X60-X84 — Lesões autoprovocadas intencionalmente

Bloco X60–X84 agrupa eventos em que a lesão foi provocada intencionalmente pela própria pessoa, incluindo envenenamento, ferimentos por corte, ferimentos por arma de fogo, queimaduras, asfixia e outros meios. Reúne códigos frequentemente usados em tentativas de suicídio e autolesão não letal, como X60–X69 (envenenamento por substâncias) e X70–X84 (métodos físicos: enforcamento, arma de fogo, queda, queimadura). É um agrupamento de causas externas, empregado para registrar intenção em sistemas de informação e estatística, não para descrever diagnóstico psiquiátrico específico. A distribuição de métodos e a gravidade variam conforme faixa etária, sexo e contexto social; por isso a codificação costuma exigir descrição circunstancial no prontuário.


Quando usar este código

Usa-se este bloco quando há evidência clínica, relato do paciente, testemunha ou investigação que indiquem intenção autoinfligida. Na prática de codificação, chega-se ao código exato escolhendo o mecanismo da lesão (ex.: envenenamento por medicamento X60–X69; ferimento por arma de fogo X72–X74) e complementando com dados do prontuário. Se a intenção for incerta ou não estabelecida, deve-se considerar códigos de evento de intenção indeterminada (Y10–Y34) em vez deste bloco. Ao descer do bloco para subcódigos, registrar sempre o local e o agente quando disponível, pois isto determina o dígito final do código.

Não confunda com

X40–X49 (Envenenamento acidental): critério de separação — evidência de intenção autoinfligida (declaração, contexto, objeto intencional) aponta para X60–X84; ausência de intenção aparente aponta para X40–X49.

Y10–Y34 (Evento de intenção indeterminada): critério de separação — quando a investigação não permite determinar se a lesão foi acidental ou intencional, usar Y10–Y34; quando há indicação clara de autoinfligimento, usar X60–X84.

W00–X59 (Acidentes e quedas): critério de separação — mecanismo compatível com acidente e sem sinais/relato de autoinfligimento indica W00–X59; relato ou prova de que o ato foi intencional indica X60–X84.

Uso em atestado

Para atestados e afastamentos, o bloco X60–X84 identifica que a causa externa foi autoproposital, informação relevante para perícia e registro. A notificação de violência autoprovocada e de tentativas de suicídio é regulada por normas locais e pode ser de notificação compulsória em muitos estados e serviços de saúde; conferir norma municipal/estadual e protocolos institucionais. O CID pode ser omitido em atestados a pedido do paciente por razões de privacidade em algumas instituições, mas registros clínicos internos devem manter a codificação completa para fins epidemiológicos e de continuidade de cuidado. Perícias médicas costumam exigir relato clínico detalhado, evolução, descrição das lesões, laudos complementares e registros de atendimento de urgência; a simples anotação ‘‘lesão autoinfligida’’ sem documentação circunstancial tende a ser insuficiente para decisões administrativas.

Perguntas frequentes sobre X60-X84

Quando usar X60–X84 em vez de X40–X49?

Use X60–X84 quando houver informação ou prova de que a lesão foi intencionalmente autoinfligida; se for claramente acidental, use X40–X49.

O médico pode omitir o CID X60–X84 no atestado a pedido do paciente?

Em muitos serviços a omissão parcial do CID em atestados por motivos de privacidade é aceita, mas o prontuário deve conter a codificação completa; verificar normas institucionais.

Se não houver informação sobre intenção, qual código usar?

Quando a intenção não puder ser determinada pela investigação clínica e testemunhal, o bloco apropriado é Y10–Y34 (evento de intenção indeterminada), não X60–X84.

Que documentos a perícia costuma pedir quando o CID informado é X60–X84?

A perícia normalmente solicita relatório clínico detalhado, prontuário de emergência, laudos de imagem/laboratório pertinentes e registros de evolução e internação para avaliar incapacidade e circunstâncias.

Registrar X60–X84 obriga notificação às autoridades de saúde?

A obrigação de notificação varia conforme a legislação local e protocolos de vigilância; em vários locais, tentativas de suicídio e violência autoprovocada integram sistemas de notificação compulsória e fluxos de proteção.

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