H00-H06 — Transtornos da pálpebra, do aparelho lacrimal e da órbita

  • doenças das pálpebras
  • transtornos orbitários
  • transtornos do aparelho lacrimal

Este bloco (H00–H06) reúne transtornos que afetam as pálpebras, o aparelho lacrimal e a órbita. Inclui blefarites, chalázio, ptose, obstruções lacrimais e inflamações/infiltrações orbitárias; códigos frequentemente procurados: H00.0 (Orquite/blefarite), H01 (outras afecções da pálpebra), H04 (trastornos do aparelho lacrimal) e H05 (transtornos da órbita). Destina-se a agrupar problemas locais e anatômicos dos anexos oculares, distintos de doenças da conjuntiva, córnea ou retina.


Quando usar este código

Usa-se este agrupamento quando o quadro primário envolve estrutura palpebral, ducto lacrimal ou conteúdo orbital sem predomínio de cicatriz ou doença intraocular; a escolha do código específico exige descida para o subcódigo que descreve a lesão, cronologia e causa quando disponível. Encaminha-se à subdivisão correta com base em exame físico, achado anatômico (p.ex. obstrução do ducto) ou diagnóstico histopatológico.

Não confunda com

H10-H13 (Transtornos da conjuntiva) — separar por sinal predominante: secreção e hiperemia conjuntival com conjuntiva visivelmente envolvida orienta para H10-H13; se a lesão está na margem palpebral ou pálpebra, escolher H00-H06.

H15-H22 (córnea, íris e corpo ciliar) — presença de alterações corneanas, opacidades ou irite documentadas em exame biomicroscópico aponta para H15-H22; achados restritos a pálpebra/orbita permanecem em H00-H06.

H30-H36 (coróide e retina) — alterações de fundo de olho (hemorragia retiniana, descolamento, lesão vascular retiniana) determinam ingresso em H30-H36; condições palpebrais/ lacrimais sem envolvimento de fundo ficam em H00-H06.

O que este grupo reúne

Reúne afecções localizadas nos anexos oculares: pálpebras (margem, glândulas, pele), vias lacrimais (puncta, canalículos, saco lacrimal, ducto) e órbita (tecidos moles, gordura, músculos extraoculares e espaço retrobulbar). O critério de agrupamento é a anatomia afetada, independentemente da etiologia específica, desde inflamatória até traumática ou tumoral.

Queixas que levam a este capítulo

Queixas que trazem o paciente a este bloco incluem edema ou inchaço das pálpebras, dor ou sensibilidade local, massa palpável na pálpebra, lágrima excessiva ou epífora, secreção localizada e proptose ou deslocamento do globo ocular. Sintomas oculares difusos sem sinais nas pálpebras sugerem outra origem.

Mecanismos em comum

Os mecanismos variam: inflamação/infeção das glândulas palpebrais (blefarite, chalázio), obstrução mecânica do sistema lacrimal (congênita ou adquirida), trauma orbitário, processos expansivos invasivos (tumores benignos ou malignos) e processos inflamatórios orbitários (orbite). Cada bloco pode agrupar causas infecciosas, inflamatórias, traumáticas ou neoplásicas conforme a anatomia afetada.

Como se define o código

O código específico depende do achado anatômico e da natureza do processo: presença de massa palpável, localização (margem palpebral vs saco lacrimal), cronologia (agudo vs crônico) e provas de infecção ou neoplasia. Exames locais (inspeção, palpação, biomicroscopia) e relatórios de imagem ou histopatologia definem a classificação dentro do bloco.

Como o cuidado se organiza

O manejo varia conforme a causa: muitas condições são tratadas de forma ambulatorial por oftalmologista ou cirurgião ocular; obstruções lacrimais em crianças podem seguir protocolos pediátricos, e processos orbitários complexos exigem avaliação hospitalar e interdisciplinar. O SUS provê consultas, exames de imagem e cirurgias quando indicadas, com referência conforme protocolos locais.

Classes de medicamentos

Classes utilizadas neste conjunto incluem antibióticos tópicos ou sistêmicos (para infecção bacteriana), anti-inflamatórios não esteroidais e corticosteroides tópicos ou sistêmicos (segundo gravidade e objetivo anti-inflamatório), e dilatadores ou lubrificantes oculares quando indicado. A escolha entre classes depende de confirmação de infecção, extensão inflamatória e riscos locais.

Sinais de alarme do grupo

Procurar atenção imediata em caso de dor ocular intensa, perda súbita da visão, aumento rápido do volume orbital, febre associada a inflamação periorbitária, movimento ocular limitado ou sinais de celulite orbital (proptose, restrição motora). Epífora com infecção recorrente e massas palpáveis crescentes merecem avaliação especializada.

Uso em atestado

Atestados para consultas e procedimentos locais costumam descrever a condição anatômica e a data do atendimento; a omissão do CID a pedido do paciente é permitida, salvo exigência legal ou institucional. Perícias podem exigir relatórios clínicos, exames de imagem e, quando aplicável, anatomopatologia para afastamentos ou procedimentos mais longos.

Perguntas frequentes sobre H00-H06

Quando uso H04 em vez de H00?

H04 refere-se especificamente a transtornos do aparelho lacrimal (obstrução, dacriocistite); H00-H03 cobrem lesões primariamente palpebrais como blefarite ou chalázio.

Um chalázio vai em H00 ou em outro bloco?

Chalázio e outras inflamações das glândulas palpebrais costumam codificar em H00/H01 conforme a descrição anatômica; se houver extensão orbitária com abscesso, pode ser necessário H05.

Para atestado por cirurgia de via lacrimal qual documentação a perícia costuma pedir?

Relatório cirúrgico, laudo de imagem quando feito (ex.: dacriossonografia, TC de órbita) e justificativa clínica são frequentemente exigidos em perícias para procedimentos e afastamentos.

Uma conjuntivite com blefarite deve ir para H10 ou H00?

Se o quadro predominante e o tratamento dirigem-se à conjuntiva, usar H10; se a alteração principal está na margem palpebral ou glândulas, H00-H06 é mais adequado.

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