N10-N16 — Doenças renais túbulo-intersticiais

O bloco N10-N16 reúne doenças que acometem principalmente os túbulos renais e o interstício peritubular, incluindo pielonefrite aguda/bacteriana (N10), pielonefrite crônica e refluxo (N11), nefrite túbulo-intersticial aguda e crônica de causas diversas (N12-N15) e transtornos tubulares e intersticiais não especificados (N16). Entre os códigos mais pesquisados estão N10 (pielonefrite aguda) e N11.0 (pielonefrite crônica obstrutiva), mas o bloco também cobre formas tóxicas, medicamentosas e imunológicas.


Quando usar este código

Escolhe-se este bloco quando o registro deve agrupar condições com comprometimento predominantemente túbulo-intersticial em vez de glomerular ou vascular. Do caso epidemiológico ao prontuário, desce-se ao código específico após identificar cronicidade, causa (bacteriana, obstrutiva, tóxica, imunológica), ou presença de refluxo e alterações anatômicas.

Não confunda com

N10 x N00-N08: separa-se por local da lesão — N10 refere-se a infecção/inflamação túbulo-intersticial (pielonefrite) enquanto N00-N08 indicam doença glomerular predominantemente glomerular.

N11.0 (pielonefrite crônica obstrutiva) x N17-N19 (insuficiência renal): se há insuficiência renal aguda ou crônica, registrar N17-N19 como condição principal de função; N11.0 descreve a etiologia obstrutiva-intersticial quando relevante.

N14 (lesões renais por drogas) x N12 (nefrite túbulo-intersticial não infecciosa): N14 é usado quando há relação conhecida com agente farmacológico ou químico documentado; N12 para formas não especificadas ou sem agente identificado.

O que este grupo reúne

Grupo de doenças que lesionam preferencialmente os túbulos renais e o tecido intersticial entre eles, produzindo inflamação, fibrose ou disfunção tubular. Inclui processos infecciosos (ex.: pielonefrite bacteriana), obstrutivos com refluxo, exposições tóxicas ou medicamentosas e causas imunológicas. Em geral se manifestam por lesão tubular com ou sem comprometimento glomerular associado.

Queixas que levam a este capítulo

Queixas que levam à codificação aqui incluem febre e dor lombar em infecções agudas, sintomas miccionais (ardor, polaquiúria), hematúria intermitente, edema e sintomas de insuficiência renal progressiva, além de achados laboratoriais isolados como alteração do clearance de creatinina ou alterações na urinálise.

Mecanismos em comum

Mecanismos comuns são infecção ascendente do trato urinário com extensão ao interstício (pielonefrite), obstrução urinária e refluxo vesicoureteral que causam dano crônico, reações tóxicas a fármacos e agentes químicos, e processos imunomediados que afetam predominantemente túbulos e interstício. Exemplos de blocos: N10 (infecciosa), N11 (crônica/obstrutiva), N14 (medicamentos/toxinas).

Como se define o código

O código específico depende do quadro temporal (agudo vs crônico), da identificação da causa (bacteriana, obstrutiva, medicamentosa) e de exames que documentam lesão tubular/intersticial. Achados orientadores incluem urinálise com piúria e/ou bacteriúria, imagem mostrando obstrução ou cicatrizes, cultura positiva e história de exposição a drogas nefrotóxicas.

Como o cuidado se organiza

O manejo varia conforme a causa: infecções agudas costumam iniciar em atenção básica ou emergência com seguimento ambulatorial; formas crônicas e complicadas demandam avaliação especializada (nefrologia, urologia) e possíveis procedimentos para obstrução. No SUS, casos agudos e complicados são atendidos na rede básica, especializada e hospitais conforme gravidade e necessidade de internação.

Classes de medicamentos

Classes utilizadas no conjunto incluem antibióticos betalactâmicos e outros agentes dirigidos a uropatógenos para infecções; anti-inflamatórios e imunossupressores em nefrite imunomediada; medidas de suporte renal e esvaziamento/antibiótico profilático em casos de refluxo/obstrução. A escolha depende da etiologia, gravidade e perfil de resistência.

Sinais de alarme do grupo

Sinais de alarme que motivam avaliação imediata incluem febre alta com dor lombar, sinais de sepse, anúria ou oligúria aguda, aumento rápido da creatinina, hemorragia urinária significativa ou descompensação de comorbidades associadas.

Uso em atestado

Atestados para este grupo descrevem o diagnóstico e período estimado de afastamento conforme incapacidade funcional. Notificações compulsórias aplicam-se quando houver agente de notificação previsto (ex.: determinadas infecções). A perícia costuma exigir documentação de exames laboratoriais, imagem e justificativa da causa para afastamento prolongado.

Perguntas frequentes sobre N10-N16

Quando uso N10 e quando N11 ao codificar uma pielonefrite?

Use N10 para pielonefrite aguda e N11 para formas crônicas ou associadas à obstrução/refluxo documentado; distinguir pela duração, imagens e história clínica.

Como registrar lesão por medicamento que afeta os túbulos?

Prefira N14 quando houver evidência de nefrite ou lesão renal relacionada a droga ou substância tóxica identificada; sem identificação específica, use N12/N13 conforme agudo ou crônico.

O que a perícia costuma pedir para atestar incapacidade por nefropatia túbulo-intersticial?

Relatórios clínicos, exames de função renal (creatinina, clearance), imagens renais, resultados de biópsia quando feita e documentação da causa (por exemplo, cultura ou exposição a toxina).

Devo colocar N17-N19 quando o paciente tem insuficiência renal causada por pielonefrite?

Se a apresentação principal for insuficiência renal aguda ou crônica manifesta, registra-se N17-N19 conforme a insuficiência; registre N10-N16 como causa associada quando relevante.

É obrigatório informar o CID em atestados quando o paciente solicita omissão?

O CID pode ser omitido a pedido do paciente em atestados médicos; contudo, em casos de notificação compulsória ou perícia, pode ser exigida documentação completa.

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