T33-T35 — Geladuras [frostbite]
- Geladura
- Frostbite
- Congelamento
O que este código significa?
Este bloco reúne lesões causadas por exposição ao frio extremo e seus efeitos locais: desde alteração de sensibilidade e pele pálida até necrose e perda tecidual. Inclui códigos para geladura superficial, profunda e efeitos múltiplos do frio (T33-T35), e costuma englobar os achados mais procurados como T33 (congelamento superficial) e T34/T35 (lesão mais profunda e envolvendo múltiplas regiões). Útil para codificação de eventos agudos por frio, diferindo de queimaduras térmicas e de outras lesões por causas externas.
Quando se usa um código deste grupo?
Usa-se este bloco quando a causa principal do dano local é exposição ao frio intenso ou contato prolongado com superfícies geladas, e o relato clínico descreve alteração térmica da pele, dormência, bolhas ou perda tecidual. Do bloco procede-se ao código mais específico conforme profundidade da lesão, número de áreas afetadas e achados (superficial versus profundo; presença de necrose ou sinal de comprometimento sistêmico). Se o episódio envolver múltiplas regiões, escolhe-se o código que indica múltiplas regiões; na dúvida, registrar detalhes clínicos para permitir seleção do código correto.
Com que grupos este se confunde?
Confusão com T20 (queimadura térmica): histórico de fonte térmica direta ou exposição a chama / líquido quente diferencia; queimaduras têm histórico térmico claro e padrão de lesão distinto das geladuras por frio.
Confusão com códigos de sequela (T90-T98): sequela pós-traumática inclui alterações permanentes registradas em T90-T98; para episódio agudo por frio usa-se T33-T35, para registro de consequência tardia escolhe-se o código de sequela correspondente.
O que é?
Reúne lesões por frio extremo que causam dano local na pele e tecidos subjacentes pelo congelamento ou pela diminuição do fluxo sanguíneo induzida pelo frio. Variam de alterações reversíveis na sensibilidade e coloração até destruição tecidual com necrose. O critério que une o conjunto é a etiologia fria (congelamento direto ou exposição prolongada ao frio), não a área anatômica específica.
Que queixas costumam cair neste grupo?
Queixas que levam a este bloco incluem dor local, formigamento ou dormência, pele pálida ou cerosa, sensação de frieza na área afetada, bolhas que podem surgir horas ou dias após a exposição e, nos casos mais graves, escurecimento e perda tecidual. Em relatos de clinica, frequentemente há história de exposição ambiental ou contato com objetos muito frios.
O que costuma estar por trás deste grupo?
Mecanismo comum é a exposição ao frio que provoca cristalização do líquido intra- e extracelular e/ou vasoconstrição severa com isquemia. Exemplos: contato direto com superfícies congeladas, exposição ambiental prolongada (acampamento, trabalho ao ar livre), imersão em água muito fria; agravam-se por vento, umidade e descuido com isolamento térmico.
Como se chega a um código deste grupo?
O código específico depende do relato temporal e dos achados locais: profundidade da lesão (superficial vs profunda), presença de bolhas, sinais de necrose e número de regiões afetadas. A separação prática de blocos é clínica, complementada por evolução das lesões; registros fotográficos e documentação do mecanismo ajudam na codificação correta.
Como costuma ser tratado?
O manejo se organiza do pronto-atendimento para avaliação inicial, com seguimento ambulatorial para lesões leves e internação em serviços especializados para lesões profundas ou com risco de perda tecidual. Programas e referências do SUS incluem atenção básica, emergência e centros de reabilitação e cirurgia plástica quando necessário. Este bloco descreve organização do cuidado sem indicar intervenções específicas.
Que tipos de remédio costumam ser usados?
Classes frequentemente empregadas no contexto incluem analgésicos (para controle da dor), anti-inflamatórios e agentes que favorecem perfusão tecidual ou tratamento de infecções secundárias quando presentes; a escolha depende da gravidade, presença de infecção e comorbidades. Antibióticos sistêmicos entram quando há sinais de infecção documentada.
Quando procurar um médico?
Sinais de alarme incluem perda rápida da sensibilidade, bolhas extensas, pele escurecida ou com sinais de necrose, dor intensa fora do esperado, febre ou sinais de infecção e comprometimento funcional permanente. Nesses casos procura-se atendimento de emergência ou serviço especializado.
Como este grupo aparece em atestado?
Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento, e o período é definido pelo médico que examinou, conforme o caso concreto — duas pessoas com o mesmo código podem receber períodos diferentes.
Até 15 dias de afastamento quem paga o salário é o empregador (Lei 8.213/91, art. 60, parágrafo 3); a partir do 16º dia o INSS assume e passa a exigir perícia; e atestados pelo mesmo motivo dentro de 60 dias somam para esses 15 dias (Decreto 3.048/99, art. 75).
Sobre a soma prevista nos 60 dias: é o CID do atestado que o perito usa para saber se a doença é a mesma — ou seja, o código é a razão prática pela qual dois atestados podem ser considerados continuidade do mesmo motivo para fins de contagem; essa referência ao CID é pouco conhecida, mas é o critério usado na verificação pericial.
Para que um atestado seja aceito, ele precisa identificar o paciente, especificar o período de afastamento, trazer a data, a assinatura e o CRM do médico. O CID só entra com anuência do paciente — informar o diagnóstico ao empregador não é obrigatório — porém sem o código a soma dos 60 dias não pode ser verificada pela perícia.
No caso das geladuras (T33–T35), trata‑se tipicamente de um quadro de caráter agudo decorrente de exposição ao frio extremo que pode variar desde alteração local transitória até lesão profunda com risco de perda tecidual; por isso o problema pode exigir apenas acompanhamento ambulatorial ou, em casos mais graves, atenção hospitalar e registro de evolução. Esse quadro pode reaparecer em novas exposições ao frio, razão pela qual a regra dos 60 dias importa aqui: atestados sucessivos com o mesmo CID dentro desse intervalo serão considerados continuidade do mesmo motivo para efeitos da contagem dos 15 dias pagos pelo empregador antes de eventual avaliação pelo INSS.
Que direitos este código envolve?
Do ponto de vista jurídico o grupo entra nas regras gerais de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho quando houver nexo ocupacional; a concessão de benefícios depende de perícia médica e da legislação aplicável (acidente de trabalho, auxílios ou aposentadoria por invalidez). Registra-se que a lei trata de grupos e mecanismos, não de códigos isolados, sendo necessária avaliação pericial caso a caso.
Perguntas frequentes sobre T33-T35
Quando devo usar um código de geladura (T33-T35) em vez de um código de queimadura (T20-T32)?
Use T33-T35 quando a história indicar exposição ao frio como causa direta e os achados locais (pele pálida, dormência, bolhas por congelamento) sustentarem essa etiologia; queimaduras térmicas exigem história de fonte térmica clara e padrão de lesão diferente.
O atestado pode omitir o CID a pedido do paciente para geladura?
A omissão do CID pode ser feita conforme normas gerais de confidencialidade, mas a perícia pode exigir documentação completa do episódio e justificativas para concessões que dependam de avaliação médica.
Quais sinais clínicos fazem escolher um código mais grave dentro de T33-T35?
A presença de bolhas extensas, sinais de necrose, comprometimento de múltiplas regiões ou evidência de perda tecidual orienta para códigos que indicam lesão profunda ou múltipla; a escolha depende da documentação clínica e da evolução.
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Fontes e como esta página foi feita
- DATASUS — CID-10, bloco T33-T35
- OMS — ICD-10, versão 2019 (T33-T35)
- Lei 8.213/1991, art. 60 — afastamento e auxílio por incapacidade
- Decreto 3.048/1999, art. 75 — soma de atestados em 60 dias
- Anvisa — Bulário Eletrônico
O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.