T00-T07 — Traumatismos envolvendo múltiplas regiões do corpo
O que este código significa?
Este bloco reúne registros de traumatismos que afetam múltiplas regiões do corpo ao mesmo tempo, quando não se codifica uma única parte isolada. Inclui cenários de trauma combinado envolvendo cabeça, pescoço, tórax, abdome, membros e outras áreas, e costuma complementar ou substituir códigos regionais S00-S99 quando há lesões distribuídas. Códigos frequentemente procurados incluem T02 (lesões combinadas) e T04-T05 conforme especificidade e gravidade. A escolha do código depende da descrição clínica e do foco para estatística, faturamento ou perícia.
Quando se usa um código deste grupo?
Usa-se este bloco quando o prontuário descreve lesões em várias regiões corporais sem predomínio claro de uma única localização ou quando normas de codificação orientam agrupar o trauma como múltiplo. Para descer ao código exato, o codificador verifica relatórios de atendimento, laudos de imagem e mapas de lesões para identificar quais partes estão envolvidas e se a situação se encaixa em T00-T07 ou em códigos regionais S00-S99.
Com que grupos este se confunde?
S00-S09: Traumatismos da cabeça — diferenciar quando as lesões são predominantemente cranianas. Critério: se o registro destaca apenas cabeça, usar S00-S09; se há cabeça e outras regiões simultâneas, considerar T00-T07.
T08-T14: Traumatismos de localização não especificada do tronco, membro ou região — diferenciar quando a localização é descrita vagamente. Critério: se a documentação não permite identificar múltiplas regiões distintas, pode caber T08-T14; T00-T07 exige descrição de várias regiões envolvidas.
O que é?
O bloco descreve traumatismos que envolvem duas ou mais regiões anatômicas distintas em um mesmo evento. Reúne situações em que não se pode ou não se deve reduzir o registro a um único local de lesão, refletindo trauma composto. Serve para agrupar casos com multiplicidade anatômica, com variação de gravidade e necessidade de múltiplas intervenções.
Que queixas costumam cair neste grupo?
Os registros que levam a códigos deste grupo costumam mencionar dor em mais de uma região, ferimentos superficiais ou profundos espalhados, incapacidade funcional em múltiplos segmentos, hemorragia em locais distintos, ou relato de mecanismo que afeta todo o corpo (queda alta, colisão veicular). O que faz chegar aqui é a presença de sinais em diferentes partes, não um sintoma isolado.
O que costuma estar por trás deste grupo?
Os mecanismos incluem acidentes de trânsito, quedas de altura, esmagamento, prensamento, explosões e violência multifocal. Exemplos de blocos relacionados: S00-S09 (cabeça) quando a cabeça é afetada entre outras partes; S20-S29 (tórax) e S30-S39 (abdome/dorso) quando o tronco e membros também estão envolvidos.
Como se chega a um código deste grupo?
A classificação depende do relato clínico, exame físico e identificação das regiões lesionadas. Exames de imagem e laudos descrevendo lesões em mais de uma área confirmam o enquadramento no bloco; se a documentação detalha apenas uma região, o código regional apropriado é preferível. A distinção prática entre blocos baseia-se na especificidade anatômica e na documentação do prontuário.
Como costuma ser tratado?
O fluxo de cuidado varia conforme gravidade: ambulatorial para lesões leves múltiplas, pronto atendimento e internação quando há risco sistêmico ou necessidade cirúrgica e atendimento especializado (ortopedia, neurocirurgia, cirurgia torácica/abdominal). No SUS, atenção inicial costuma ocorrer em unidade de urgência/emergência com regulação para centro de trauma quando necessário.
Que tipos de remédio costumam ser usados?
Classes utilizadas incluem analgésicos e anti‑inflamatórios, anti‑tétanicos profiláticos, antibióticos em feridas contaminadas, e agentes para suporte hemodinâmico em lesões graves. A escolha entre classes depende da natureza das lesões (contusas, perfurantes, infectadas) e do risco clínico identificado.
Quando procurar um médico?
Procurar atendimento imediato se houver perda de consciência, dificuldade respiratória, dor torácica intensa, sangramento profuso, deformidade visível de membros, sinais de choque (palidez, sudorese, confusão) ou piora rápida da dor e função.
Como este grupo aparece em atestado?
Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento: o período é definido pelo médico que examinou, com base no caso concreto — duas pessoas com o mesmo código podem receber períodos diferentes.
Na prática legal, até 15 dias de afastamento o empregador é responsável pelo pagamento (Lei 8.213/91, art. 60, parágrafo 3); a partir do 16º dia o INSS assume o benefício e passa a exigir perícia. Atestados emitidos pelo mesmo motivo dentro de 60 dias são somados para fins desse limite de 15 dias (Decreto 3.048/99, art. 75).
Sobre a regra dos 60 dias: é o CID indicado no atestado que o perito usa para verificar se se trata da mesma causa — por isso o código no documento tem função prática na aferição da continuidade do quadro. Pouca gente sabe que é o código que permite juntar atestados sucessivos para contar esses 15 dias.
Para que um atestado seja aceito ele deve identificar o paciente, indicar o período de afastamento, trazer a data, assinatura e o CRM do médico. A inclusão do CID depende da anuência do paciente; não há obrigação legal de informar o diagnóstico ao empregador, mas sem o código a soma dos 60 dias não pode ser verificada.
No caso de T00-T07 (traumatismos envolvendo múltiplas regiões do corpo) o quadro é tipicamente de trauma agudo que pode exigir atendimento de urgência e, conforme a gravidade, internação ou intervenções em mais de uma especialidade. Esse bloco costuma registrar situações de incapacidade funcional enquanto perdurar o episódio agudo, mais do que condições crônicas estáveis. Quando há reincidência de atestados por eventos relacionados ou persistência de sequelas, a regra dos 60 dias ganha relevância porque permite ao perito avaliar a continuidade do mesmo problema pelo CID declarado, influenciando a contagem dos períodos pagos pelo empregador antes da eventual assunção pelo INSS.
Que direitos este código envolve?
Do ponto de vista jurídico, traumatismos entram na avaliação para benefícios relacionados a acidente de trabalho, incapacidade temporária ou permanente, e indenizações civis; a concessão depende de perícia médica e enquadramento em normas previdenciárias ou trabalhistas, não do código isolado. Procede‑se via requerimento e laudo técnico conforme legislação aplicável.
Perguntas frequentes sobre T00-T07
Quando usar T02 em vez de S30?
Use T02 quando o prontuário descreve lesões em múltiplas regiões, mesmo que o abdome esteja envolvido; S30 é para traumatismos restritos ao abdome.
Posso omitir CID em atestado se o paciente pedir?
A omissão do CID pode ser feita a pedido do paciente, mas o atestado deve manter descrição clínica suficiente; regras administrativas podem variar conforme empregador e normas institucionais.
Como a perícia avalia afastamento em traumatismos múltiplos?
A perícia considera extensão anatômica, disfunção funcional, necessidade de tratamento e documentação clínica; o código é parte da prova, mas a decisão depende do laudo pericial.
Quando escolher T04/T05 dentro deste bloco?
T04/T05 são usados para lesões que envolvem partes múltiplas com especificidade prevista na classificação; a escolha requer checar a subdivisão e a documentação detalhada das regiões afetadas.
Devo registrar códigos S00-S99 junto com T00-T07?
É aceitável registrar códigos regionais complementares quando a documentação descreve lesões específicas em cada área; a codificação deve refletir a maior precisão disponível.
Códigos relacionados
- S00-S09 Traumatismos da cabeça
- S10-S19 Traumatismos do pescoço
- S20-S29 Traumatismos do tórax
- S30-S39 Traumatismos do abdome, do dorso, da coluna lombar e da pelve
- S40-S49 Traumatismos do ombro e do braço
- S50-S59 Traumatismos do cotovelo e do antebraço
- S60-S69 Traumatismos do punho e da mão
- S70-S79 Traumatismos do quadril e da coxa
- S80-S89 Traumatismos do joelho e da perna
- S90-S99 Traumatismos do tornozelo e do pé
- T08-T14 Traumatismos de localização não especificada do tronco, membro ou outra região do corpo
- T15-T19 Efeito da penetração de corpo estranho através de orifício natural
- T20-T25 Queimaduras e corrosões da superfície externa do corpo, especificadas por local
- T20-T32 Queimaduras e corrosões
- T26-T28 Queimaduras e corrosões limitadas ao olho e aos órgãos internos
- T29-T32 Queimaduras e corrosões de múltiplas regiões e de regiões não especificadas do corpo
- T33-T35 Geladuras [frostbite]
- T36-T50 Intoxicação por drogas, medicamentos e substâncias biológicas
- T51-T65 Efeitos tóxicos de substâncias de origem predominantemente não-medicinal
- T66-T78 Outros efeitos de causas externas e os não especificados
- T79-T79 Algumas complicações precoces de traumatismos
- T80-T88 Complicações de cuidados médicos e cirúrgicos, não classificados em outra parte
- T90-T98 Seqüelas de traumatismos, de intoxicações e de outras conseqüências das causas externas
Fontes e como esta página foi feita
- DATASUS — CID-10, bloco T00-T07
- OMS — ICD-10, versão 2019 (T00-T07)
- Lei 8.213/1991, art. 60 — afastamento e auxílio por incapacidade
- Decreto 3.048/1999, art. 75 — soma de atestados em 60 dias
- Anvisa — Bulário Eletrônico
O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.