M76.8 — Outras entesopatias do membro inferior, excluindo o pé

  • entesopatia não especificada do quadril
  • entesopatia de tendões do joelho não classificada
  • entesopatia do tornozelo não especificada

Em palavras simples

O código CID M76.8 indica que você tem uma entesopatia em alguma parte do membro inferior, ou seja, uma alteração na região onde um tendão ou ligamento se prende ao osso. Essa designação é usada quando a inflamação, desgaste ou outras mudanças na inserção não se encaixam nas categorias mais específicas (como tendinite patelar ou do tendão de Aquiles). Em palavras simples: é um problema na “cola” entre tendão/ligamento e osso, fora do pé.

Você provavelmente sente dor no local da inserção, sensibilidade ao toque e piora da dor ao fazer movimentos que esticam ou tensionam o tendão. Pode haver rigidez matinal ou dor que aparece com atividades repetitivas e melhora com repouso. Às vezes surge inchaço ou sensação de calor local; se isso ocorrer, a inflamação está mais evidente. Não é uma condição contagiosa.

Na maioria das pessoas não é uma doença que ameaça a vida, mas pode limitar atividades diárias e trabalho, dependendo da intensidade. A duração varia: muitos melhoram em semanas a meses com medidas conservadoras, mas alguns quadros crônicos demandam tratamento mais prolongado. A presença de fatores como sobrecarga repetitiva, trabalho físico intenso, esportes ou alterações do alinhamento das pernas influencia a recuperação.

O caminho habitual inclui avaliação médica, possivelmente exames de imagem (como ultrassom ou radiografia) para confirmar a entesopatia e identificar se há calcificação ou inflamação adjacente. O retorno ao médico costuma ocorrer após algumas semanas de tratamento inicial ou se não houver melhora. A necessidade de afastamento do trabalho depende do grau de limitação e das exigências da função; isso será avaliado pelo profissional que cuida de você.

Em casa, observe se a dor melhora com descanso relativo, ajustes nas atividades e cuidado para não forçar a região afetada. Evite movimentos repetitivos que precipitam a dor até ter orientação profissional. Procure atendimento sem demora se a dor aumentar muito, surgirem febre ou vermelhidão intensa, houver perda de força ou sensibilidade na perna, ou se ficar incapaz de caminhar; esses sinais exigem revisão imediata.

Converse com seu médico sobre a expectativa de recuperação e as medidas de reabilitação. Tenha em mãos detalhes sobre quando os sintomas começaram, que atividades pioram ou aliviam a dor, e quaisquer exames realizados, pois essas informações ajudam a definir o plano de acompanhamento.

O que este código significa?

O CID M76.8 designa outras entesopatias do membro inferior, excluindo o pé: alterações inflamatórias ou degenerativas na zona de inserção de tendões, fíbulas e ligamentos aos ossos, que não se encaixam nas subcategorias específicas do grupo M76. Não inclui entesopatias explicitamente codificadas como tendinites glúteas, patelares, aquileanas, do perônio ou síndrome da faixa iliotibial. Aparece quando há queixa localizada de dor ou limitação funcional na inserção tendíneo-ligamentar do quadril, coxa, joelho ou tornozelo e quando exames clínicos e de imagem mostram entesopatia, sem diagnóstico mais preciso. Serve como código para registros, estatísticas e faturamento quando a causa específica não recebe outro código irmão. Não descreve condições primariamente musculares, ósseas difusas ou alterações apenas do pé.


Quando este código é usado?

Este código é usado quando há confirmação clínica ou por imagem de entesopatia em segmento do membro inferior (quadril, coxa, joelho, tornozelo) e não há correspondência com M76.0–M76.7 nem com M76.9. Utiliza-se quando o local está fora do pé e a descrição disponível não permite um código irmão mais preciso.

Qual a diferença dos códigos parecidos?

M76.5 (Tendinite patelar) — distinguir por localização exata da dor e sinais à palpação no ápice da patela ou no tendão patelar; se a inserção patelar está claramente afetada, usar M76.5 em vez de M76.8.

M76.6 (Tendinite aquileana) — separar quando a alteração está na inserção do tendão de Aquiles no calcâneo; achados de espessamento ou entesófito calcâneo na região do tendão apontam para M76.6.

M76.3 (Síndrome da faixa iliotibial) — diferenciada pela dor lateral do joelho e teste de estresse da faixa iliotibial; se a faixa iliotibial é a estrutura principal afetada, codificar M76.3.

O que é?

Entesopatia é o termo que descreve alterações na entese — o ponto onde tendões ou ligamentos se inserem no osso. No contexto do membro inferior, isso inclui inflamação, sobrecarga crônica, microlesões e alterações degenerativas nas inserções ao redor do quadril, coxa, joelho e tornozelo, excluindo o pé. O CID M76.8 agrupa situações em que há evidência clínica ou por imagem de entesopatia, mas o quadro não se encaixa nas entesopatias especificadas pelos códigos irmãos.

Manifesta-se habitualmente por dor localizada na inserção, sensibilidade à palpação, piora com movimentos que tensionam a unidade tendão-óssea e limitação funcional. Pacientes de meia-idade, atletas e trabalhadores com movimentos repetitivos ou sobrecarga mecânica têm maior risco, assim como pessoas com alterações biomecânicas e doenças reumáticas associadas.

Quais sintomas aparecem?

Os principais sintomas são dor localizada na região da entese (quadril, face lateral da coxa/joelho, face medial ou lateral do tornozelo), sensibilidade aumentada à pressão no ponto de inserção e dor que aumenta ao esforço ou ao alongar o tendão afetado. Sintomas que aparecem cedo incluem dor intermitente ao movimento e rigidez matinal leve. Sinais de agravamento incluem dor persistente em repouso, perda importante da força e amplitude de movimento, inchaço local ou calor sugerindo inflamação ativa, e limitação funcional crescente que impede atividades rotineiras.

O que causa?

O mecanismo fundamental é sobrecarga mecânica repetitiva na entese, levando a microlesões e resposta inflamatória ou degenerativa. Na prática brasileira, causas comuns são atividades esportivas que exigem acelerações e desacelerações repetitivas, trabalho com posturas prolongadas ou levantamento de peso sem suporte biomecânico adequado, alterações anatomofuncionais (como diferença de comprimento de membros ou pronação excessiva) e envelhecimento que reduz a elasticidade tendínea. Doenças sistêmicas inflamatórias e metabólicas podem predispor e piorar o quadro, assim como histórico prévio de trauma direto na inserção.

Como o médico confirma o diagnóstico?

O diagnóstico deste código baseia‑se na correlação de história clínica (dor localizada e relação com movimentos) e exame físico dirigido à entese, associado quando necessário a exames de imagem que demonstrem alterações correspondentes. Ecografia musculoesquelética é frequentemente utilizada para evidenciar espessamento, calcificações ou bursite adjacente, enquanto radiografia pode documentar entesófitos; ressonância magnética esclarece inflamação e alterações de tecido mole profundas. Este código é sustentado quando a localização e as características correspondem a entesopatia, mas não se enquadram em códigos mais específicos do grupo M76.

Como costuma ser tratado?

O manejo descrito para entesopatias do membro inferior é predominantemente conservador e ambulatorial, baseado em medidas para reduzir sobrecarga mecânica, reabilitação funcional e controle da dor e inflamação local. Em muitos casos o tratamento padrão inclui proteção temporária da região afetada, programas de fisioterapia com foco em alongamento e fortalecimento e ajustes de atividades que provocam a lesão. Quando há complicações ou falha do tratamento conservador, opções intervencionistas ou reavaliação diagnóstica podem ser consideradas pelo profissional assistente.

Que tipos de remédio costumam ser usados?

Classes farmacológicas utilizadas para controle dos sintomas incluem analgésicos e anti-inflamatórios para reduzir dor e resposta inflamatória local, e ocasionalmente medicamentos adjuvantes para neuropatia periférica se presente. Em casos com inflamação localizada persistente, agentes com ação anti-inflamatória tópica ou sistêmica podem ser considerados conforme avaliação médica. A escolha depende da gravidade, comorbidades e tolerância do paciente.

Quando procurar um médico?

Procure avaliação médica se a dor for intensa, persistente por semanas apesar de medidas simples, acompanhar perda progressiva da função (dificuldade para caminhar, subir escadas ou realizar trabalho), sinais de inflamação aguda como calor e edema local ou se houver febre associada. Também é indicado retorno se houver piora súbita após trauma ou se houver sintomas neurológicos associados, como dormência ou fraqueza progressiva na perna.

Quantos dias de atestado?

Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento; o período é definido pelo médico que examinou com base no caso concreto — duas pessoas com o mesmo código podem receber períodos diferentes.

O sistema legal estabelece regras sobre quem paga e quando o INSS passa a exigir perícia: até 15 dias de afastamento o pagamento é de responsabilidade do empregador (Lei 8.213/91, art. 60, §3); a partir do 16º dia o INSS assume o benefício e exige perícia; e atestados emitidos pelo mesmo motivo dentro de 60 dias somam para esse período de 15 dias (Decreto 3.048/99, art. 75).

A regra dos 60 dias usa o CID do atestado como critério prático para o perito verificar se a doença é a mesma — é o código que o perito consulta para declarar continuidade do mesmo problema, e isso é frequentemente desconhecido por pacientes e empregadores.

Para ser aceito, o atestado precisa trazer identificação do paciente, o período de afastamento indicado, a data de emissão, e a assinatura e CRM do médico. A inclusão do CID no atestado depende da anuência do paciente: informar o diagnóstico ao empregador não é obrigatório, mas sem o código a soma dos 60 dias não pode ser verificada pelo INSS.

No caso específico do CID M76.8, trata‑se de uma categoria de entesopatias do membro inferior usada quando há evidência clínica ou por imagem de lesão na entese, mas o quadro não se enquadra em subcategorias mais precisas. Esse código costuma corresponder a quadros que podem ser recorrentes ou de curso prolongado por sobrecarga mecânica, e muitas vezes são acompanhados e registrados em contexto ambulatorial sem necessariamente causar incapacidade permanente. Como esses episódios podem reaparecer, a regra dos 60 dias é importante para somar atestados relacionados e avaliar continuidade do mesmo problema perante a perícia.

Perguntas frequentes sobre M76.8

O que significa receber o código CID M76.8?

Significa que foi identificada uma entesopatia em membro inferior que não se enquadra em um código irmão mais específico; descreve problema na inserção do tendão ou ligamento ao osso, fora do pé.

Preciso fazer algum exame para confirmar o CID M76.8?

Exames como ultrassom musculoesquelético ou radiografia costumam ser usados para documentar alterações na entese; a escolha depende da avaliação clínica.

Esse problema costuma exigir afastamento do trabalho?

Nem sempre; o afastamento depende da intensidade da dor, limitação funcional e das exigências da atividade profissional, sendo avaliado caso a caso.

O CID M76.8 pode mudar para outro código depois?

Sim. Se for preciso identificar uma localização ou causa mais específica (por exemplo, tendinite patelar ou aquileana) o código pode ser atualizado para o irmão correspondente.

A entesopatia é contagiosa ou hereditária?

Não é contagiosa; fatores hereditários podem influenciar predisposição, mas os determinantes principais são mecânicos e relacionados ao uso e desgaste.

Quais sinais indicam que devo retornar ao médico imediatamente?

Retorne se houver piora rápida da dor, febre com inflamação local, perda de força ou sensibilidade, ou incapacidade para caminhar.

Fontes e como esta página foi feita

O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.

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