B85-B89 — Pediculose, acaríase e outras infestações

  • infestações cutâneas por ectoparasitas
  • pediculose e sarna
  • infestações por piolhos, carrapatos, pulgas e moscas

Este bloco reune infestações por ectoparasitas da pele: pediculoses (B85), acaríases/sarna (B86) e outras infestações por artrópodes ou larvas (B87-B89). Inclui os códigos mais procurados, como B85 (piolhos) e B86 (ácaros), e códigos para formas menos comuns ou não especificadas. A apresentação clínica, a identificação do agente e o sítio afetado orientam a escolha do código dentro do bloco. As medidas de cuidado variam de atendimento ambulatorial a ações de saúde coletiva em surtos.


Quando usar este código

Chega-se a este agrupamento a partir de uma busca por sintomas de prurido, lesões cutâneas com presença visível de parasitas, ou por necessidade de classificar infestações identificadas em consulta. A partir daqui, selecione o código específico conforme o agente identificado (por exemplo, B85 ou B86), o local acometido e a especificidade do diagnóstico.

Não confunda com

B85 vs B86: escolha B85 (pediculose) quando o achado for piolhos ou lêndeas; escolha B86 (acaríase/sarna) quando o agente for ácaro e houver escavações e padrão típico de sarna.

B35: se o problema cutâneo depende de identificação de fungo por exame (microscopia/cultura) e tem padrão de micose, codifique em B35-B49 em vez de B85-B89.

B90-B94 (sequelas): quando houver lesões residuais sem infestação ativa costumam ser códigos de sequelas (B90-B94) e não este bloco.

O que este grupo reúne

Conjunto de doenças causadas pela presença de ectoparasitas na pele ou anexos cutâneos: piolhos, ácaros, pulgas, carrapatos, miasis e outras infestações por artrópodes. O critério que as reúne é a presença de um parasita externo à pele como fator causal primário, com manifestações locais e potencial para complicações secundárias.

Queixas que levam a este capítulo

Queixas que levam a classificar neste bloco incluem prurido intenso, sensação de movimento na pele, lesões por coçadura (escoriações), presença visível de parasitas ou lêndeas, eritema localizado e, em surtos, relatos de contato intradomiciliar ou institucional.

Mecanismos em comum

Mecanismos comuns são infestação por ectoparasitas (insetos e ácaros) transmitidos por contato direto pessoa a pessoa, contato com animais, fômites ou exposição a ambientes infestados. Exemplos: piolhos (B85) por contato íntimo ou compartilhamento de objetos; sarna (B86) por transmissão direta ou por roupas/lençóis; miasis e outras infestações por vetores ou animais.

Como se define o código

O diagnóstico costuma ser clínico e dirigido à identificação do agente: inspeção cuidadosa, visualização de piolhos/lêndeas, exame de raspado para ácaros, dermatoscopia, ou identificação de larvas. A diferenciação entre códigos depende do agente identificado, do local acometido (por ex., couro cabeludo vs pele glabra) e da especificidade do relato clínico.

Como o cuidado se organiza

O manejo costuma ser ambulatorial, coordenado na atenção primária e, se necessário, em serviço de dermatologia ou de infectologia. Em surtos em escolas ou instituições, ações de vigilância e controle coletivo podem ser acionadas. Complicações infecciosas podem demandar atendimento hospitalar.

Classes de medicamentos

Classes usadas neste grupo incluem inseticidas tópicos e escabicidas (ação neurotóxica sobre parasitas), antiparasitários orais com atividade sistêmica contra ectoparasitas, agentes antipruriginosos e antimicrobianos para tratar infecções secundárias. A escolha entre classes depende da espécie do parasita, extensão da infestação, idade, gravidez e resistência local conhecida.

Sinais de alarme do grupo

Procurar avaliação quando houver sinais de infecção secundária (febre, aumento da dor, eritema caloroso progressivo), infestação extensa ou persistente apesar de tratamento, acometimento de olhos/genitais ou quando haja surtos em creches, escolas ou instituições.

Uso em atestado

Para atestados e afastamentos, costuma registrar-se o diagnóstico clínico ou o código CID correspondente (B85-B89) e a necessidade de incapacidade temporária quando for o caso. Em geral não são doenças de notificação compulsória, mas surtos em instituições podem exigir comunicação à vigilância sanitária local. O CID pode ser omitido a pedido do paciente em atestados, conforme normas institucionais.

Perguntas frequentes sobre B85-B89

Quando escolher B85 em vez de B86?

Use B85 quando o agente identificado for piolho (leituras de lêndeas/piolhos ou achado clínico compatível); escolha B86 quando o agente for ácaro e houver quadro típico de sarna.

Se o dermatologista suspeitar de micose em vez de infestação, devo usar B35-B49?

Sim. Quando o diagnóstico depende de identificação de fungo (exame micológico) e o padrão clínico é de micose, codifique em B35-B49 em vez de B85-B89.

Estas infestações são de notificação compulsória e o CID pode ser omitido no atestado?

Normalmente não são de notificação compulsória individual; surtos em instituições podem exigir comunicação à vigilância local. O paciente pode pedir omissão do CID no atestado, sujeito às regras do serviço e da perícia.

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