B35-B49 — Micoses

  • Infecções fúngicas
  • Doenças por fungos
  • Dermatomicoses e micoses profundas

O que este código significa?

Este bloco reúne micoses classificadas entre B35 e B49, incluindo causas comuns como dermatofitoses (B35), candidíases (B37), aspergilose (B44) e micoses subcutâneas ou sistêmicas como sporotricose (B42) e histoplasmose (B39).

Contém tanto micoses superficiais tratadas em atenção primária quanto micoses subcutâneas e sistêmicas que exigem investigação laboratorial e, às vezes, referência para infectologia ou dermatologia.


Quando se usa um código deste grupo?

Chega-se a este bloco a partir de sinais ou laudos que indicam infecção por fungos sem um CID-10 mais específico. Para escolher o código correto, afunile por localização (superficial, subcutânea, sistêmica), agente identificado (dermatófito, Candida, fungo dimórfico, bolor) e evidência laboratorial (microscopia, cultura, sorologia/antígeno).

Com que grupos este se confunde?

B35 vs B37 — critério: identificação do agente ou quadro anatômico; dermatofitose (B35) predomina em pele/cabelo/unhas com cultura para dermatófitos; candidíase (B37) associa-se a mucosas, intertrigo ou candidemia com isolamento de Candida.

B42 vs B43 — critério: padrão clínico e histologia; esporotricose (B42) costuma seguir via linfática após inoculação traumática; cromoblastomicose (B43) mostra células muriformes em lâmina.

B44 vs B39 — critério: evidência microbiológica e testes específicos; aspergilose (B44) tem exames como galactomanano e imagens compatíveis com broncopulmonar; histoplasmose (B39) é apoiada por antígeno/sorologia e exame histopatológico com leveduras intracelulares.

O que é?

Conjunto de doenças causadas por fungos ou fungo-like que afetam pele, unhas, mucosas, tecido subcutâneo e órgãos internos. Reúne desde micoses superficiais benignas até infecções profundas e oportunistas; a classificação depende do sítio anatômico e do agente etiológico.

Que queixas costumam cair neste grupo?

Queixas que levam a este bloco incluem prurido, lesões em anel ou descamativas, alteração de unhas, corrimento vaginal, lesões nodulares/úlceradas após trauma, tosse persistente, febre ou sinais de doença sistêmica em pacientes imunossuprimidos.

O que costuma estar por trás deste grupo?

Etiologia fúngica: dermatófitos (B35) causam micoses cutâneas; leveduras do gênero Candida (B37) provocam mucocutâneas e invasivas; fungos dimórficos e bolores (B38–B44, B39) causam micoses subcutâneas e sistêmicas; alguns quadros são oportunistas em imunossuprimidos.

Como se chega a um código deste grupo?

O código é definido por combinação de sítio clínico e evidência laboratorial: exame direto (KOH), cultura fúngica, histopatologia com colorações especiais, testes sorológicos ou antígeno e, em alguns centros, PCR. Na prática, micoses superficiais usam evidência micológica local; micoses profundas, cultura/antígeno/biopsia e exames de imagem.

Como costuma ser tratado?

Na maioria, o manejo inicial é ambulatorial em atenção primária ou dermatologia para micoses superficiais; micoses subcutâneas e sistêmicas geralmente demandam referência para infectologia/dermatologia e podem requerer internação em casos graves. Programas públicos mantêm fluxos de referência para infecções complexas; decisão terapêutica depende do agente, extensão e estado imune.

Que tipos de remédio costumam ser usados?

Principais classes: azóis (inibem síntese de ergosterol; usados em formas tópicas ou sistêmicas dependendo do agente), polienos (ligam ergosterol; indicados em micoses invasivas graves), equinocandinas (inibem síntese de glucana; usadas em candidemias e micoses sistêmicas selecionadas), alilaminas tópicas (inibem esqualeno epoxidase; usadas em dermatofitoses) e análogos de pirimidina (flucitosina; antimetabólito em combinação). A escolha entre classes depende de sítio da infecção, agente suscetível, gravidade e perfil de interações/efeitos colaterais.

Quando procurar um médico?

Procurar atendimento quando houver febre persistente, sinais de infecção sistêmica, dificuldade respiratória, lesões cutâneas que se alastrem ou piorem, úlceras que não cicatrizam, sinais neurológicos ou qualquer piora rápida em pessoa imunossuprimida.

Como este grupo aparece em atestado?

Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento: o período é definido pelo médico que examinou o caso concreto — duas pessoas com o mesmo código podem receber períodos diferentes.

Até 15 dias de afastamento o salário é pago pelo empregador (Lei 8.213/91, art. 60, parágrafo 3); a partir do 16º dia em diante o INSS assume e passa a exigir perícia. A legislação também prevê que atestados pelo mesmo motivo dentro de 60 dias somam para esse teto de 15 dias (Decreto 3.048/99, art. 75).

Na prática, é o CID que o perito usa para verificar se a doença é a mesma e, assim, somar os atestados dentro do período de 60 dias — ou seja, a presença do código no documento é a razão prática pela qual a soma pode ser feita, fato que muitas pessoas desconhecem.

Para que um atestado seja aceito ele precisa conter identificação do paciente, período de afastamento, data, assinatura e CRM do médico. O CID só deve constar com anuência do paciente; não há obrigação de informar o diagnóstico ao empregador, e sem o código não é possível checar a soma dos 60 dias mencionados acima.

No caso do bloco B35–B49 (micoses), o espectro vai de micoses superficiais, tratáveis em atenção primária, até micoses subcutâneas e sistêmicas que exigem investigação e, por vezes, referência para infectologia/dermatologia. Muitas apresentações superficiais não costumam gerar incapacidade prolongada para o trabalho, enquanto as formas profundas ou em pacientes imunossuprimidos podem demandar acompanhamento mais intensivo e eventualmente limitar a capacidade laboral. Como algumas micoses são crônicas ou recorrentes e outras aparecem em episódios separados, a regra dos 60 dias é relevante aqui para avaliar se atestados sucessivos se referem ao mesmo problema e, assim, somam para o período em que o empregador responde financeiramente antes da perícia do INSS.

Perguntas frequentes sobre B35-B49

Quando uso B35 em vez de B37?

Use B35 quando houver quadro de dermatofitose confirmado por exame direto ou cultura em pele, cabelo ou unha; B37 é para candidíase mucocutânea ou invasiva com isolamento de Candida.

Um caso de esporotricose deve sair em B42 ou em micoses cutâneas gerais?

Se houver quadro compatível por inoculação traumática com confirmação clínica/laboratorial, registre B42; micoses sem confirmação seguem para códigos menos específicos do bloco.

Em suspeita de aspergilose pulmonar qual código escolher entre B44 e outros fungos sistêmicos?

B44 é usado para aspergilose confirmada por exames específicos (microscopia, cultura, galactomanano) e imagem; sem confirmação, registre um código provisório até a etiologia ser estabelecida.

Posso omitir o CID no atestado por micoses cutâneas?

Sim, o CID pode ser omitido a pedido do paciente por razões de privacidade; porém a perícia que avalia afastamento costuma exigir documentação clínica e exames quando necessário.

Quais exames costumam decidir entre micoses superficiais e sistêmicas (B35–B49)?

Exame direto e cultura local definem micoses superficiais; biópsia, hemocultura, testes de antígeno/sorologia e imagens orientam diagnóstico de micoses subcutâneas ou sistêmicas.

Fontes e como esta página foi feita

O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.

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