 (Outras entesopatias do membro inferior): escolha M76.4 quando a lesão é especificamente a bursite tibial colateral com achado de Pellegrini‑Stieda.

O que é

A bursite tibial colateral (Pellegrini‑Stieda) é uma entesopatia da região medial do joelho onde tendões ou ligamentos se inserem na tíbia, frequentemente associada a deposição de cálcio ou ossificação na entese. Manifesta‑se por dor focal, sensibilidade à palpação e dor ao esforço ou ao cruzamento das pernas, podendo evoluir de um processo agudo pós‑trauma a um quadro crônico por sobrecarga.

Costuma ocorrer em adultos ativos, especialmente aqueles expostos a microtraumas repetidos ou atletas que realizam movimentos de compressão e rotação do joelho; também aparece após entorses ou lesões de grau leve que não provocam ruptura ligamentar, e em contextos degenerativos com envelhecimento das inserções tendíneas.

Sintomas

Principais: dor focal na face medial do joelho, sensibilidade local à palpação, dor ao forçar o joelho em rotação ou em abdução/addução, possível edema localizado e redução da tolerância a atividades que envolvam corrida, subida de escadas ou agachamento. sinais iniciais: dor intermitente ao movimento, sensibilidade discreta e desconforto ao cruzar as pernas. sinais de agravamento: dor contínua em repouso, aumento do edema ou limitação funcional marcante que impede apoio ou marcha normal, e aparecimento de nódulo palpável calcificado que restringe movimento.

Causas

Mecanismos: sobrecarga por microtrauma repetido na entese medial do joelho, seguido de inflamação da bursa e/ou entese; trauma agudo ou entorse medial que desencadeia inflamação e, em alguns casos, calcificação reativa (Pellegrini‑Stieda). Em prática brasileira, as causas mais frequentes são entorses esportivas mal resolvidas, atividades ocupacionais com movimentos repetitivos e alterações biomecânicas do membro inferior que aumentam a tensão sobre a entese.

Como é diagnosticado

O diagnóstico de M76.4 baseia‑se em história de dor medial localizada do joelho, exame físico que evidencia sensibilidade e dor a manobras que tensionem a entese tibial colateral, e confirmação por imagem quando necessário. Radiografia simples pode mostrar calcificação característica na entese (Pellegrini‑Stieda); ultrassonografia dinâmica identifica inflamação da bursa e alterações tendíneas; ressonância magnética esclarece edema da entese e descarta lesões intra‑articulares associadas. Este código é indicado quando as evidências clínicas e de imagem apontam para bursite/entesopatia na localização descrita, sem predominância de outra entidade codificável.

Como costuma ser tratado

O tratamento é conservador na maioria dos casos e focado em reduzir inflamação, modificar atividades que causam sobrecarga e reabilitar a função através de fisioterapia. Esquemas podem incluir medidas locais de controle da dor e programas de fortalecimento e correção biomecânica; nos casos com calcificação sintomática persistente, terapias intervencionistas ou reavaliação ortopédica podem ser consideradas. O manejo costuma ser ambulatorial, com evolução variando de semanas a meses conforme cronicidade.

Classes de medicamentos

Classes medicamentosas usadas no controle dos sintomas incluem anti‑inflamatórios para redução da dor e inflamação, analgésicos para controle sintomático e, em alguns contextos, agentes adjuvantes para controlar dor crônica. Decisões sobre medicamentos devem seguir avaliação clínica individual e prescrição por profissional habilitado.

Quando procurar ajuda

Procurar avaliação médica se a dor medial do joelho for intensa, aumentar progressivamente, limitar a marcha ou o sono, surgir com calor e vermelhidão local (sinal possível de infecção) ou ocorrer após trauma com incapacidade de apoio. Também é indicado retorno quando a dor não melhora com medidas simples e reabilitação, ou quando há novos sinais de instabilidade articular.

Uso em atestado

Atestados devem descrever local e impacto funcional da condição, período estimado de limitação e necessidade de restrição de atividades quando aplicável. Para fins de perícia, indicar se há relação temporal com evento traumático, se o caso é agudo ou crônico e resultados de exames de imagem que sustentem o diagnóstico de entesopatia/tendinopatia medial com ou sem calcificação.

Perguntas frequentes sobre M76.4

O que significa receber o código CID M76.4?

Indica inflamação na inserção medial do joelho, conhecida como bursite ou entesopatia de Pellegrini‑Stieda, frequentemente com dor localizada e às vezes calcificação.

Preciso de exame de imagem para confirmar o diagnóstico?

Nem sempre; o diagnóstico é clínico, mas radiografia, ultrassom ou ressonância são usados quando há dúvida, dor persistente ou para documentar calcificação.

Vou precisar de afastamento do trabalho?

A necessidade de afastamento depende da limitação funcional e das exigências do trabalho; isso é avaliado caso a caso por médico e peritos.

O problema é contagioso ou vai afetar outros membros da família?

Não é contagioso; trata‑se de uma alteração mecânica/inflamatória localizada, não transmitida a outras pessoas.

Qual a diferença entre M76.4 e uma lesão do ligamento colateral medial?

M76.4 refere‑se à inflamação da entese/bursa medial; uma lesão ligamentar costuma causar instabilidade e história de trauma agudo mais severo, além de achados específicos em exame físico e imagem.

Quanto tempo demora para melhorar com tratamento conservador?

Muitos respondem em semanas a meses, mas casos crônicos ou com calcificação podem levar mais tempo; a resposta individual varia conforme atividade e tratamento de reabilitação.

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu advogado (4)
  • Este quadro justifica afastamento temporário do trabalho por limitação funcional documentada?
  • Quais provas (exames/relatórios) são mais relevantes em perícia para demonstrar nexo causal com acidente do trabalho?
  • A calcificação entesal pode ser considerada sequela permanente em avaliação de incapacidade?
  • Que documentação complementar é recomendada para fundamentar pedido de benefício por incapacidade?
O que perguntar ao seu plano de saúde (4)
  • O plano exige imagem que evidencie calcificação para autorizar fisioterapia ou procedimento associado?
  • Qual justificativa clínica é considerada suficiente pela operadora para liberação de recursos para reabilitação funcional?
  • Em casos crônicos, quais critérios a operadora costuma solicitar para manutenção de terapia continuada?
  • Quais procedimentos relacionados a entesopatia medial podem ter cobertura condicionada à apresentação de laudo ortopédico?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

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