M76.5 — Tendinite patelar
- tendinite do tendão patelar
- tendinopatia patelar
- jumper's knee
- patellar tendinopathy
O CID M76.5 designa a tendinite patelar, processo inflamatório ou degenerativo centrado no tendão patelar, abaixo da rótula. Aparece tipicamente como dor localizada na inserção inferior da patela associada à atividade que carga o extensor do joelho, como salto ou corrida. Não inclui dores difusas do joelho, lesões meniscais isoladas, nem entesopatias de outros tendões (ver M76.6, M76.3). O código refere-se ao quadro clínico no joelho e é usado quando a apresentação e os achados locais sustentam envolvimento do tendão patelar. Este verbo de catálogo é conteúdo de referência, não orientação terapêutica.
Em palavras simples
O código CID M76.5 refere‑se à tendinite patelar, que é o problema no tendão logo abaixo da patela (rótula). Em termos simples, é uma sobrecarga do ‘puxador’ do joelho: o tendão que liga a rótula à canela apresenta irritação ou lesão por uso repetido. Quem recebe esse diagnóstico costuma ouvir que o problema está no tendão e não no osso.
Você provavelmente sente dor bem localizada logo abaixo da rótula, que aparece quando você salta, corre, sobe escadas ou levanta de uma cadeira. No começo a dor pode sumir com descanso, mas ao piorar pode ficar presente em atividades comuns do dia a dia e até em repouso. Pode haver sensibilidade ao toque e dificuldade para fazer força com o músculo da frente da coxa.
Não é uma doença contagiosa. A gravidade varia: muitas vezes é algo que melhora com redução da carga e reabilitação, mas pode demorar semanas a meses. Em atletas e trabalhadores que exigem muito o joelho o tempo de recuperação tende a ser maior. Raramente é necessário tratamento cirúrgico; a maioria dos casos é tratada de forma ambulatorial e progride com medidas de reabilitação.
O passo seguinte costuma ser avaliação médica com exame físico e, em alguns casos, exame de imagem. O médico pode pedir ultrassom ou ressonância quando houver dúvida ou antes de procedimentos. Retornos para acompanhar a evolução são comuns; o médico ou fisioterapeuta vai orientar sobre exercícios, redução de atividades e medidas para voltar gradualmente.
Em casa, observe se a dor aumenta muito, se aparece inchaço incomum, calor local, febre ou perda súbita de força — nesses casos procure atendimento. Se a dor apenas se mantém ao fazer exercícios, anote o que a piora e relate no retorno para ajustar o plano. Evite continuar atividades que causem dor intensa até ter orientação clínica.
Quando usar este código
Usa‑se este código quando a queixa principal é dor focal sobre o tendão patelar, com sensibilidade localizada abaixo da patela e piora ao exigir força do aparelho extensor, e quando o médico registra esse diagnóstico por exame clínico e/ou imagem que suporte alteração do tendão patelar. Não deve ser usado para dor anterior inespecífica sem foco tendinoso ou para bursites isoladas sem alteração tendínea.
Não confunda com
M76.6 (Tendinite aquileana): separa‑se por topografia; M76.6 refere‑se ao tendão de Aquiles no calcanhar enquanto M76.5 é inferior à patela. A confirmação é pela localização da dor e sinais funcionais do aparelho extensor do joelho. M76.3 (Síndrome da faixa iliotibial): diferença pelo local da dor lateral do joelho e por dor ao flexo‑extender com resistência lateral, não por dor anterior patelar; exame físico e história esportiva orientam a distinção. M76.4 (Bursite tibial colateral [Pellegrini‑Stieda]): nesta, o foco é a inserção ligamentar/tuberosidade com edema ou calcificação local; na tendinite patelar a sensibilidade está diretamente sobre o tendão patelar e se relaciona com saltos e extensão vigorosa.
O que é
Tendinite patelar refere‑se a lesão e inflamação ou degeneração do tendão que liga a patela à tuberosidade da tíbia. Manifesta‑se por dor focal na região imediatamente abaixo da rótula, que costuma aparecer ou piorar durante atividades que exigem contração vigorosa do quadríceps, como saltos repetidos, corridas ou subidas.
É mais frequente em atletas de saltos (voleibol, basquete), corredores, e em pessoas que aumentam abruptamente a carga no membro inferior; também ocorre em trabalhadores com esforço repetitivo do joelho. O quadro pode variar de dor discreta aos sintomas capazes de limitar atividades esportivas e laborais.
Sintomas
Principal sintoma é dor anterior e focal abaixo da patela, frequentemente referida como ‘dor ao saltar’ ou ‘dor quando vou subir escada’. No início, a dor aparece só durante ou logo após a atividade; sinais iniciais incluem sensibilidade localizada à palpação e desconforto na extensão resistida. Agravamento indica dor persistente em repouso, limitação das atividades, crepitação ao movimento ou perda significativa de força do quadríceps; presença de inchaço marcado ou deformidade indica complicação ou diagnóstico alternativo.
Causas
Mecanismo típico é sobrecarga por forças repetidas de tração no tendão patelar, com microlesões e falha na reparação tecidual; predisposição biomecânica (alterações de alinhamento do joelho, desequilíbrio muscular), treinamento excessivo e superfícies inadequadas contribuem. No Brasil, a causa mais comum em prática esportiva é aumento abrupto de volume/intensidade de salto e corrida; fatores sistêmicos como idade, uso crônico de fármacos tendinopáticos e doenças metabólicas podem alterar a resposta do tendão.
Como é diagnosticado
O diagnóstico baseia‑se principalmente na história e exame físico: dor localizada sob a patela, sensibilidade à palpação do tendão patelar e dor na resistência à extensão do joelho. Este código é apropriado quando esses achados estão documentados. Ultrassonografia e ressonância magnética podem demonstrar espessamento, desorganização fibrilar ou calcificações no tendão e sustentam o diagnóstico quando há dúvida ou antes de intervenções; exames complementares também ajudam a excluir roturas, bursites ou patologia intra‑articular.
Como costuma ser tratado
O manejo descrito na literatura inclui redução da sobrecarga e programas de reabilitação com exercícios progressivos focados em recuperação da função do tendão e equilíbrio muscular; em muitos casos o tratamento é ambulatorial e progressivo ao longo de semanas a meses. Em situações crônicas ou refratárias são consideradas modalidades adicionais segundo avaliação especializada; o tempo até melhora varia conforme intensidade, adesão e fatores individuais.
Quando procurar ajuda
Procurar avaliação médica quando a dor limita atividades habituais, persiste por semanas apesar de redução da carga, há perda de força significativa, ou sinais de complicação como aumento de volume local, calor ou febre. Atendimento também é indicado se ocorrer incapacidade para caminhar, estalidos acentuados ou suspeita de rotura do tendão que exigem investigação imediata.
Uso em atestado
Atestado médico deve descrever local da dor, limitações funcionais objetivas e recomendações temporais de restrição de atividades quando for o caso; envio de imagem de suporte ajuda a justificar a conduta. Registro claro da documentação clínica é necessário para fins de perícia e auditoria.
Direitos e benefícios
Direitos relativos a afastamento e reabilitação dependem de legislação trabalhista e de regras do sistema previdenciário; a presença do código CID M76.5 não determina automaticamente concessão de benefício. Questões sobre estabilidade, licença médica e reabilitação devem ser tratadas em procedimentos legais e periciais específicos.
Perguntas frequentes sobre M76.5
O que significa receber o CID M76.5 no meu atestado?
Indica que o diagnóstico registrado pelo profissional é tendinite patelar, uma lesão no tendão abaixo da rótula associada à sobrecarga; o atestado descreve a condição e eventual limitação funcional mas não determina automaticamente afastamento prolongado.
A tendinite patelar pode ser contagiosa ou virar uma doença crônica inevitável?
Não é contagiosa. Pode tornar‑se crônica se a sobrecarga persistir, mas muitos casos melhoram com ajustes de atividade e reabilitação; o curso varia conforme fatores individuais e tratamento.
Preciso obrigatoriamente de exame de imagem para receber o CID M76.5?
Nem sempre; o diagnóstico é clínico. Exames como ultrassom ou ressonância são úteis quando há dúvidas, piora inexplicada ou antes de intervenções, e servem para documentar alterações do tendão.
Esse código diferencia‑se de dor de menisco ou artrose?
Sim; tendinite patelar tem dor focal abaixo da patela e piora com esforços de salto/ extensão, enquanto menisco causa bloqueio/falseio e artrose tem dor difusa, rigidez e sinais radiográficos. A avaliação médica define a distinção.
Posso trabalhar com CID M76.5 registrado?
Depende da função e da limitação funcional descrita; o atestado ou relatório clinico deve explicitar restrições e duração, e decisões sobre afastamento seguem legislação e perícia médica.
Leve estas perguntas
O que perguntar ao seu médico (5)
- A dor está localizada exatamente na junção patela‑tíbia e piora em extensão resistida do joelho?
- Há crepitação, perda de força do quadríceps ou instabilidade associada que sugerem lesão extra‑tendínea?
- Existem fatores biomecânicos ou ocupacionais recentes que aumentaram a carga sobre o tendão patelar?
- Imagens como ultrassom ou ressonância mostraram espessamento ou desorganização fibrilar compatíveis com tendinopatia?
- A evolução dos sintomas e resposta a tratamento conservador justificam revisão do diagnóstico para rotura parcial ou alternativa?
O que perguntar ao seu advogado (3)
- Qual o critério médico‑pericial para definir incapacidade temporária por tendinite patelar?
- Em que situações documentadas esta condição pode justificar estabilidade ou prorrogação de afastamento laboral?
- Quais provas documentais (exames de imagem, relatórios de fisioterapia) fortalecem pedido administrativo ou judicial por benefícios?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
- Quais procedimentos diagnósticos e terapêuticos relacionados a tendinite patelar requerem pré‑autorização pela operadora?
- Como deve constar o CID M76.5 nas guias para associar a intervenção ao diagnóstico declarado?
- Quais critérios a operadora usa para considerar dispensáveis ou investigacionais procedimentos orientados à tendinopatia patelar?
Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.
Códigos relacionados
- M76.0 Tendinite glútea
- M76.1 Tendinite do psoas
- M76.2 Esporão da crista ilíaca
- M76.3 Síndrome da faixa iliotibial
- M76.4 Bursite tibial colateral [Pellegrini-Stieda]
- M76.6 Tendinite aquileana
- M76.7 Tendinite do perôneo
- M76.8 Outras entesopatias do membro inferior, excluindo o pé
- M76.9 Entesopatia do membro inferior não especificada